Sofia Silva & Code: “Não queremos sentir que temos de deixar os Açores para trás para conseguir crescer”

Os Sofia Silva & Code já ficaram de fora de programas de televisão porque as despesas de deslocação não estavam asseguradas. A dificuldade ilustra um dos desafios de construir uma carreira a partir dos Açores, tema central da entrevista ao Infocul.pt by ARDglobal. Entre as primeiras canções e a vontade de chegar a novos públicos, o grupo procura crescer sem perder a ligação à terra.

Sofia Silva nasceu na Ribeira Grande e chegou ao The Voice Portugal em 2023, com 17 anos. Integrou a equipa de Sónia Tavares depois de virar as quatro cadeiras, numa altura em que nunca tinha frequentado aulas de canto. Hoje, dá voz e escreve para um projeto que reúne Félix Medeiros, Hugo Medeiros e Amadeu Medeiros.

“Lua”, “Fases” e “Outra Vez” são os temas já disponíveis nas plataformas digitais. A passagem de “Fases” pela banda sonora da novela “Amor à Prova”, da TVI, trouxe novos ouvintes e surpreendeu a própria autora. Mas o percurso também se faz longe da televisão, entre concertos, ensaios e uma organização exigente: Sofia estuda no Porto, enquanto os restantes músicos vivem em São Miguel.

O mar da Ribeira Grande e a vontade de chegar mais longe

Para explicar quem é, Sofia começa por um lugar. Escolhe o Miradouro de Santa Iria, na Ribeira Grande, onde encontra uma forma de relativizar as preocupações e recuperar tranquilidade.

“Levava-vos ao Miradouro de Santa Iria, na Ribeira Grande. É um dos meus lugares favoritos, porque posso estar ali a olhar para o mar e a ver o pôr do sol, duas das coisas de que mais gosto. Há qualquer coisa que me acalma quando estou rodeada de algo muito mais poderoso do que eu. O mar tem essa capacidade de me fazer sentir pequenina, no melhor sentido da palavra. Por momentos, aquilo que me preocupa deixa de parecer tão grande e consigo simplesmente estar ali, presente. Ao mesmo tempo, estar perto do mar faz-me sentir viva. Costumo dizer que a minha casa é o mar, porque, independentemente do que esteja a acontecer na minha vida, há uma familiaridade naquela paisagem que me faz sentir que estou onde pertenço”, conta ao Infocul.pt by ARDglobal.

- Publicidade -

A ligação aos Açores acompanha a ambição musical. Sofia quer conhecer outros palcos, mas reconhece na família, nos lugares e nas memórias uma parte essencial da sua identidade.

“Acho que, para perceberem quem sou, também tinham de perceber de onde venho. Crescer nos Açores faz parte da minha identidade, da forma como olho para as pessoas e para as coisas que me acontecem. Há uma ligação muito própria aos lugares, à família e às memórias. O mar faz parte de tudo isso e, de certa forma, também da maneira como vejo a vida. Tenho muitos sonhos e quero chegar longe com a música, mas há coisas simples às quais sei que vou querer voltar sempre. Não diria que existe um único sítio que explique a Sofia toda, mas há lugares que nos devolvem a uma versão nossa mais simples, antes de tudo aquilo que vamos construindo. E acho que é importante, no meio da música e de tudo o que possa acontecer, continuar a reconhecer essa pessoa. Para mim, o Miradouro de Santa Iria representa um bocadinho disso.”

Antes dos palcos, havia Adele e concertos para os bonecos

A música já fazia parte da vida familiar. O pai era baterista e, em criança, Sofia encontrava nos bonecos uma plateia para os seus primeiros concertos.

“Em minha casa ouvia-se um pouco de tudo. A música estava sempre presente, desde que me lembro de mim, até porque o meu pai era baterista, mas eu tinha uma obsessão muito particular pela Adele. Há vídeos meus em pequena a cantar para os meus bonecos, como se estivesse a dar concertos para eles.”

A vontade de cantar convivia, porém, com a vergonha de ser ouvida. Antes de se tornar uma escolha profissional, a música era um espaço que Sofia reservava para si.

“Acho graça a isso porque, enquanto tinha essa vontade enorme de cantar, era uma miúda muito envergonhada. A música era um mundo meu, onde podia fazer aquilo que me apetecia sem ter de mostrar a ninguém. Olhando para trás, é curioso perceber que aquela miúda que cantava para os bonecos acabou por escolher fazer da música uma parte tão importante da sua vida.”

Entre essas memórias, há uma canção que continua a transportá-la à infância: “Fireflies”, dos Owl City.

“Se tiver de escolher uma música que me leva de volta à infância, é Fireflies, dos Owl City. Ouvia-a sem parar e adorava o videoclipe. Tenho uma memória muito especial dessa música, não só por a ouvir tantas vezes, mas também por toda a magia que sentia quando via o vídeoclipe. Acho engraçado como certas canções ficam ligadas a fases muito específicas da nossa vida. Às vezes, basta ouvir os primeiros segundos para voltarmos imediatamente a uma altura em que nem pensávamos no futuro ou em tudo aquilo que viríamos a ser. Para mim, Fireflies tem um bocadinho dessa magia.”

