A presença de Tânia Laranjo em Toledo levou a jornalista a cruzar as memórias da infância com a dor das famílias atingidas por uma tragédia ferroviária. Numa publicação no Facebook, recordou a avó espanhola, as primeiras bonecas e o fascínio que Espanha lhe despertava em criança.
As memórias de infância que a ligam a Espanha
A jornalista da CMTV começou por recuperar as recordações de uma altura em que os presentes chegados de Espanha tinham um significado especial.
“Foi daqui que vieram as minhas primeiras bonecas, mandadas pela tia Quinita em 1976. Era aqui que comia caramelos. Espanha tinha o fascínio das coisas que nos chegavam de fora, aos olhos de uma miúda que tinha vindo de Angola, da grande metrópole que era para mim, criança”, escreveu no Facebook.
A ligação ao país passa também pela história da família. Tânia Laranjo explicou que essas raízes tornam particularmente difícil acompanhar acontecimentos trágicos em território espanhol.
“A minha avó Paquita era espanhola. Tenho esta costela e estas memórias. Talvez por isso me custe tanto olhar para o que está a acontecer hoje às portas de Toledo.”
Jornalista recorda a cobertura do acidente de Angrois
Na mesma publicação, Tânia recuperou a passagem por Espanha durante a cobertura do acidente ferroviário de Angrois, em 2013.
“Estive cá na altura do acidente de Angrois, em 2013. Morreram 80 pessoas. Regresso agora e há outra tragédia ferroviária, perguntas por responder e famílias a viver o pior dos pesadelos”, afirmou.
A jornalista alargou a reflexão a outros acontecimentos que marcaram o país.
“Espanha tem sido fustigada por tragédias sucessivas: o terrorismo, as cheias de Valência, os fogos, os acidentes. Em janeiro, outra tragédia ferroviária. Agora, mais esta. É muita dor para um país.”
“Só queria que a próxima notícia fosse boa”
No final do texto, Tânia Laranjo voltou às memórias de infância para expressar o desejo de encontrar notícias diferentes das que a levaram novamente a Espanha.
“Estou em Toledo e lembro-me das bonecas, dos caramelos, da menina que olhava para Espanha com fascínio. Hoje, só queria que a próxima notícia fosse boa.”
A publicação terminou com uma pergunta: “O que fizeram os espanhóis para merecer tantas desgraças?”
