Tânia Laranjo aplaudida no espetáculo de Joana Marques: Pedro Chagas Freitas elogia momento e lança reflexão sobre rir de nós próprios

Tânia Laranjo aplaudida no espetáculo de Joana Marques: Pedro Chagas Freitas elogia momento e lança reflexão sobre rir de nós próprios, nas redes sociais.

Tânia Laranjo foi assistir ao espetáculo Em Sede Própria, de Joana Marques, e acabou por se tornar parte de um dos momentos da noite. A humorista, que tem no centro do espetáculo o processo movido pelos Anjos e vencido em tribunal, fez uma piada com a jornalista da CMTV.

Contudo, a reação do público surpreendeu Tânia. A jornalista foi mostrada no ecrã e recebeu uma salva de palmas que, segundo a própria, a deixou desconfortável pela ternura inesperada. Depois, nas redes sociais, Tânia respondeu com humor, memória profissional e uma boa dose de autoironia.

Tânia Laranjo reage ao momento no Coliseu

Nas redes sociais, Tânia Laranjo começou por recordar o instante em que Joana Marques a envolveu no espetáculo. A jornalista assumiu que a reação da sala a apanhou desprevenida.

Tânia escreveu: “Às tantas no Coliseu, a Joana lembrou-se de brincar comigo e decidiram pôr a minha cara no ecrã. Erro deles. A salva de palmas que veio a seguir deixou-me emocionalmente desconfortável, que eu estou muito mais habituada a levar com chuva no focinho do que com carinho humano”.

Assim, entre o riso e o embaraço, a jornalista transformou o episódio numa reflexão sobre o próprio percurso. Sem dramatizar, mas sem apagar a dureza da profissão, olhou para trás com orgulho.

A jornalista acrescentou: “Olho para trás e tenho orgulho no percurso. E acho que posso dizer isso sem parecer aquelas pessoas do LinkedIn que acordam às 5 da manhã para ‘vencer objetivos’. Porque foi duro. Foram anos a levar com tempestades, incêndios, desgraças, acidentes, julgamentos, choros, gritaria e indivíduos a querer aparecer na televisão só para mandarem beijinhos à prima de Fafe”.

O humor como defesa de quem vive em direto

Depois, Tânia Laranjo puxou o texto para o território que conhece melhor: o jornalismo feito na rua, nos tribunais, nos temporais e nas horas ingratas.

A jornalista descreveu-se com a ironia de quem sabe rir do próprio cenário: “Sou jornalista. Normalmente sou a que está à porta dos tribunais às sete da manhã com olheiras de contrabando ou encharcada no meio de um temporal a dizer ‘como podem ver, o vento faz-se sentir’. E faz. Faz-se sempre sentir, sobretudo no cabelo. Se eu não brincasse com isto tudo, já tinha perdido a cabeça algures entre um direto às seis da manhã e um incêndio em agosto com 47 graus à sombra e um bombeiro a dizer ‘está controlado’ enquanto arde metade do distrito atrás dele”.

Entretanto, a jornalista também deixou uma nota sobre solidariedade profissional. Mesmo num meio competitivo, contou ter recebido uma mensagem de uma colega de outra estação.

Tânia terminou esse primeiro desabafo com uma mistura de cansaço, carinho e humor: “E no meio disto tudo, também houve espaço para uma colega da concorrência me mandar uma mensagem bonita sobre camaradagem e solidariedade numa noite difícil. O que prova que afinal ainda há esperança para a profissão. Pouca. Mas há. Gosto de rir. Gosto dos meus. E gostei mesmo do Coliseu. Mas amanhã já devo voltar ao meu habitat natural: à porta de um tribunal, com frio, um café horrível na mão e alguém atrás de mim a perguntar se ‘isto vai dar na televisão’. Hoje não: hoje é domingo e tenho uma coisa marcada com o meu gato. Não fazer nada!”.

Pedro Chagas Freitas destaca capacidade de rir do próprio ridículo

O momento não passou despercebido a Pedro Chagas Freitas. Nas redes sociais, o escritor pegou no episódio para refletir sobre humor, fragilidade e humanidade.

Pedro começou por sublinhar a atitude de Tânia Laranjo perante a piada de Joana Marques: “A Tânia Laranjo assistiu ao espectáculo da Joana Marques. Foi, a dada altura, um dos alvos. A câmara apontou para ela. Estava a sorrir, a rir, até. Agradeceu. Que momento lindo é aquele em que temos a possibilidade de rir do nosso próprio ridículo.”

De seguida, o autor deixou um elogio direto à jornalista: “Sou fascinado por quem ri de si mesmo, porra. Obrigado, Tânia.”

Para Pedro Chagas Freitas, há uma liberdade rara nesse gesto. Sobretudo quando alguém aceita ser alvo de humor sem se fechar na ofensa.

O escritor continuou: “Eu tento, tento muito. Já estive várias vezes na posição da Tânia. Perante uma piada que fazem sobre nós, há duas opções: se achas que é uma piada boa, ris; se achas que é uma piada má, não ris. É para isso que servem as piadas: para fazer rir. Se fazem rir, são boas; se não fazem rir, são más.”