Quatro cadeiras viradas no The Voice e uma aprendizagem que estava a começar

A entrada no The Voice Portugal mudou a dimensão dessa relação com a música. Aos 17 anos, Sofia passou de cantar em privado para ser ouvida num concurso nacional.

“Antes do The Voice, cantar era uma coisa que guardava só para mim. Eu nem cantava para os meus pais, de tanta vergonha que tinha. Gostava de cantar, mas fazia-o em privado. Não me imaginava a subir a um palco e muito menos a expor-me daquela maneira. Por isso, quando virei as quatro cadeiras, aos 17 anos, foi um choque enorme, no bom sentido. Nunca tinha tido uma aula de canto, não tinha formação musical e, de repente, estava a entrar num contexto completamente novo, rodeada de pessoas que trabalhavam com música de uma forma muito mais profissional do que aquela a que estava habituada.”

O programa permitiu-lhe começar a conhecer a voz com acompanhamento profissional. Nesse processo, destaca o trabalho de Tó Cruz.

“Foi aí que começou verdadeiramente a minha aprendizagem. Guardo um carinho especial pelo Tó Cruz, que foi o meu vocal coach no programa, porque foi uma das pessoas que me ajudou a dar os primeiros passos nesse sentido. Aprendi muito sobre a voz, sobre a forma de a trabalhar e de a conhecer. Até aí, cantar era algo muito intuitivo para mim: gostava de o fazer e fazia-o à minha maneira. No programa, comecei a perceber que havia muito mais para descobrir e que ter vontade e gostar de cantar eram apenas o início. Foi uma experiência que me fez crescer muito, não só enquanto cantora, mas também na confiança que tinha em mim e naquilo que era capaz de fazer.”

A visibilidade não eliminou imediatamente a timidez. O regresso ao quotidiano obrigou-a também a ajustar expectativas e a compreender o trabalho necessário depois da televisão.

“Ao mesmo tempo, participar no programa não significou que, de um dia para o outro, deixasse de ser aquela miúda envergonhada. A exposição foi uma mudança enorme, mas continuei a ter muito para aprender e a descobrir qual era o meu lugar na música. Quando regressei ao quotidiano, percebi que a experiência tinha aberto uma porta, mas que isso não significava que o caminho estivesse feito. Acho que, aos 17 anos, é natural criar expectativas e imaginar que as coisas vão acontecer rapidamente, sobretudo depois de uma experiência tão marcante. Tive de perceber que construir uma carreira exige tempo, trabalho, consistência e muita paciência.”

Sofia mantém o reconhecimento pela oportunidade, embora tenha aprendido a olhar para aquela participação como um começo.

“Hoje, olho para o The Voice com muito carinho, porque foi o ponto de partida para uma parte da minha vida que, até então, nem imaginava ser possível. Deu-me a oportunidade de aprender com pessoas experientes, de contactar com a música de uma forma mais séria e de começar a acreditar que podia fazer disto muito mais do que uma paixão privada. Mas também me ensinou que virar quatro cadeiras é apenas um momento. O que fazemos depois dele é que acaba por definir o caminho que queremos construir.”

A liberdade que aprendeu com Sónia Tavares

Da passagem pela equipa de Sónia Tavares, guarda o incentivo para experimentar sem procurar corresponder a uma imagem pré-definida.

“A Sónia é uma pessoa muito fora da caixa e acho que isso teve um impacto especial numa altura em que eu ainda estava a descobrir o que era ser artista. Ela incentivava-nos a fazer aquilo que nos passava pela cabeça, a experimentar e a não ficar presos à ideia de que havia uma única maneira certa de fazer as coisas. O conselho que guardo é muito essa liberdade: confiar naquilo que nos sai naturalmente, em vez de tentarmos encaixar numa imagem que achamos que esperam de nós. Na altura, talvez não percebesse completamente o valor disso, porque ainda tinha muita vergonha e pouca experiência.”

Um concerto num bar esteve na origem do encontro com os Code

A formação da banda aconteceu quando os seus elementos atravessavam momentos diferentes. Sofia procurava espaço para apresentar originais; Félix, Hugo e Amadeu tinham encerrado um projeto anterior.

“O projeto começou a ganhar forma a partir da música e da vontade de construirmos algo em conjunto. Quando nos conhecemos, os Code tinham terminado recentemente o projeto anterior e eu estava a tocar em bares e hotéis, mas tinha muita vontade de começar a apresentar as minhas próprias letras e músicas.”

A necessidade de encontrar um guitarrista para uma atuação levou Sofia a contactar Félix. A colaboração acabou por ganhar continuidade.

