Terça-feira, Setembro 28, 2021

Santarém: “Se Salgueiro Maia soubesse, voltava para trás”

Santarém: “Se Salgueiro Maia soubesse, voltava para trás”, um artigo de opinião por Francisco Potier Dias.

Por estes dias, precisamente na terra de onde o Eterno Capitão de Abril partiu no dito e apregoado 25 de Abril, assistimos a uma manobra de condicionamento e limitação da iniciativa privada e cultural de forma descarada, mas ao mesmo tempo, estrategicamente envolta em nevoeiro.

Este nevoeiro é provocado de parte a parte, da parte da DGS e da delegada de Saúde porque lhes convém não afirmar directamente a razão que as leva a pressionar e condicionar deste modo o acontecer do espectáculo.

Mas também do lado da empresa, pela qual tenho imensa estima e admiração, mas que genuinamente, após alguns desrespeitos pelas regras da DGS nos espectáculos do ano passado, que apesar de lhe serem completamente alheios e fora do seu controlo, são lhe indirectamente imputados na tal autoria moral, deveria ter procurado condicionar a DGS e a delegada de saúde antes de esta os condicionar, mas rapaziada o que tem de ser tem muita força, vamos a eles!

Introduzido por alto o tema que me leva a escrever-vos é tempo de perceber o bafio do nevoeiro da parte da DGS e da Delegada de saúde, desde logo importa perceber ou importaria, até que ponto a delegada de saúde teria a capacidade de condicionar a este ponto as decisões da empresa?

E implícita à primeira questão surge desde logo esta… quem é a delegada de saúde e com que competências ou a mando de quem pode impor medidas extraordinárias e não existentes nos espectáculos culturais que por este país se tem realizado?

Confesso que em momento algum me decorre dentro do censo comum e da legislação Portuguesa que atribuiu as competências dos delegados de saúde, mais concretamente o Artº 7 do decreto lei n82/2009 que estabelece o regime jurídico da designação, competência e funcionamento das entidades que exercem o poder de autoridades de saúde e que passo a transcrever abaixo, qualquer competência para tais atos, salvo se alguém de hierarquicamente superior lhe tenha conferido tais poderes.

Artigo 7º Autoridades de saúde de âmbito regional

1– A autoridade de saúde de âmbito regional, também designada por delegado de saúde regional, está sediada no departamento de saúde pública de cada administração regional de saúde.
2 – À autoridade de saúde de âmbito regional compete:
a) Coordenar e supervisionar o exercício de competências de autoridade de saúde na respectiva região;
b) Fazer cumprir as normas que tenham por objeto a defesa da saúde pública, requerendo, quando necessário, o apoio das autoridades administrativas e policiais;
c) Exercer a coordenação regional da vigilância epidemiológica, nos termos da legislação aplicável;
d) Levantar autos relativos às infracções e instruir os respectivos processos, solicitando, quando necessário, o concurso das autoridades administrativas e policiais, para o bom desempenho das suas funções;
e) Exercer os demais poderes que lhe sejam atribuídos por lei ou que lhe hajam sido superiormente delegados ou subdelegados pela autoridade de saúde nacional;
f) Prestar a colaboração que lhe seja solicitada pelos serviços da administração regional de saúde dentro da sua competência.
g) Fazer cumprir as normas do Regulamento Sanitário Internacional.-

Fica portanto patente que para além da questão de saúde pública, há aqui uma questão política, não explícita, mas existe, e existe porque efectivamente a tauromaquia perdeu força interventiva e de presença no centro das decisões, mas, acima de tudo força enquanto atividade cultural mobilizadora e abrangente, na medida em que, todos os ataques de que somos alvo não tem repercussões directas, seja políticas seja sociais.

A estratégia desta pseudo maioria passa por asfixiar a tauromaquia, indirectamente, procurando com isso matar sem ter consequências políticas, pois bem, só nos cabe a nós não o permitir, mas com estratégia e com fundamento e coerência, questões nem sempre são fáceis na tauromaquia..

Bem sei, que estas linhas vão causar desconforto e até levar a que possivelmente seja ofendido, mas, a realidade é que nós aficionados, deixamos que a tauromaquia perdesse espaço, nós aficionados fechados nos slogans do “amor à festa” fomos alimentando a mediocridade e o amadorismo na defesa e na representação da Tauromaquia, fomos aceitando que se agisse quase sempre em defesa e quase nunca em prevenção.