“Quem ri de si mesmo é indestrutível”

A reflexão de Pedro Chagas Freitas foi mais longe. O escritor recusou a ideia de que o humor tenha de ser justo para cumprir a sua função.

Na sua publicação, defendeu: “O humor é para fazer rir. O humor não é justo; nunca foi. Não é para ser. Seria idiota pensar que tem de ser. Mas é humano.”

Depois, deixou uma das frases centrais do texto: “Quem ri de si mesmo é indestrutível.”

Além disso, Pedro Chagas Freitas ligou o episódio ao seu próximo livro, Benjamim e os Dias Cheios de Nada. Segundo o autor, a obra também passa por essa tendência humana de levar tudo demasiado a sério.

O escritor explicou: “O meu próximo livro, BENJAMIM E OS DIAS CHEIOS DE NADA, é também sobre isso: sobre esta mania doentia de nos levarmos demasiado a sério. Adultecemos, ficamos mais próximos dos robots do que dos humanos. É aqui que está a filosofia, e a magia, do humor: a hipérbole, o ridículo, a repetição obsessiva, o absurdo, a inversão das expectativas: cada mecanismo cómico é uma tentativa desesperada de nos protegermos contra o medo. O humor é o disfarce da angústia, a máscara que colocamos para suportar a finitude.”

Por fim, o autor deixou uma ideia sobre alegria, sobrevivência e olhar sobre o mundo: “Com esta história, com este livro, quis olhar para a necessidade de nos salvarmos através da alegria. Uma piada não muda o mundo; mas pode mudar a percepção do mundo.”

E concluiu: “Suspeito que seja isso, a percepção que temos dele, o nosso mundo.”

A despedida foi breve, mas alinhada com toda a reflexão: “Ri-te com o teu enquanto podes.”

Tânia responde com nova reflexão sobre descomplicar

Perante as palavras de Pedro Chagas Freitas, Tânia Laranjo voltou às redes sociais. A jornalista recuperou o tema do riso como ferramenta para aguentar o peso dos dias.

Logo no início, escreveu: “O #PedroChagasFreitas volta a falar sobre rir de nós, dos nossos erros, das nossas parvoíces.”

Depois, levou a reflexão para o seu próprio quotidiano: “E, sinceramente? Cada vez tenho mais a certeza de que, se não me risse, se não descomplicasse e se não dissesse um palavrão bem colocado de vez em quando, já estava na terapia a explicar porque é que respondo “igualmente” quando me dizem “bom trabalho”.”

A jornalista voltou então ao lado mais duro da profissão. Sem procurar heroísmo, lembrou que trabalha diariamente com histórias de perda e sofrimento real.

Tânia escreveu: “Faço coisas de gente feia. Todos os dias falo com pessoas que perderam tudo, que vivem dramas reais, daqueles que nos fazem perceber que afinal a nossa “crise” era só o Wi-Fi lento.”

Um conselho de utilidade pública

No mesmo texto, Tânia Laranjo deixou um conselho aos seguidores. A jornalista pediu menos solenidade e mais capacidade de rir das próprias falhas.

A mensagem foi direta: “Por isso, se me permitem um conselho de utilidade pública:
riam-se. De vocês. Das figuras tristes. Das mensagens enviadas à pessoa errada. Das quedas emocionais e, se possível, das físicas também.”

Depois, reforçou a ideia de que ninguém deve levar-se demasiado a sério: “Não se levem demasiado a peito. O mundo não gira à nossa volta – e ainda bem, porque há dias em que nem nós nos aturamos.”

Por fim, rematou com leveza e apelo à felicidade: “A vida já pesa o suficiente. Não vale a pena andarmos também armados em protagonistas de uma novela turca.
E já agora. Sejam felizes!”

Uma noite de humor que acabou em reflexão

O episódio no espetáculo de Joana Marques começou com uma piada e uma imagem projetada no ecrã. Porém, acabou por se transformar numa conversa maior sobre humor, exposição pública e saúde emocional.

Tânia Laranjo riu-se de si própria, recebeu aplausos e respondeu com a dureza bem-humorada de quem conhece a rua. Pedro Chagas Freitas viu nesse gesto uma forma de resistência.

No fim, entre o palco, as redes sociais e a memória de muitos diretos difíceis, ficou uma ideia simples: rir não apaga o peso da vida. Mas, por vezes, ajuda a carregá-lo sem fazer dele uma sentença.

Saiba mais AQUI, AQUI e AQUI.

Destaques

Bad Bunny emocionou a Luz com “A Minha Casinha” numa noite em que Lisboa também foi Porto Rico

Bad Bunny emocionou a Luz com “A Minha Casinha”...

João Moura Caetano anuncia encerrona para o final da temporada

João Moura Caetano anuncia encerrona para o final da...

Um enorme Miguel Moura e um bom Moura Caetano marcaram a corrida da Feira de Maio na Moita

Um enorme Miguel Moura e um bom Moura Caetano...

Salvaterra de Magos: Rouxinol Jr triunfou na corrida do tomate

Salvaterra de Magos: Rouxinol Jr triunfou na corrida do...

Reportagens

Artigos relacionados