“Entretanto, surgiu a necessidade de encontrar um guitarrista para uma atuação num bar e entrei em contacto com o Félix. A partir daí, começámos a tocar juntos e a perceber que havia uma ligação não só musical, mas também na forma como víamos a música. Fomos juntando as minhas letras e melodias à experiência e às ideias deles, experimentando diferentes caminhos até percebermos que podíamos construir algo com uma identidade própria. Eu trazia as letras e a minha forma de sentir as canções, e eles ajudavam-me a dar-lhes outra dimensão.”

O nome da banda conserva uma ligação à história dos três músicos.

“Os The Code eram a banda anterior do Félix, do Hugo e do Amadeu. Esse projeto acabou, mas, quando nos conhecemos e começámos a construir esta nova fase comigo, eles quiseram manter um pouco dessa identidade que era deles e da história que já tinham vivido juntos. Foi assim que o nome ‘Code’ continuou presente.”

A experiência dos músicos também foi posta à prova

Félix Medeiros rejeita a ideia de que os percursos anteriores trouxessem todas as respostas. O encontro com Sofia voltou a abrir possibilidades para o futuro.

“A verdade é que a palavra ‘certeza’ nunca encaixou muito bem nos nossos percursos musicais. A música é uma área em que nem sempre sabemos qual é o caminho certo, o que devemos fazer a seguir ou onde nos pode levar aquilo que estamos a construir”, afirma ao Infocul.pt by ARDglobal.

A ambição de dedicar cada vez mais espaço à música ganhou outra força com a nova formação.

“O projeto Sofia Silva & Code veio, de certa forma, desafiar a maneira como olhávamos para o nosso futuro na música. Fez-nos voltar a considerar a possibilidade de profissionalizar cada vez mais aquilo que fazemos e de dar o salto que, até agora, ainda não conseguimos dar. Não significa que tenhamos passado a ter certezas sobre o que aí vem, mas começámos a olhar para algumas possibilidades de uma forma mais concreta.”

“Talvez a maior mudança tenha sido essa: perceber que a incerteza não tem de ser necessariamente um obstáculo. Também pode ser motivação para arriscar, experimentar e construir algo que antes parecia mais distante. Hoje, olhamos para o futuro com ambição e com a vontade de perceber até onde este projeto nos pode levar”, acrescenta Félix.

Sofia reconhece na experiência dos colegas um apoio para decidir, sem sentir que o seu percurso é determinado por eles.

“Acho que a experiência deles me ajuda sobretudo nesta fase em que ainda estou a descobrir o meu caminho enquanto artista. Eles já passaram por situações que eu estou a viver pela primeira vez e conseguem dar-me outras perspetivas, partilhar aquilo que aprenderam e ajudar-me a pensar nas decisões que tenho pela frente. Mas nunca senti que isso significasse escolherem por mim ou dizerem-me o que devo fazer. Acho que me dão ferramentas para tomar as minhas próprias decisões, com mais conhecimento e confiança, e isso é importante numa fase em que ainda estou a perceber que artista quero ser e onde quero chegar.”

Uma discordância em estúdio tornou-se um dos momentos fortes dos concertos

As diferenças de idade e de referências também se fazem ouvir no trabalho da banda. Félix considera que o desacordo pode contribuir para melhorar as músicas.

“Discordâncias musicais fazem parte do nosso dia a dia, tanto entre nós os Code, como na dinâmica com a Sofia. Uma banda acaba por ser um pouco como uma família: cada pessoa tem as suas opiniões, referências e formas de trabalhar. Nem sempre estamos de acordo à primeira, mas acreditamos que essa diferença também é importante para o resultado final.”

A chegada de outras influências obriga os músicos a reconsiderar hábitos e preferências.

“O facto de a Sofia ser mais nova e trazer referências musicais diferentes das nossas faz-nos, muitas vezes, sair da nossa zona de conforto. Nem sempre é imediato identificarmo-nos com uma ideia, sobretudo quando nos leva para um caminho diferente daquele a que estamos habituados, mas é precisamente aí que podemos descobrir coisas novas.”

Félix recorda uma experiência concreta, em que a resistência inicial deu lugar a uma escolha valorizada pelo público.

“Um exemplo concreto aconteceu com a reinterpretação de uma canção antiga de ‘Os Bravos’. A Sofia queria dar uma nova abordagem ao tema, mas não era propriamente o nosso estilo e, inicialmente, não tínhamos grande vontade de o trabalhar. Ainda assim, decidimos experimentar em estúdio, sem grandes certezas sobre o resultado. Acabou por se transformar numa das canções que mais se destaca nos nossos concertos precisamente pela diferença e pela reação positiva do público.”

O episódio reforçou a disponibilidade para testar uma ideia antes de a afastar.

“Essa experiência mostrou-nos que, por vezes, vale a pena não rejeitar uma ideia só porque não corresponde àquilo que conhecemos ou fazemos habitualmente. Não se trata de alguém ter razão e os outros não, mas de estarmos disponíveis para ouvir, experimentar e encontrar um caminho em conjunto. Muitas vezes, é desse confronto de perspetivas que nasce algo que nenhum de nós teria construído sozinho.”

“Lua” foi a primeira experiência de escrita e gravação

A estreia de Sofia na composição chegou com “Lua”. A canção nasceu de apontamentos pessoais que ainda não tinham uma forma musical definida.