Nós aficionados, julgamos até há 3 anos para cá que a festa era intocável e que punha e dispunha quando assim lhe aprouvesse… estivemos enganados. E muitos continuam enganados, continuam a acreditar que qualquer cartel tem interesse, continuam a acreditar que é normal um bilhete  a meio de um setor em Portugal ser tão caro como uma barreira em Espanha, continuam a não se crer que é por dentro da Tauromaquia que ela se mata. E tudo isto meus senhores, desgasta e enfraquece Tauromaquia, mas não só. 

Está desde ontem marcado para dia 10 uma manifestação, legítima e preponderante de fronte à Celestino Graça, tem a maior importância marcarmos uma posição pública aproveitando a mobilização que já existia em torno da corrida e a emoção após o adiamento.

No entanto, no passado sábado o mundo rural saiu à rua, fomos a Lisboa dar a cara ao manifesto dizer presente, vi uma centena, se tanto, de figuras minimamente relevantes do meio tauromáquico, quase todas elas ligadas ao meio da forcadagem e a restante gente da tauromaquia ? Estava de folga? Estavam todos em pré-corrida? Temos que ser coerentes.

Mas coerentes em todas as nossas atitudes, não podemos fincar o pé publicamente e dizer tudo fazer pela nossa Tauromaquia e depois em cada concelho e freguesia manter o voto no PS, não gosto especialmente de misturar tauromaquia com política, mas, se há momento em que podemos marcar posição é já nestas eleições autárquicas.

Só há uma forma de ser ouvidos e de perceberem que a tauromaquia tem força e está mobilizada para responder aos ataques e essa forma é nas Urnas… Em setembro/outubro os aficionados irão ter hipóteses de nas suas terras marcar posição e este marcar de posição é simples é só não votar PS, o apoio à tauromaquia vem do PCP, PSD, CDS e do Chega, uns com muito mais capacidade, saber estar, respeitar e veicular a mensagem que outros.

Mas todos eles tem algo em comum assumem-se ao lado da tauromaquia e por isso há por onde escolher. E acreditem meus senhores, o setor tauromáquico se, se mobilizar pode marcar a diferença, sem gritos, sem alaridos, sem ajuntamentos, única e somente com o poder do voto e se não acreditarem, vejam o caso de Espanha, em que os ataques à tauromaquia foram um dos impulsos para a reviravolta política do país.

Vivemos e vamos continuar a viver dias exigentes na tauromaquia, dias em que nos será exigido sermos melhores, mais coesos, mais competentes, mais profissionais… dias em que o “amor à festa” já não vai ser suficiente, dias em que pouco importa quem é o mais lido, o mais influente ou até o mais subornável ou influenciável, dias em que ou defendemos todos tudo isto, ou vamos todos matar isto.

É tempo de tornar a credibilizar a tauromaquia, tempo de afirmar as figuras como figuras e os que não credibilizam e enfraquecem a festa como isso mesmo, é tempo de tratar por igual quem é igual e diferente quem é diferente, começando desde logo, por ex com a imprensa, mas isso são outros quinhentos que a seu tempo abordaremos aqui.

Contem comigo, enquanto aficionado, enquanto fotojornalista, enquanto jurista e enquanto Português para dar sempre o que puder pela Tauromaquia, umas vezes com retribuição pelo trabalho, outras, a sua maioria, apenas pelo gosto e Aficion, mas sempre com o máximo de profissionalismo e rigores possíveis.

Mas não esperem, em momento algum, que vá pelos caminhos que julgar errados, não esperem que fique calado a apreciar pseudo-qualquer coisa desdenhar e pela crítica infundada e ressabiada desgastar ainda mais a Tauromaquia e o que a circunda só para manter o seu interesse instalado, não estou cá para isso.

Termino, apelando a todos a presença dia 10 em Santarém cumprindo ao máximo as regras de distanciamento e segurança, mas também, a Coragem de em cada cidade, em cada vila, em cada aldeia, dizer presente nas praças e nos meios e decisões políticas e ajudar a marcar verdadeiramente uma posição.

Pela  Tauromaquia, Sempre!

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