Tiago Rufino e António Bravo denunciam custos da habitação: “A situação torna-se insustentável”

Tiago Rufino e António Bravo relataram à TV 7 Dias as dificuldades que encontraram para conseguir casa em Lisboa. Entre contratos que não são renovados, quartos a centenas de euros e elevados pagamentos iniciais, os antigos concorrentes da TVI descrevem uma procura marcada pela falta de alternativas.

Tiago Rufino teve de sair da casa onde viveu com Luan

O vencedor da Casa dos Segredos 7 contou que o arrendamento começou com um contrato de um ano. Segundo explicou, a permanência na habitação ficou depois sujeita à celebração de novos contratos e a aumentos de renda.

“Vivia naquela casa desde que me mudei para Lisboa. Foi lá que vivi com o Luan. Inicialmente fiz um contrato de um ano e eu fui ficando. De três em três anos, o senhorio enviava uma carta formal, com a antecedência devida, a comunicar a não renovação do contrato. Depois ligava-me a explicar que a carta era uma formalidade obrigatória, mas que queria que eu continuasse, fazendo um novo contrato para poder aumentar a renda além da percentagem prevista por lei. Aumentava cerca de 100 a 150 euros de cada vez”, relatou à revista.

Tiago afirmou que aceitava os aumentos porque os preços de outras casas eram ainda mais elevados. Contudo, a última comunicação telefónica do proprietário trouxe uma decisão diferente.

“Eu fui aceitando os aumentos porque percebi que, apesar de a renda alta, era melhor do que os valores que eu via. A 15 de agosto, a cerca de duas semanas do prazo para sair, ligou-me a dizer que afinal já não ia renovar. Disse que tinha falado com a esposa e decidido fazer obras no apartamento todo para depois passar a cobrar entre 1500 e 2000 euros de renda. Ele é proprietário do prédio inteiro e já tinha remodelado os outros apartamentos.”

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Obras e possibilidade de arrendamento por quartos

Segundo Tiago, o senhorio pretendia remodelar o apartamento para aumentar o valor cobrado ou alterar a forma de arrendamento.

“Disse apenas que queria fazer obras para colocar o apartamento em melhores condições e poder cobrar esse montante ou alugar por quartos, transformando a sala num quarto. Fiquei de mãos atadas porque ele tinha enviado a carta formal no prazo legal, embora por telefone me tivesse garantido a renovação. Após eu expor a situação, concedeu-me mais 15 dias para arranjar casa.”

Perante a necessidade de encontrar outra habitação, Tiago recorreu às redes sociais. Queria continuar na cidade onde desenvolve a sua atividade profissional.

“As pessoas do interior, como a minha família, não têm noção de como a situação da habitação está grave nas grandes cidades e que há pessoas a pagar 800 euros por um quarto partilhado. Além disso, partilhei para ver se alguém me conseguia ajudar. Eu queria ficar em Lisboa, onde tenho a minha empresa de brigadeiros, o meu trabalho e a minha vida”, explicou.

António Bravo encontrou quartos entre 800 e 900 euros

António Bravo também descreveu obstáculos na procura de casa, mesmo procurando manter-se dentro das suas possibilidades.

“Eu não saía do meu mercado, mas nunca consegui por haver poucas vagas”, afirmou à TV 7 Dias.

O antigo concorrente do Big Brother 2021 apresentou exemplos dos preços e das condições que encontrou.

“Eu encontrei quartos com casa de banho e cozinha partilhadas entre 800 e 900 euros. A opção mais barata que vi foi um quarto por 600 euros, que na verdade era uma cama marquise com uma cama e uma mesa de cabeceira, onde só se conseguia entrar pelo fundo da cama. Quanto a apartamentos T1 e T2, os valores situavam-se entre os 1500 euros e os 2500”, contou.

Apartamento precisava de obras para ter condições de conforto

Ao recordar uma opção em Sete Rios, António falou de um imóvel degradado e da possibilidade de assumir pequenas remodelações para conseguir uma renda inferior.

“Candidato-me há cerca de 10 anos a dar um T1 em Sete Rios por 800 euros, mas enfrentei exigências. ‘Pediriam-me duas rendas e duas cauções, num total de 3200 euros. Há 10 anos tinham-me pedido apenas uma renda e uma caução. O apartamento era extremamente velho, com humidade nas paredes, móveis partidos e buracos no chão. O senhorio deu-me a opção de pagar 800 euros de renda e fazer eu próprio pequenas obras, ou pagar entre 1000 e 1100 euros se as obras fossem feitas por ele. Optei por fazer eu as remodelações, porque até me ajeito, para ter as condições mínimas de conforto’.”

Além do estado das casas e da renda mensal, os pagamentos exigidos à entrada constituíram outro entrave.

“Além das rendas elevadas, o maior obstáculo foram os valores exigidos de entrada e cauções. Para o tipo de habitação que procurava, só em adiantamentos exigiam cerca de 10 mil euros, chegando a haver casos de três cauções e duas rendas, tudo isto por um imóvel arrendado e sem qualquer garantia de que, ao fim de dois ou três anos, o senhorio não nos coloque na rua para aumentar a renda ou fazer um Airbnb”, desabafou.

Orçamento de 1600 euros não chegava para muitas das opções

António Bravo revelou que procurava um T2 ou T3 com um orçamento até 1600 euros. A dificuldade em encontrar uma solução levou-o também a ponderar a compra.

“As casas que procurávamos situavam-se quase todas acima dos 2000 euros. Chegámos a ponderar comprar, mas os preços de venda em Lisboa são manifestamente inflacionados, parecendo que querem vender ‘buracos a sheiks do Dubai’. Com rendas de 1000 euros, o aumento do custo de vida, o combustível a quase 100 por depósito e os cabazes de supermercado em Portugal mais caros do que em Paris, a situação torna-se insustentável”, afirmou à revista.

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