“‘Lua’ foi a primeira canção que escrevi e também a primeira que partilhei com o público, por isso tem um significado muito especial para mim”, explica a cantora.

“Na altura, tinha algumas frases, pensamentos e ideias que ia escrevendo, mas nunca tinha imaginado que pudessem vir a transformar-se numa música. Eram coisas muito minhas, que ainda não sabia bem como organizar ou como expressar através de uma canção.”

O trabalho em conjunto permitiu desenvolver a ideia sem a afastar muito da proposta inicial. A composição e a gravação avançaram lado a lado.

“Em termos de estrutura e composição, a ‘Lua’ não sofreu grandes alterações em relação à minha ideia inicial. Fomos trabalhando juntos, construindo a melodia e percebendo como é que aquelas palavras podiam ganhar vida. Foi um processo bastante orgânico, em que a canção foi ganhando forma à medida que a trabalhávamos e gravávamos em estúdio. A composição e a gravação acabaram por acontecer praticamente em simultâneo, o que nos permitiu experimentar e ajustar diferentes elementos ao longo do processo.”

Para Sofia, essa primeira canção ajudou também a descobrir a sua maneira de escrever.

“Foi, sem duvida, um processo de descoberta, porque eu ainda estava a perceber como queria escrever, que temas queria abordar e como podia transformar aquilo que sentia em música.”

O tema centra-se na dificuldade de reconhecer em nós o valor que identificamos nos outros.

“A ‘Lua’ fala de autoestima, autoconfiança e amor-próprio, mas, acima de tudo, fala da importância de reconhecermos o nosso valor. Acho que, muitas vezes, somos capazes de ver nos outros qualidades que temos dificuldade em reconhecer em nós próprios, e a canção acaba por tocar precisamente nesse lado mais delicado.”

“Fases” ganhou outro significado na novela “Amor à Prova”

A segunda canção partiu de uma expressão quotidiana. Sofia quis explorar o que pode ficar por dizer quando se reduz uma dificuldade a algo passageiro.

“‘Fases’ nasceu de uma expressão que todos conhecemos: ‘é só uma fase, já passa’. Muitas vezes, usamos esta frase para desvalorizar aquilo que nos incomoda, como se dar-lhe esse nome fosse suficiente para tornar tudo mais fácil. Mas nem tudo passa só porque tentamos relativizar o que sentimos. A canção parte dessa ideia e da forma como, por vezes, tentamos convencer-nos de que aquilo que estamos a viver é passageiro, sem dar verdadeiramente espaço às nossas emoções.”

A utilização na novela “Amor à Prova”, da TVI, associou essas palavras a uma história que Sofia não tinha imaginado quando escreveu.

“Sendo a minha segunda música lançada, ‘Fases’ já tinha um lugar especial no meu percurso, mas ganhou uma dimensão completamente diferente quando foi utilizada na novela ‘Amor à Prova’. A história em que aparece envolve um menino com cancro e acompanha um momento particularmente delicado. Ver a minha música integrada naquelas cenas fez-me olhar para a letra de outra forma. Uma expressão que usamos tão facilmente no dia a dia ganhava ali um peso diferente, perante uma situação em que não é possível simplesmente dizer que tudo passa e seguir em frente.”

A experiência levou-a a perceber como uma canção pode ganhar sentidos que escapam à intenção inicial de quem a compõe.

“Foi uma experiência que me marcou porque me fez perceber que, enquanto compositora, nem sempre consigo antecipar o significado que uma música pode adquirir. Escrevi ‘Fases’ a partir de uma reflexão minha, mas, naquele contexto, a canção passou a acompanhar uma história de sofrimento e de vulnerabilidade muito diferente da que tinha imaginado. Foi emocionante perceber que aquelas palavras podiam fazer sentido num momento tão sensível e que a música podia contribuir para a forma como o público vivia aquela história.”

A presença na ficção também permitiu chegar a pessoas que ainda não conheciam o projeto.

“Houve também uma importância muito grande no facto de isto ter acontecido tão cedo no meu percurso. Por ser apenas a minha segunda música, ainda estava a dar os primeiros passos na construção de um público e a tentar fazer chegar o meu trabalho a mais pessoas. A novela permitiu que ‘Fases’ chegasse a espectadores que talvez nunca tivessem descoberto a minha música através das redes sociais ou das plataformas digitais. Além disso, ao ficar associada a uma história com tanta carga emocional, a canção teve a oportunidade de ser ouvida num contexto em que a letra ganhava especial relevância.”

Esse alcance permanece como uma referência importante nos primeiros passos da banda.

“Para mim, foi mais do que ver uma música minha na televisão. Foi perceber que aquilo que estava a começar a construir podia ter um alcance que ainda não conhecia e que as minhas canções podiam encontrar o seu lugar em histórias muito diferentes das minhas. Guardo essa experiência como um momento importante do início do meu percurso, tanto pela exposição que trouxe ao projeto como pela nova perspetiva que me deu sobre o impacto que uma canção pode ter.”

