Segunda-feira, Junho 14, 2021

Tauromaquia: Não se peça liberdade, quando se promove a ditadura

Tauromaquia: Não se peça liberdade, quando se promove a ditadura

Tauromaquia: Não se peça liberdade, quando se promove a ditadura, um artigo de opinião assinado por Rui Lavrador.

A tauromaquia em Portugal está doente, ligada às máquinas, com os seus agentes a lutar (inconscientemente) por quem desliga a máquina.

Nesta altura, deveríamos estar todos a tentar todas as técnicas de reanimação de um sector em decadência nos últimos anos.

Um sector que se fechou sobre si próprio, mas que exige que a sociedade o aceite.

Um sector que afastou TODA a imprensa generalista, mas que pretende que essa mesma imprensa lhes dê espaço mediático e transmita corridas de touros.

A imprensa que ainda insiste em colocar reportagens de tauromaquia, e o Infocul.pt é um dos que faz e continuará a fazer, tem condições miseráveis de trabalho.

Os promotores são, maioritariamente, amadores e com pouco know how sobre o que é comunicação, marketing e publicidade. Acham que é tudo a mesma coisa e que se pagam publicidade, a reportagem deve ser elogiosa.

E é aqui que começa tudo a descambar. Numa reportagem, tal como nome indica, reporta-se. Não se elogia ou critica. Isso, elogiar ou criticar, pratica-se em artigos de opinião.

Depois há empresários que não sabem distinguir imprensa de blogs. Bastaria uma ida ao site da ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social) para perceberem que um BLOG NÃO É IMPRENSA!

Com as lotações a apenas poderem, na melhor das hipóteses, atingir os 30 ou 50% da capacidade, as empresas dispararam nos preços dos bilhetes. Chegamos ao ridículo de em Portugal se pagar mais por uma barreira, do que em Espanha. Acresce a isto que em Portugal contam-se pelos dedos de uma mão, as figuras do toureio em actividade.

E não é por um maço de notas criar ídolos ou heróis da nova vaga, que verdadeiramente esses artistas passam a ser figuras.

Antigamente, os toureiros triunfavam na arena e eram destaque nos jornais. Hoje promovem-se nas redes sociais para terem lugar na arena. Não fosse ridículo e daria um sketch humorístico.

Mas façamos o seguinte exercício: Qual o toureiro em actividade que tem relevância social? A resposta é poucos ou mesmo nenhum. A sociedade está literalmente a borrifar-se para este sector. E o sector ao invés de a voltar a conquistar, decide fechar-se sobre si próprio e alegar uma discriminação, que mais não é do que autopromovida.

Mas podemos ainda falar da perseguição que determinados sites têm sido sujeitos nos últimos tempos (e olhem que alguns deles nem sequer falo com as pessoas que os gerem, contudo não deixo de os respeitar e de me solidarizar nestas questões, sem que o tenha de fazer publicamente para passar por bonzinho).

Depois do complicado 2020, em 2021 assistimos a uma luta titânica para ver quem era o primeiro a organizar uma corrida de touros após o 2º confinamento. Resultado: Vários cartéis com os mesmos nomes, em que sai o Bonifácio e entra o Anastácio.

Outros empresários apostaram em ser criativos, pelos piores motivos, e montaram verdadeiros cartéis de bradar aos céus.

Se as praças não conseguem esgotar metade da lotação, imaginem quando for possível ter os 100% de lotação. Auguram-se petardos daqueles de fazer corar de vergonha qualquer promotor.

Posto isto, até porque o texto vai longo, deixo algumas notas:

-Nenhum empresário condicionará o Infocul (com publicidade ou sem publicidade)
-Toda e qualquer pressão ou condicionamento do trabalho jornalístico será denunciado às autoridades competentes;
-Continuaremos a escrever apenas o que vimos, sem nos deixarmos elucidar por “vídeos” ou olhos alheios;
– Depois de um texto publicado, não o alteramos. Os descontentes podem sempre pedir publicação de um direito de resposta (Mas primeiro, escrevam-no sem erros para não passarem vergonhas…);
-A tauromaquia é a única área em que os artistas são protegidos pelos fotógrafos. Porque se a verdade existisse, maioria das fotografias demonstraria a cravagem dos ferros a cilhas passadas. Porque não reclamam os artistas disto? Ou só criticam quando são criticados e o vosso ego é reduzido à verdade?

Não quero terminar este texto sem elogiar alguns cartéis:

-Rafael Vilhais regressou com um excelente e rematado concurso de ganadarias em Salvaterra de Magos. Bravo!
– Santarém (Associação Praça Maior) apresentou dois cartéis rematadíssimos e sem espaço a crítica! Excelente!
-Luís Miguel Pombeiro abre temporada no Campo Pequeno com um bom cartel.
-Toiros & Tauromaquia apresenta dois bons cartéis em Alcochete para os dias 5 e 6 de Junho.
-Rui Bento Vasques continua a ser um nome de distinta classe na tauromaquia, sendo prova disso a entrevista dada à estampa na revista do Correio da Manhã.

Rui Lavradorhttp://www.infocul.pt
Jornalista e Director Infocul.pt

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