Rúben Pacheco Correia recorda obesidade, bullying e transformação: “O bullying ajudou-me, acho que salvou a minha vida”, disse.
Rúben Pacheco Correia abriu a porta a uma parte marcante da sua história pessoal. Em conversa com a TV Guia, recordou a relação antiga com o peso, a ligação à comida, os episódios de bullying na escola e o processo que o levou a olhar para trás com outra consciência.
O testemunho passa pela infância, pela família e por um percurso em que a alimentação nunca surgiu apenas como problema. Pelo contrário, esteve também associada a afectos, memórias e momentos de partilha.
Uma relação com o peso desde o nascimento
Rúben Pacheco Correia não contornou o tema. Ao recordar a sua história, assumiu que o peso esteve presente desde muito cedo.
Logo no início da conversa, explicou: 𝗡𝗮𝘀𝗰𝗶 𝗰𝗼𝗺 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝗾𝘂𝗮𝘁𝗿𝗼 𝗾𝘂𝗶𝗹𝗼𝘀.
Ainda assim, a alimentação não aparece descrita como uma fuga. Para Rúben, comer estava ligado a prazer e a momentos felizes. Por isso, rejeitou a ideia de que a comida tenha sido apenas um refúgio emocional.
Como afirmou à TV Guia: 𝗡𝗮̃𝗼 𝗱𝗶𝗿𝗶𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝗿𝗮 𝗯𝗲𝗺 𝘂𝗺 𝗿𝗲𝗳𝘂́𝗴𝗶𝗼, 𝗲𝗿𝗮 𝘂𝗺𝗮 𝗮𝗹𝗲𝗴𝗿𝗶𝗮.
Além disso, o prazer à mesa foi alimentado por um ambiente familiar ligado à gastronomia. Crescer, naquele contexto, significava também conviver à volta da comida.
A influência da família e da bisavó Rosa
A memória familiar tem peso nesta história. Entre as recordações de infância, surge a bisavó Rosa, figura ligada a hábitos que ficaram na vida de Rúben Pacheco Correia.
Desse modo, a comida não aparece isolada de afectos. Surge como parte de um universo familiar, onde a mesa tinha presença e significado.
Contudo, esse percurso acabou por ganhar outra dimensão ao longo dos anos. Rúben Pacheco Correia recordou que o excesso de peso se manteve durante muito tempo e chegou a números extremos.
O próprio resumiu esse período com clareza: 𝗦𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗳𝘂𝗶 𝗴𝗼𝗿𝗱𝗼 𝗮𝘁𝗲́ 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗮𝗿 𝗮𝗼𝘀 𝟭𝟲𝟯 𝗾𝘂𝗶𝗹𝗼𝘀.
O bullying e o isolamento que abriu outro caminho
Entretanto, o peso trouxe também consequências difíceis. Em contexto escolar, Rúben Pacheco Correia viveu episódios de bullying. O impacto levou-o ao isolamento, mas esse recolhimento acabou por ter outro efeito.
Na conversa com a TV Guia, explicou: 𝗜𝘀𝗼𝗹𝗮𝘃𝗮, 𝗺𝗮𝘀 𝗳𝗼𝗶 𝘂𝗺 𝗶𝘀𝗼𝗹𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗯𝗼𝗺 𝗽𝗼𝗿𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗲𝗰𝗲𝗶 𝗮 𝗹𝗲𝗿 𝗲 𝗮 𝗲𝘀𝗰𝗿𝗲𝘃𝗲𝗿 (…) 𝗼 𝗯𝘂𝗹𝗹𝘆𝗶𝗻𝗴 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗼𝘂-𝗺𝗲, 𝗮𝗰𝗵𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗮𝗹𝘃𝗼𝘂 𝗮 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝘃𝗶𝗱𝗮.
Assim, aquilo que poderia ter ficado apenas como ferida acabou por se transformar num ponto de viragem. A leitura e a escrita surgiram nesse espaço de recolhimento, abrindo uma forma diferente de lidar com o que vivia.
O blazer que guarda a memória dos 163 quilos
Rúben Pacheco Correia falou ainda sobre a gravidade do quadro que viveu. Sem suavizar palavras, assumiu que chegou a ter obesidade mórbida.
A descrição foi directa: 𝗧𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗼𝗯𝗲𝘀𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗺𝗼́𝗿𝗯𝗶𝗱𝗮. 𝗖𝗹𝗮𝗿𝗼. 𝗢𝗯𝗲𝘀𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗴𝗿𝗮𝘂 𝘁𝗿𝗲̂𝘀. 𝗧𝗲𝗻𝗵𝗼 𝘂𝗺 𝗯𝗹𝗮𝘇𝗲𝗿 𝗲𝗺 𝗰𝗮𝘀𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗴𝘂𝗮𝗿𝗱𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝟭𝟲𝟯 𝗾𝘂𝗶𝗹𝗼𝘀 𝗲 𝘀𝗼́ 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗼 𝘃𝗶𝘀𝘁𝗼 𝗲́ 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗼𝗺𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘀𝗰𝗶𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗽𝗲𝗿𝗱𝗶.
Esse blazer tornou-se, por isso, uma espécie de prova material da mudança. Mais do que uma peça de roupa, guarda a memória de um corpo, de uma fase e de um caminho ultrapassado.
Entre a infância marcada pela comida, o bullying e a transformação pessoal, Rúben Pacheco Correia deixa um relato sem dramatismo excessivo. Ainda assim, o testemunho mostra como uma dor antiga pode ganhar outro sentido quando é olhada com distância, maturidade e verdade.