“Outra Vez” aborda a dificuldade de sair de uma relação desigual

Em “Outra Vez”, Sofia escreve sobre a repetição de situações que reconhecemos como prejudiciais, mas das quais nem sempre conseguimos afastar-nos.

“Para mim, ‘Outra Vez’ fala desse ciclo em que, por vezes, voltamos a cair na mesma situação, mesmo quando uma parte de nós já sabe que talvez não nos faça bem. Às vezes, não sabemos dizer que não; outras vezes, até queremos dizer, percebemos o que está a acontecer, mas há qualquer coisa que nos faz ficar ou voltar. O título vem precisamente dessa repetição, de nos encontrarmos novamente numa situação que, de alguma forma, já conhecemos.”

A reflexão inclui a necessidade de aprender sem transformar cada erro numa condenação pessoal.

“Acho que também é importante aceitarmos que nem sempre aprendemos à primeira. Há erros que temos de cometer e situações em que precisamos de bater com a cabeça para perceber o que não queremos repetir. Isso não significa que tenhamos de nos culpar por tudo, mas que podemos reconhecer os nossos padrões e aprender com eles.”

Há um verso que, para a autora, concentra o desequilíbrio retratado na canção.

“Há uma frase de que gosto particularmente: ‘outra vez eu a perder no jogo, onde tu ris e eu ardo em fogo’. Acho que é um dos pormenores que melhor explica a história da canção, porque existe aqui um lado quase satírico na forma como a relação é retratada. A relação transforma-se num jogo em que uma pessoa parece estar a divertir-se, enquanto a outra fica a lidar com as consequências. Há quem esteja a rir e há quem esteja a arder em fogo, e esse contraste traduz bem o desequilíbrio entre os dois.”

O título traduz precisamente essa consciência de regressar a um lugar conhecido.

“No fundo, ‘Outra Vez’ fala de reconhecermos que estamos a repetir uma história, mesmo quando ainda não conseguimos sair dela. O título acaba por resumir essa frustração de perceber que estamos novamente no mesmo lugar, a viver algo que, no fundo, já sabemos como nos faz sentir.”

Escrever com verdade sem revelar toda a vida

Embora as canções trabalhem emoções próximas, Sofia não quer que cada verso seja interpretado como um episódio autobiográfico. A escrita também nasce da observação e da imaginação.

“Não, nunca hesitei em mostrar uma letra por sentir que me estava a expor demasiado. Acho que, quando escrevo, não estou necessariamente a tentar contar uma história de forma literal; estou a tentar dar forma a uma emoção, a um pensamento ou a algo que me desperta curiosidade. Há músicas que nascem de experiências minhas claro, e outras de coisas que observo à minha volta. Nem tudo o que escrevo aconteceu comigo, nem todas as letras me representam por inteiro. Às vezes, posso identificar-me com um sentimento sem ter vivido exatamente a situação que descrevo.”

Por vezes, só compreende inteiramente uma emoção quando começa a trabalhar sobre ela.

“Há emoções que só consigo compreender verdadeiramente quando começo a escrever sobre elas. Posso partir de uma ideia muito simples, de uma frase que me ficou na cabeça ou de uma situação que me fez pensar e descobrir, durante o processo, que afinal há muito mais ali para dizer. Nem sempre sei exatamente onde quero chegar quando começo uma canção, e gosto dessa liberdade de ir descobrindo a história enquanto a escrevo.”

“Às vezes, a realidade mistura-se com a imaginação, uma experiência inspira outra e aquilo que inicialmente era uma ideia acaba por transformar-se numa história completamente diferente”, acrescenta.

Ao decidir o que partilha, a cantora concentra-se no que pretende transmitir, preservando a liberdade de guardar detalhes pessoais.

“Quando decido partilhar uma letra, não penso tanto no que estou a revelar sobre mim, mas naquilo que quero transmitir com ela. Acho que a diferença está em perceber que posso ser honesta naquilo que escrevo sem ter de contar tudo sobre mim. Uma canção pode ter uma carga emocional muito pessoal sem revelar necessariamente toda a história que lhe deu origem.”

“Há coisas que posso preferir guardar para mim, não por vergonha ou por receio de que alguém se identifique com elas, mas porque acredito que posso partilhar uma emoção sem ter de partilhar todos os detalhes da minha vida.”

A preocupação com interpretações demasiado literais também não deve, no seu entender, limitar os temas que escolhe.

“Também não quero começar a filtrar as minhas ideias por receio de que alguém interprete cada palavra como um relato literal da minha vida. Acho que isso retiraria muita espontaneidade à escrita e impedir-me-ia de explorar temas sobre os quais também tenho vontade de falar, mesmo que não os tenha vivido na primeira pessoa. Para mim, o mais importante é sentir que a canção transmite aquilo que quero dizer e que existe verdade naquilo que escrevo,”

Sofia compreende a curiosidade de quem ouve, mas prefere deixar espaço para leituras diferentes.

