Pizzi prepara carreira de treinador e revela o técnico que lhe deu “um alívio enorme” no Benfica, quando foi anunciado.
Pizzi deixou os relvados aos 36 anos, depois de uma carreira longa e marcada por passagens por clubes como Benfica, SC Braga, Atlético de Madrid, Espanyol, Deportivo, Estoril Praia e Paços de Ferreira.
As dores persistentes na anca ditaram o fim da etapa como jogador. Porém, o antigo médio já olha para o futebol a partir de outro lugar: o banco.
Atualmente, Luís Miguel Afonso Fernandes frequenta o curso de treinador UEFA B+A, ao lado de nomes como Pepe e José Fonte. No programa “DAZN Europa”, esteve à conversa com Sérgio Filipe Oliveira, Paulo Sérgio e Marinho, e falou sem rodeios sobre a nova fase.
Um treinador que quer adaptar-se ao contexto
Na conversa, Pizzi explicou que não se vê preso a um modelo único. O antigo jogador prefere uma visão mais flexível, capaz de se ajustar ao clube, ao plantel e às circunstâncias.
Por isso, quando foi desafiado a falar da sua ideia de jogo, afastou-se de uma comparação direta com Luis Enrique e olhou para outros exemplos.
Pizzi afirmou: “Não, vejo-me muito mais do que um Luis Enrique, obviamente que eu acho que tu tens que te moldar um bocado à situação onde estás, ao contexto onde estás. Mas se eu tivesse no Paris Saint-Germain, obviamente que seria a mesma forma de jogar ou muito parecida com aquela e estando se calhar no Arsenal também poderia ser, porque o Arsenal tem jogadores de muita qualidade e que podem fazer a diferença a qualquer momento. Mas lá está. Eu acho que podemos gostar mais ou menos do que é o futebol do Arsenal ou do Arteta, mas a verdade é que eles são muito, muito competentes naquilo que fazem e acho que têm vindo a demonstrar isso ao longo do tempo. Não é propriamente o futebol que eu gosto ou que adoro de ver, mas eles são muito competentes e fazem aquilo muito bem.”
Assim, a futura carreira de treinador parece nascer com uma ideia clara: mais do que impor uma fórmula, perceber primeiro onde está e quem tem à disposição.
Arteta, competência e uma ideia de jogo que não apaixona
O antigo médio reconhece mérito no trabalho de Mikel Arteta no Arsenal. Ainda assim, admite que o futebol praticado pelos ingleses não corresponde exatamente ao estilo que mais gosta de ver.
Essa leitura acaba por revelar uma das preocupações de Pizzi para o futuro. A qualidade individual dos jogadores, a adaptação ao contexto e a competência coletiva surgem como pontos centrais no seu pensamento.
Além disso, a forma como olha para o Arsenal mostra que Pizzi distingue gosto pessoal de eficácia competitiva. Pode não ser o futebol que mais o entusiasma, mas reconhece-lhe valor.
Jorge Jesus e Rui Vitória marcaram Pizzi de formas opostas
Um dos momentos mais fortes da entrevista surgiu quando Pizzi recordou dois treinadores que tiveram grande impacto no seu percurso no Benfica.
O antigo jogador descreveu Jorge Jesus e Rui Vitória como “dois treinadores completamente distintos”.
Sobre Jorge Jesus, falou de uma liderança mais intensa, marcada pela exigência e pela paixão. Segundo Pizzi, era um treinador “muito mais à base do grito e de uma paixão incrível”.
Ainda assim, noutras ocasiões, o antigo médio já tinha elogiado a capacidade tática de Jorge Jesus como “inacreditavelmente boa”.
Já Rui Vitória surge no discurso de Pizzi como uma figura diferente. Um treinador mais sereno, mais próximo e com outra forma de retirar rendimento dos jogadores.
O antigo médio descreveu-o como alguém “à base da calma, da tranquilidade, do saber falar contigo, do saber levar-te para onde ele quer te levar ou para tirar, lá está, como dizia o Marinho, o melhor de ti, o melhor rendimento de ti.”
A chegada de Rui Vitória foi recebida como um alívio
Pizzi foi particularmente claro ao recordar a saída de Jorge Jesus para o Sporting e a chegada de Rui Vitória ao Benfica.
Nesse momento, o antigo internacional português sentiu que podia abrir-se uma nova fase para si dentro do clube encarnado.
Pizzi confessou: “Eu acho que nesse aspeto do Vitória, quer no Paços e depois mais à frente no Benfica, foi sem dúvida muito importante para mim. Aliás, eu posso partilhar: quando o Mister Jorge Jesus sai para o Sporting e eu soube que era o Mister Rui Vitória que vinha para o Benfica, parece que foi um alívio enorme para mim, porque sabia que estava ali uma pessoa que iria, sem qualquer dúvida, apostar em mim e querer tirar o melhor de mim para eu crescer e evoluir enquanto jogador.”
A frase ajuda a perceber a importância emocional e profissional que Rui Vitória teve no percurso do médio. Não foi apenas uma troca de treinador. Foi também uma mudança de ambiente e de confiança.
Do relvado para o banco
Depois de terminar a carreira como jogador, Pizzi entra agora num território diferente. O curso UEFA B+A é o primeiro passo formal de uma nova caminhada no futebol.
A experiência acumulada em clubes portugueses e estrangeiros dá-lhe uma bagagem ampla. Além disso, as referências que guardou de treinadores tão distintos podem ajudar a construir uma identidade própria.
Ainda é cedo para saber que tipo de treinador será Pizzi. Contudo, pela forma como falou, há uma certeza: não quer copiar modelos de forma rígida.
O antigo jogador parece procurar um caminho mais moldável, atento ao contexto e à personalidade dos jogadores. Depois de anos a decidir dentro das quatro linhas, prepara-se agora para pensar o jogo a partir do banco.
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