Rodrigo Guedes de Carvalho critica jornalismo sensacionalista e aponta “comportamento de cínica hiena”, na sua crónica.
Rodrigo Guedes de Carvalho deixou duras críticas ao rumo seguido por uma parte da comunicação social portuguesa. Num artigo de opinião publicado no semanário ‘Expresso’, o jornalista analisou o tratamento dado às figuras mediáticas e a crescente banalização da informação.
Sem identificar diretamente qualquer canal ou publicação, o pivô da SIC mostrou-se incomodado com a abordagem sensacionalista adotada por alguns órgãos. A CMTV surge, nas entrelinhas do texto, como uma das possíveis destinatárias da reflexão.
Além disso, Rodrigo Guedes de Carvalho lamentou que parte do jornalismo se tenha aproximado do ambiente das redes sociais, onde predominam frequentemente o julgamento e o comentário depreciativo.
Férias de Cristina Ferreira servem de exemplo
Para sustentar a crítica, o jornalista utilizou as viagens de Cristina Ferreira como exemplo do escrutínio dirigido às personalidades conhecidas.
A apresentadora partilha regularmente nas redes sociais imagens dos destinos onde passa férias. Contudo, Rodrigo Guedes de Carvalho considera que cada pessoa é livre de acompanhar ou ignorar esses conteúdos.
O problema, na sua opinião, começa quando os órgãos de comunicação transformam essas publicações numa oportunidade para alimentar críticas e ressentimentos.
“Cristina Ferreira não é de perto nem longe a única estrela que vai de férias para paraísos e nos exibe, em forma de diário, como está tudo a ser tão maravilhoso. Consome quem quer. Só é pena o comportamento de cínica hiena de certa comunicação social. (…) Grande parte do jornalismo já se rendeu. E não tem problema em comportar-se como mais um aziado que comenta nas redes”, escreveu.
Desta forma, o pivô separou a exposição voluntária das figuras públicas da forma como determinados meios decidem explorar essa informação.
Rodrigo Guedes de Carvalho lamenta perda de critérios
Ao longo do artigo, Rodrigo Guedes de Carvalho manifestou também preocupação com a transformação do jornalismo num prolongamento das discussões das redes sociais.
Para o jornalista, uma parte do setor deixou-se arrastar por conteúdos que pouco acrescentam ao debate público. Ao mesmo tempo, considera que alguns profissionais passaram a adotar o mesmo tom de quem comenta movido por irritação ou ressentimento.
A crítica não se limita, por isso, à cobertura das férias de Cristina Ferreira. O exemplo serve de ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre os critérios editoriais atualmente utilizados.
Rodrigo Guedes de Carvalho mostrou-se especialmente desiludido com a aceitação crescente do sensacionalismo como resposta às dificuldades financeiras do setor.
“A minha enorme mágoa é ver quanto do jornalismo se deixa arrastar para as pocilgas”
Embora reconheça que o mercado dos media sofreu alterações, o jornalista não aceita que essa transformação justifique todas as opções editoriais.
Alguns órgãos assumem abertamente uma linha mais agressiva e sensacionalista. Outros, considerados mais rigorosos, justificam determinadas escolhas com a necessidade de conquistar audiências e garantir receitas.
Rodrigo Guedes de Carvalho rejeitou essa normalização.
“A minha enorme mágoa é ver quanto do jornalismo se deixa arrastar para as pocilgas. Alguns fazem-no mesmo a céu aberto. Outros, os mais sérios, argumentam que tem de ser, porque o mercado ‘mudou’”, afirmou.
Assim, o jornalista apontou o dedo a um setor que, na sua perspetiva, tem cedido aos conteúdos mais fáceis de consumir e partilhar.
Crítica surge sem destinatários identificados
Apesar do tom contundente, Rodrigo Guedes de Carvalho não mencionou diretamente os órgãos de comunicação visados.
Ainda assim, as referências ao tratamento dado às personalidades mediáticas e ao comentário televisivo permitem perceber o alcance da crítica. A CMTV aparece como uma possível destinatária, embora essa interpretação não seja confirmada pelo autor.
O texto publicado no ‘Expresso’ traduz, sobretudo, a preocupação do pivô com a perda de distância, rigor e responsabilidade dentro da profissão.
Para Rodrigo Guedes de Carvalho, a pressão das audiências e as mudanças no mercado não devem servir para transformar o jornalismo num espaço de hostilidade semelhante ao das redes sociais.