“Ao mesmo tempo, acho interessante que as pessoas tenham curiosidade em perceber de onde vêm as canções, porque é natural procurarmos uma ligação entre quem escreve e aquilo que canta. Mas gosto de deixar algum espaço para a interpretação, sem sentir que tenho de explicar cada verso ou de dar ao público todas as peças da história. Uma música pode nascer de uma situação muito específica e, ainda assim, fazer sentido para alguém que viveu algo completamente diferente.”

É nessa possibilidade de reconhecimento que encontra uma das principais razões para escrever.

“No final, o mais importante para mim é alguém ouvir uma canção minha e sentir que descreve algo que nunca conseguiu explicar por palavras, porque aí sei que a música já ganhou um significado que vai muito além daquele com que começou. E acho que é isso que mais gosto na música, poder partilhar algo sem que tenha de existir uma única forma de o interpretar.”

A distância já impediu presenças em programas de televisão

Fazer chegar essas músicas a novos ouvintes implica ultrapassar obstáculos concretos. Para uma banda açoriana, cada deslocação ao continente representa um esforço financeiro e logístico.

“Construir uma carreira a partir dos Açores tem dificuldades muito próprias. A distância é uma delas, porque qualquer oportunidade no continente implica viagens, despesas e uma logística muito maior, sobretudo quando somos vários elementos. Já recebemos, por exemplo, convites para participar em programas de televisão aos quais não conseguimos ir porque as despesas de deslocação não eram asseguradas. São oportunidades que gostaríamos de aproveitar, mas que nem sempre estão ao nosso alcance, e isso acaba por condicionar o nosso crescimento.”

A dimensão do mercado regional também coloca questões sobre o passo seguinte. Sofia reconhece a importância dos palcos açorianos, mas sente necessidade de encontrar outras oportunidades.

“Depois, há também a questão das oportunidades que existem cá. Nos Açores, o mercado é naturalmente mais pequeno e, por muito que trabalhemos para crescer, chega uma altura em que sentimos que precisamos de sair da ilha para dar o próximo passo. Para nós, tocar no Coliseu Micaelense é chegar a um dos palcos mais importantes que podemos ambicionar no nosso arquipélago, se não o mais importante. É um objetivo muito especial, mas também nos faz pensar no que vem a seguir. Depois de chegarmos a esse patamar, nem sempre é fácil perceber quais são as próximas oportunidades que nos permitem continuar a crescer sem termos de procurar outro lugar. Não é uma questão de deixarmos de acreditar no que se faz cá, mas de sentirmos que precisamos de mais espaços, mais possibilidades e mais caminhos para chegar a outros públicos.”

A resposta do público varia dentro do próprio arquipélago. A banda já encontrou noutras ilhas um acolhimento que gostaria de sentir com maior expressão em São Miguel.

“Também é curioso porque, por vezes, sentimos que somos mais valorizados noutras ilhas do que na nossa própria. Já tivemos experiências em que sentimos um carinho e uma recetividade enormes fora de São Miguel, e isso faz-nos perceber que existe público interessado naquilo que fazemos. São experiências muito importantes, porque nos dão motivação e confiança para continuar. Ao mesmo tempo, fazem-nos desejar que essa mesma curiosidade e vontade de acompanhar o nosso percurso também cresçam na nossa ilha. O público micaelense é um público um pouco enigmático. Sente-se que existe apoio, mas parece haver um limite até onde esse apoio vai, e nem sempre é fácil perceber o que é preciso para dar o passo seguinte e conquistar verdadeiramente as pessoas.”

Sofia faz questão de reconhecer quem acompanha o projeto desde o início. A dificuldade que identifica prende-se sobretudo com as condições de crescimento.

“Não vejo isto como uma falta de interesse das pessoas, há pessoas que nos apoiam desde o início e que têm sido essenciais no nosso caminho. Acho que tem mais a ver com a dimensão do meio em que estamos inseridos, com as oportunidades disponíveis e com a dificuldade que um projeto tem em crescer quando o mercado à sua volta é limitado. Às vezes, precisamos de chegar a outros públicos para criar uma dinâmica que depois também se reflete na forma como o nosso trabalho é recebido em casa.”

Chegar a outros públicos sem deixar os Açores para trás

A origem açoriana faz parte do projeto, embora os músicos não queiram que seja o único elemento pelo qual são reconhecidos.

“Apesar de tudo, há coisas de viver nos Açores que queremos preservar. Existe uma ligação aos lugares onde crescemos e à nossa própria história que faz parte de quem somos. Não queremos que a nossa música seja definida apenas pela nossa origem, porque queremos chegar a pessoas de todo o país e falar de experiências com as quais qualquer pessoa se possa identificar. Mas também não queremos sentir que temos de deixar os Açores para trás para conseguir crescer.”

A ambição passa por encontrar condições para circular, mantendo as ilhas como casa.

