Tiago Blela recorda doença que o deixou sem andar: “Podia ter morrido por desidratação”, destacou.
Tiago Blela abriu o coração sobre a vida depois da “Casa dos Segredos 10” e sobre uma infância marcada por um problema de saúde que o obrigou a reaprender a andar.
Natural de Sines, o ex-concorrente inscreveu-se no reality show da TVI por incentivo de um amigo. Acabou por conquistar o quarto lugar e, cá fora, encontrou uma dimensão pública que não esperava.
“A vida cá fora está a ser incrível”
Em entrevista à TV 7 Dias, Tiago Blela assumiu que o regresso ao exterior tem sido vivido com entusiasmo.
“A vida cá fora está a ser incrível”, começou por revelar.
Depois, explicou o impacto que sentiu ao perceber o apoio do público e a forma como a música ganhou nova atenção.
“Foi um choque saber que tinha tanta gente a apoiar-me, que os meus seguidores estavam a subir imenso e que toda a gente já conhecia a minha música. Foi bom também saber que todas as pessoas da minha zona e até espalhadas por Portugal, estão orgulhosas da minha prestação, é super gratificante”, afirmou.
Apesar da experiência positiva, houve rotinas simples que lhe fizeram falta dentro da casa.
“Abraçar o Sky, abraçar a minha mãe, estar com os meus amigos. Surfar, skatar, estar com os meus alunos, treinar, correr, sentir-me livre. Sem dúvida, a coisa que eu senti mais falta foi da liberdade.”
A doença que o deixou numa cadeira de rodas
Tiago entrou na “Casa dos Segredos 10” com o segredo de ter tido de reaprender a andar em criança.
Agora, explicou com detalhe o que viveu quando tinha apenas sete anos e começou a sentir os primeiros sintomas.
“Quando o vírus chegou ao meu corpo eu tinha sete anos, foi a primeira crise que eu tive. Na altura pensavam que era só dores de crescimento, então eu fui aguentando. Passados dois anos, o vírus apoderou-se completamente das minhas pernas e eu fiquei sem andar. Sentia dores horríveis. Se eu contraísse só um bocadinho o músculo, era como se me estivessem a espetar uma faca na perna”, recorda.
O momento mais duro chegou numa manhã em que já não conseguiu levantar-se.
“Lembro-me de acordar e dizer: ‘Mãe, não me consigo levantar’. Ela pensava que era uma desculpa para não ir à escola até perceber que eu estava mesmo a chorar e que não conseguia.”
Após várias idas ao hospital, a insistência da mãe acabou por ser decisiva.
“Disseram-nos que eram dores de crescimento, mas a minha mãe insistiu. Fomos a vários médicos até descobrirem que era uma miosite viral”, conta.
“Sou três vezes mais rápido do que o que era”
A doença levou Tiago Blela a ficar numa cadeira de rodas, numa fase que descreve como crítica.
“Não conseguia andar… e se não tivesse sido tratado, podia ter morrido por desidratação… Depois de ter ficado tanto tempo deitado, perdi a força nos músculos, tive que aos poucos, recuperar a força e o equilíbrio.”
Ainda assim, o ex-concorrente garante que não ficaram sequelas físicas.
“Não, nada. Sou três vezes mais rápido do que o que era”, garante.
Hoje, Tiago continua ligado ao movimento. Entre o skate, o surf, os treinos, os alunos e a música, vai multiplicando projetos e mantendo uma vida marcada pela energia.
Escola de skate nasceu também de uma homenagem
Há cerca de dois anos, Tiago Blela abriu a SkateBrothersacademy, uma escola de skate criada em parceria com o sócio Cris.
O projeto cruza-se com uma história pessoal muito forte: a memória de Duarte, um amigo importante que o inspirou e a quem decidiu prestar homenagem.
“O Duarte era o meu patrocinador, fazia bodyboard, tinha uma loja, e era um dos meus melhores amigos apesar da nossa diferença de idades. Éramos uma equipa. Sempre foi uma inspiração para mim… Só que ele desenvolveu uma doença, esquizofrenia, e decidiu desistir da vida e suicidou-se. Quando ele se suicidou eu criei a minha marca, Ally Empire, em homenagem à dele. É graças a ele que sigo o sonho, basicamente, continuo a escrever um pouco do livro dele. E o Duarte foi uma pessoa muito inspiradora e muito importante para mim”, confessa.
A palavra que não aceita: “fraco”
Na entrevista, Tiago foi ainda questionado sobre a forma como reage quando alguém o chama de “fraco”.
A resposta mostra o peso que essa palavra tem na sua história.
“Eu fico incomodado porque isso é uma palavra que eu não digo… E as palavras têm muita força. Nunca me considerei uma pessoa fraca… Já me chamaram de fraco quando eu era mais novo e eu sempre disse que ia provar a todos que era forte. É uma palavra que eu detesto”, sublinha.
Duas perdas após a saída da casa
Tiago Blela recordou também Maycon, com quem chegou a cruzar-se através do skate e de eventos públicos.
“Conhecia-o. Ele também andava de skate e era speaker dos campeonatos nacionais. Também estive com ele no Moda na Cidade. Era uma pessoa que eu conhecia, mas não tinha assim muita proximidade… Mas é sempre um choque. Deixa-me sempre pensativo, era uma pessoa muito nova e quando diz respeito a suicídio faz-me lembrar o Duarte, faz-me lembrar muita coisa… Enquanto estive na casa perdi dois amigos. Dois amigos meus faleceram”, partilha, emocionado.
Depois, explicou que uma das perdas aconteceu por acidente e outra por suicídio.
“Um dos meus melhores amigos teve um acidente de mota, em Lisboa. Outro amigo meu que estava a viver fora, suicidou-se. Foram as piores notícias que eu tive desde que saí da casa. Foi super difícil reagir”, conta.
Entre a doença que o obrigou a reaprender a andar, o impacto da “Casa dos Segredos 10” e as perdas recentes, Tiago Blela mostra uma história marcada por quedas, recomeços e vontade de continuar.

