Pedro Chagas Freitas defende Dinis após insultos: “Não ligues aos pacóvios”, assinalou nas redes sociais.
Há uma fronteira que as redes sociais atravessam com uma facilidade assustadora. Desta vez, o alvo foi Dinis Pereira, filho de Katia Aveiro e sobrinho de Cristiano Ronaldo.
O jovem, de 16 anos, assinou pelo Vitória de Guimarães e passou a ser alvo de comentários depreciativos e insultos nas redes sociais. A situação levou Pedro Chagas Freitas a reagir publicamente.
O escritor deixou uma reflexão dura sobre a maldade gratuita dirigida a um adolescente que está apenas a iniciar uma nova etapa no futebol.
Um jovem jogador no centro de comentários depreciativos
Dinis Pereira tornou-se jogador do Vitória de Guimarães. A notícia, que deveria estar ligada ao percurso desportivo de um jovem de 16 anos, acabou por abrir espaço a insultos sobre a sua aparência.
Pedro Chagas Freitas não ficou indiferente. Nas redes sociais, começou por enquadrar o caso e mostrar perplexidade perante a reação de alguns adultos.
O escritor escreveu: “Dinis Pereira, sobrinho de Cristiano Ronaldo, assinou pelo Vitória. É um jovem adolescente, cheio de sonhos, de expectativas lindas. Assim que se tornou público, apareceram logo adultos a comentar o aspeto físico dele. Não entendo. Nunca vou entender”.
A crítica aponta para uma evidência muitas vezes esquecida no ruído digital: Dinis é menor, está a construir o seu caminho e não devia ser reduzido ao comentário fácil.
“Miseravelmente antigo”
Pedro Chagas Freitas tentou depois explicar o mecanismo por trás dos ataques. Não para desculpar, mas para expor a pobreza emocional de quem os faz.
Na mesma publicação, afirmou: “Percebo o mecanismo: o ser humano sente-se pequeno, a vida corre-lhe mal, olha para alguém, tenta diminuir essa pessoa para se sentir maior durante dez segundos. É um processo antigo: miseravelmente antigo”.
A frase vai ao ponto. O insulto, neste caso, não diz apenas algo sobre quem é atacado. Diz sobretudo muito sobre quem precisa de atacar.
E talvez seja esse o lado mais triste desta história: um adolescente vira alvo porque alguns adultos não sabem lidar com a própria frustração.
A pergunta que fica no ar
O escritor assumiu não compreender, no plano emocional, o impulso de comentar o corpo, o rosto ou a aparência de outra pessoa.
Pedro Chagas Freitas questionou: “Emocionalmente, não percebo: o que se passa dentro de uma pessoa para olhar para outra pessoa e sentir necessidade de comentar o seu rosto, o seu corpo, a sua aparência, as suas opções estéticas? Que vazio é esse? Que tristeza é essa? Que derrota interior leva alguém a apontar o dedo assim?”
A reflexão transforma o episódio num tema mais largo. Não se trata apenas de Dinis. Trata-se de uma cultura de ataque imediato, onde qualquer exposição pública parece servir de convite ao insulto.
“Hoje foi o Dinis; amanhã será outro”
Pedro Chagas Freitas defendeu ainda que este tipo de comportamento nasce de frustrações pessoais, despejadas sobre quem aparece.
O autor escreveu: “Suspeito que estes indivíduos vivem zangados com o mundo, ou com o espelho, ou com o passado, ou com aquilo que não conseguiram ser. O que fazem é despejar essa lixeira sobre quem aparece”.
Depois, alargou a análise: “Hoje foi o Dinis; amanhã será outro. Resta-me uma consolação: daqui a muitos anos ninguém se lembrará dos comentários, ninguém se lembrará dessa gente. Mas o Dinis vai lembrar-se do mais importante: dos treinos, dos amigos, dos sonhos, dos golos, das derrotas, das vitórias, da vida”.
Entre a violência dos comentários e a vida real de um jovem jogador, o escritor escolhe o que fica. Não a crueldade momentânea, mas o percurso, o treino e a possibilidade de crescer.
Um conselho direto para Dinis
No final da publicação, Pedro Chagas Freitas deixou uma mensagem pessoal ao filho de Katia Aveiro.
O escritor concluiu: “É isso o que importa. É isso o que fica. É isso o que somos, o que não podemos deixar de ser: o que temos de fazer questão de ser. Um grande abraço para ti, Dinis. Não ligues aos pacóvios. Sê feliz na minha Guimarães. É uma grande cidade. Que tenhas uma grande vida lá”.
Dinis Pereira começa agora uma nova fase no Vitória de Guimarães. Do outro lado, nas redes, ficam os comentários de quem confundiu opinião com crueldade.
Pedro Chagas Freitas respondeu-lhes com aquilo que faltou a muitos: decência.
Veja a publicação AQUI.