“No fundo, o que gostaríamos era de conseguir construir uma carreira a partir daqui, sabendo que temos espaço para continuar a evoluir, mas também de ter condições para levar a nossa música para fora. Queremos que os Açores continuem a ser a nossa casa e uma parte importante do nosso percurso, sem que isso signifique termos menos oportunidades. O nosso objetivo não é escolher entre crescer cá ou crescer lá fora; é conseguir crescer lá fora e continuar a sentir que também há espaço para nós cá dentro.”

Entre os estudos no Porto, o negócio de família e os ensaios

A atividade da banda exige um trabalho que ultrapassa as atuações. Gravar, divulgar e organizar concertos são tarefas que os próprios músicos têm de assegurar.

“Sustentar uma banda exige muito mais do que aquilo que as pessoas veem em cima de um palco. Há todo um trabalho por trás de cada concerto, desde os ensaios e a preparação musical até às gravações, à divulgação, à organização e às despesas que vão surgindo. E, como ainda estamos a construir o nosso percurso, há muitas coisas que temos de gerir com os recursos que temos e, muitas vezes, fazer nós próprios.”

A distância existe também dentro do grupo. Sofia estuda no Porto, enquanto Félix, Hugo e Amadeu conciliam a música com o negócio de família em São Miguel.

“No nosso caso, conciliar tudo é um desafio ainda maior porque temos vidas bastante diferentes. Eu estou a estudar no Porto, enquanto os rapazes estão em São Miguel e têm também o negócio de família. Isso significa que não estamos todos no mesmo sítio no dia a dia, nem temos sempre a disponibilidade que gostaríamos de ter para nos dedicarmos à banda. É preciso conciliar os meus estudos, as responsabilidades deles, os compromissos pessoais e, ao mesmo tempo, encontrar espaço para continuar a desenvolver o projeto. A distância obriga-nos a planear melhor as coisas e faz com que os momentos em que conseguimos estar juntos para trabalhar na música sejam ainda mais importantes.”

Quando conseguem reunir-se, o tempo é dedicado a um trabalho pormenorizado sobre os temas e a apresentação ao vivo.

“E, quando nos juntamos para ensaiar, não é simplesmente tocar as músicas uma ou duas vezes e ir embora. Há ensaios muito intensos e exaustivos, em que trabalhamos os arranjos, afinamos pormenores, experimentamos ideias e repetimos as músicas até sentirmos que estão como queremos. Às vezes, passamos horas a trabalhar numa parte muito específica de uma canção, porque queremos que tudo faça sentido quando chegamos ao palco. Há um nível de preparação que o público nem sempre vê, mas que é essencial para aquilo que apresentamos ao vivo. E, como o tempo que temos juntos nem sempre é muito, tentamos aproveitá-lo ao máximo.”

A divulgação acrescenta outras exigências, sobretudo num projeto que ainda está a construir o seu público.

“Uma música não termina quando fica composta ou gravada. É preciso pensar na forma como chega às pessoas, preparar conteúdos, divulgar os lançamentos, manter as redes sociais ativas e encontrar maneiras de continuar a despertar interesse no nosso trabalho. A divulgação acaba por ser uma parte muito importante, sobretudo hoje em dia, mas também exige tempo, consistência e criatividade. Tentamos encontrar formas de mostrar não só a música, mas também quem somos enquanto projeto, para que as pessoas possam acompanhar o nosso percurso e criar uma ligação connosco. Nem sempre é fácil manter essa consistência quando cada um tem outras responsabilidades, mas sabemos que faz parte do processo.”

Os concertos têm surgido através de contactos e convites de quem conhece o trabalho da banda.

“Em relação à marcação de concertos, tem acontecido de uma forma bastante natural. Ao longo do nosso percurso, têm surgido convites e contactos de pessoas que conhecem o nosso trabalho e que querem que toquemos nos seus eventos. Ficamos muito felizes por isso, porque significa que a música vai chegando a pessoas diferentes e que o projeto começa a circular por outros espaços. Temos procurado aproveitar as oportunidades que aparecem e continuar a construir relações com quem acredita no nosso trabalho.”

O desafio permanece na conciliação dessas oportunidades com as restantes responsabilidades.

“No fundo, acho que o mais difícil é conseguir dar à música o espaço que ela merece sem descurar as outras partes das nossas vidas. Há alturas em que exige muito de nós, em que temos de abdicar de tempo livre, reorganizar horários e fazer alguns sacrifícios. Mas também existe uma enorme vontade de continuar, porque não vemos isto apenas como algo que fazemos nos tempos livres. É um projeto em que acreditamos e que queremos levar mais longe. Estamos conscientes de que não conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo, nem crescer de um dia para o outro, mas tentamos aproveitar cada oportunidade, aprender com cada experiência e continuar a trabalhar para que a banda possa ter cada vez mais espaço nas nossas vidas.”

O momento em que alguém na plateia cantou uma das suas letras

A ligação ao público começou a tornar-se especialmente concreta quando Sofia ouviu as suas palavras cantadas por outra pessoa.

