Sanjoaninas: Despique Moura Jr. e Bastinhas e Tiago Pamplona a merecer mais oportunidades no continente

Sanjoaninas: Despique Moura Jr. e Bastinhas e Tiago Pamplona a merecer mais oportunidades no continente, marcou a primeira corrida do certame.

Sanjoaninas: Despique Moura Jr. e Bastinhas e Tiago Pamplona a merecer mais oportunidades no continente

Texto: Rui Lavrador
Fotografia: Paulo Gil

A Praça de Touros da Terceira, nos Açores, recebeu a primeira corrida das Sanjoaninas 2022, este sábado, 18 de Junho. Praça com 3/4 da sua lotação preenchida e um ambiente de grande afición e classe.

Tiago Pamplona, João Moura Jr., Marcos Bastinhas, Forcados Amadores de Montemor e Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense enfrentaram touros de João Gaspar.

Um curro de João Gaspar que deu excelente jogo aos cavaleiros, excepto o 4º. Touros muito bem apresentados, distintos de comportamento, a exigirem aos cavaleiros arte de toureio e aos quais não valia a pena trazer lide estudada de casa. Os dois grupos de forcados realizaram ambos uma boa prestação.

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Tiago Pamplona abriu as actuações com uma lide em que os dois compridos foram cravados à tira e com reuniões não muito cingidas. O primeiro curto resultou descaído, após uma boa brega e preparação da sorte. A actuação subiu de nível a partir do segundo curto. Sorte desenhada de frente, abrindo quarteio e cravando como mandam as regras. Tiago conseguiu a partir deste momento ter o público do seu lado e tributando-lhe sonoros aplausos, fruto da raça, brega e intensidade colocadas na sua lide, mostrando atributos que lhe deveriam conceder mais presenças nas praças continentais. Cavaleiro com qualidade, sentido de lide e concepcão clássica. Terminou com um palmito e com o público num alvoroço. Actuação positiva do cavaleiro Terceirense.

Bernardo Dentinho, por Montemor, concretizou a pega ao segundo intento. No primeiro, o touro fugiu ao grupo e acabou por derrotar o forcado. Na segunda tentativa, o grupo corrigiu e resolveu com competência e efectividade a pega, de forma segura.

João Moura Jr. teve por diante um touro distraído e por vezes desinteressado mesmo da lide. O cavaleiro teve de porfiar muito e sacar dos conhecimentos todos para levar a água ao moinho, entenda-se a lide a bom porto. Com uma brega com marca da casa Moura, as sortes foram bem desenhados, pecando apenas em algumas reuniões, não saindo tão ajustadas como desejável. O touro veio a menos e obrigou o cavaleiro a esforço extra para deixar o último ferro. Lide regular de Moura Jr., perante um touro complicado.

Francisco Matos, da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, concretizou a pega ao segundo intento, numa excelente execução. Já na primeira esteve muito bem, faltando apenas o grupo ter conseguido fechar.

Marcos Bastinhas está numa temporada verdadeiramente importante para a sua carreira. A mostrar-se lidador, a enfrentar os infortúnios com a tranquilidade de quem sabe que dará a volta, fruto de uma maturidade pessoal e profissional adquiridas. Iniciou a actuação recebendo o touro à porta dos curros, para depois dobrar-se com o oponente. A cravagem comprida resultou irregular, com o primeiro ferro a ficar descaído, o segundo a não ficar cravado e o terceiro, sim, a resultar bem. Nos curtos elevou o nível da lide com muita inteligência, primeiro apostando em sortes frontais e dando todas as vantagens ao touro, com dois excelentes ferros, quer no desenho da sorte, quer na reunião e, depois, apostando claramente nos cites em levada e desenho da sorte com a montada a avançar em círculo, até abrir quarteio de forma a permitir a reunião correcta com o touro. Lide de apoteose por parte do público Terceirense.

Francisco Borges, pelos Amadores de Montemor, concretizou a pega ao primeiro intento.

A segunda lide de Tiago Pamplona foi muito complicada, perante um touro que dificultou ao máximo a tarefa do ginete. Actuação em que o cavaleiro teve de suar muito para conseguir cumprir a função. Sem música, sem aplausos e um esforço enorme do cavaleiro, perante um astado que não lhe facilitou um palmo de terreno.

Luís Sousa, pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, concretizou a pega ao primeiro intento, perante um oponente que voltou a nada facilitar.

A segunda lide de João Moura Jr. foi de franca boa nota e com forte galvanização do público Terceirense. Uma actuação toda ela baseada numa brega de forte proximidade com o touro, enchendo-lhe a cara e levando-o a perseguir sempre a montada. Moura Jr. juntou depois sortes bem desenhadas à extraordinária brega que atrás referimos. Terminou com a cravagem de um ferro, desenhando a já afamada sorte ‘Mourina’. Público em sonoro e prolongado aplauso.

João Vacas de Carvalho, por Montemor, concretizou ao primeiro intento, numa boa execução.

Volta para forcado, cavaleiro e o cavalo Hostil, com o qual Moura Jr. brilhou na fase final da sua lide.

As lides equestres encerraram com uma actuação a cargo de Marcos Bastinhas. Uma lide toda ela em crescendo, a responder com classe, raça e ambição à anterior actuação de Moura Jr. Um despique e competição daquelas que fazem aficionados. Marcos destacou-se nos curtos, subindo aí a fasquia da sua actuação com sortes bem desenhadas e a cravar correctamente. Destaque ainda para um ferro cravado em sorte ‘Mourina’ e o já habitual par de bandarilhas.

Carlos Vieira, pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, concretizou a pega ao primeiro intento.

Volta para forcado, cavaleiro e o cavalo Lexus, com o qual Marcos terminou a sua lide.

Em resumo um despique entre Moura Jr. e Bastinhas na arena que agradou aos aficionados e uma lide de muito boa nota de Tiago Pamplona a pedir, e a merecer, mais oportunidades no continente. Na área dos forcados, dois grupos a responderem muito bem e um curro de touros que agradou bastante, excepto o 4º da ordem.

A corrida foi dirigida com acerto pelo director Mário Martins, assessorado pelo veterinário José Paulo Lima.

A corrida foi abrilhantada pela Banda Filarmónica da Feira Taurina de São João, que é constituída por músicos de várias filarmónicas locais.

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