“Para mim, um dos momentos mais especiais foi a primeira vez que ouvi alguém na plateia a cantar uma das nossas músicas. Lembro-me de pensar que aquelas palavras, que tinham começado por ser ideias minhas, já estavam a chegar a outras pessoas de uma forma que eu nunca tinha imaginado. É uma sensação difícil de explicar, porque escrever uma música é um processo muito pessoal e, de repente, perceber que alguém conhece a letra e a canta contigo torna tudo muito mais real.”

Outra memória importante aconteceu depois de um concerto, numa conversa que lhe mostrou o efeito de uma canção fora do palco.

“Houve também um momento, depois de um concerto, em que uma pessoa veio ter comigo ao backstage e me contou que se tinha emocionado a ouvir uma das minhas letras, porque estava a passar por uma situação com a qual se identificava e sentiu que aquela música a tinha ajudado a ultrapassá-la. Isso tocou-me muito, porque me fez perceber que uma canção pode chegar a alguém num momento em que essa pessoa precisa mesmo dela.”

São esses encontros que lhe permitem reconhecer um público ligado aos originais, para além da memória da participação televisiva.

“Acho que é aí que começamos a sentir uma ligação que vai para além da visibilidade que a televisão me deu. A minha participação no The Voice foi importante para que mais pessoas me conhecessem, mas há uma diferença entre reconhecerem-me pela televisão e identificarem-se com aquilo que escrevo. Quando alguém canta uma música minha ou me conta o que ela significou para si, percebo que está a criar uma ligação à nossa música e ao nosso projeto e não apenas à pessoa que viu no programa.”

Novas músicas sem ficar presa à primeira imagem

Para os próximos passos, Sofia aponta a continuidade dos lançamentos e dos concertos. Quer, sobretudo, que o projeto acompanhe as mudanças que vai vivendo.

“Neste momento, queremos continuar a lançar música, tocar ao vivo e mostrar mais lados da nossa identidade. Quero que as canções continuem a crescer comigo, porque também estou a mudar enquanto pessoa e artista. Não quero ficar presa a uma fórmula só porque foi aquela que as pessoas conheceram primeiro. Tenho vontade de experimentar, de explorar sonoridades diferentes e de perceber até onde podemos levar as músicas sem perder aquilo que as torna nossas.”

Entre as possibilidades estão canções mais intimistas e outras com maior energia. A cantora não quer limitar a banda a uma única abordagem.

“Acho que uma das coisas que ainda falta mostrar é a nossa versatilidade. As pessoas já começam a associar-nos a determinadas sonoridades e a uma forma muito própria de escrever e interpretar, mas não quero que isso se transforme numa caixa. Gosto de músicas mais intimistas, em que a letra e a voz estão muito expostas, mas também tenho vontade de explorar canções com mais energia, arranjos maiores e outras abordagens. Não quero ter de escolher entre um lado mais vulnerável e outro mais intenso, porque ambos fazem parte de mim e daquilo que podemos construir enquanto banda.”

A reação de quem já os acompanha é uma preocupação, mas Sofia recusa que essa expectativa determine todas as escolhas.

“Não diria que temos adiado ideias por receio de fugir à imagem que o público criou de nós, mas é natural pensar na forma como uma mudança pode ser recebida. Quando as pessoas começam a identificar-se com um projeto, existe sempre a tentação de continuar a fazer aquilo que já sabem que funciona. Ainda assim, não quero que essa expectativa seja o que decide a música que fazemos. Prefiro que cada lançamento tenha uma razão para existir e que represente aquilo que somos naquele momento, mesmo que seja diferente do anterior.”

A entrevista termina com essa vontade de experimentar, preservando uma identidade que ainda está a ser construída.

“Acima de tudo, quero sentir que temos liberdade para evoluir. Não quero que daqui a uns anos olhe para trás e perceba que deixei de experimentar alguma coisa por achar que não correspondia à imagem que as pessoas tinham de mim. Ainda há muitas histórias para contar, sonoridades para descobrir e lados nossos que o público não conhece. Espero que os próximos lançamentos e os concertos mostrem essa evolução de forma natural, sem sentirmos que temos de provar alguma coisa ou mudar apenas para surpreender. Queremos crescer, mas continuar a reconhecer-nos na música que fazemos.”

- Publicidade -

Destaques

Anastacia no Campo Pequeno: uma noite extraordinária à altura do seu legado

O passado pode ser um lugar confortável. Põem-se os...

Sporting x Marítimo: bis de Pedro Lima vale passagem à final four

Rui Borges mudou os onze titulares e encontrou em...

“Indo eu, indo eu…”: Académico de Viseu deixa Sporting pelo caminho em Alvalade

A viagem fez-se no sentido contrário ao da cantiga,...

Jungle na MEO Arena: de “Sunshine” a “Busy Earnin’”, uma noite com muito mais do que “Back on 74”

Os Jungle trouxeram “Sunshine” à MEO Arena, mas deram...

Protestos pela habitação: PSP retira tendas em Lisboa e no Porto e anuncia 31 detidos

As intervenções da PSP nos protestos pela habitação em...
- Publicidade -

Reportagens

- Publicidade -

Artigos relacionados