Toy questionou as qualidades vocais de vários nomes da música portuguesa, mas reconheceu-lhes mérito pelo sucesso conquistado. No podcast «Cala-te Boca», da Mega Hits, criticou também as escolhas das rádios e desmentiu ser o homem de um vídeo viral que há anos lhe é atribuído.
A conversa, divulgada esta quinta-feira, 29 de outubro, passou pela diferença entre cantar bem e conseguir cativar o público. Desafiado a identificar artistas com mais fama do que talento, Toy começou por esclarecer o critério da sua resposta.
“Depende do conceito daquilo que achas que é talento. Por exemplo, voz (…) Em termos de voz, acho que [vários artistas] têm muito mais fama do que talento.”
O cantor avançou depois com dois nomes: “Ainda agora tivemos o Emanuel e o Pedro Abrunhosa. Vou dar dois exemplos de áreas diferentes.”
“O Rui Reininho não canta bem, mas eu adoro ouvir o Reininho”
A avaliação de Toy estendeu-se a Rui Reininho. Neste caso, fez questão de distinguir a apreciação da voz do prazer que sente ao ouvir o artista.
“Eu vou confessar uma coisa. Eu acho que o Rui Reininho não canta bem, mas eu adoro ouvir o Reininho.”
Para o intérprete de «Coração Não Tem Idade», a técnica vocal não determina, por si só, o valor de um artista.
“Porque ser artista não tem propriamente a ver com ter a melhor voz do mundo, senão os cantores líricos eram todos muito melhores do que os cantores populares.”
Na composição, Toy apontou limitações ao trabalho de Quim Barreiros, ressalvando a amizade que os une.
“Se calhar o meu querido amigo Quim Barreiros, eu acho que as composições são demasiado limitadas para a fama que ele tem enquanto compositor.”
Apesar das críticas, reconheceu a capacidade destes músicos para construir carreiras e conquistar o público.
“Têm todo o mérito pelo sucesso que têm. Pelo carisma, pela qualidade que empregam nos concertos e pela forma como conseguiram, nestas carências profissionais, dar a volta à questão para conseguirem mostrar outra coisa.”
Toy critica Antena 1 por passar Marco Paulo depois da sua morte
A relação entre as rádios e a música popular portuguesa foi outro dos temas da entrevista. Toy acusou as estações de desvalorizarem artistas em vida para depois lhes dedicarem atenção quando morrem.
Como exemplo, apontou a emissão da Antena 1 após a morte de Marco Paulo.
“É inacreditável. Por exemplo, ouvi a Antena 1 passar Marco Paulo depois de ele ter morrido. Isto é inacreditável (…) Nunca passaram a música do Marco Paulo, agora estão a passar. Porquê? Porque morreu.”
A afirmação sobre a programação da estação foi feita pelo cantor, que não apresentou na conversa um levantamento das emissões.
Toy imaginou depois, com ironia, o tratamento que poderá receber no futuro.
“Vejam quando eu morrer… Vão ter que esperar muito tempo, que eu sou eterno, para que passem a minha música.”
E acrescentou: “Aliás, eu até agradeço que não passem a minha música agora. Porque agora, em fim de vida, já não vale a pena.”
A voz que passou na RFM sem ser reconhecida
Ao recordar a falta de espaço nas grandes rádios, Toy contou um episódio que envolveu o locutor Luís Loureiro. Segundo o cantor, a sua voz chegou aos ouvintes da RFM através de versões de temas dos anos 60.
“Na altura em que a RFM não passava a minha música, tinha um locutor, que era o Luís Loureiro. O Luís passava uma coisa chamada Sixty Slows, que eram uns medleys de músicas dos anos 60, e ele não sabia que a voz era a minha.”
O relato serviu para ilustrar aquilo que considera uma resistência ao seu nome, mesmo quando as interpretações encontravam espaço na programação.
Toy desmente vídeo viral do elevador: “Não sou eu”
A entrevista abordou também um vídeo que circula nas redes sociais, no qual um homem surge a sair de um elevador a cambalear. A associação recorrente das imagens ao cantor levou-o a negar qualquer participação.
“Não sou eu. Se fosse uma coisa a beber, a beber podia ser. Agora, deitar vinho fora, nunca”, brincou.
Toy explicou que recebeu uma versão mais longa da gravação e apresentou a origem que lhe atribui.
“Aquilo era um concurso na China. Eles chegaram a enviar-me o vídeo inteiro. É um concurso na China de comer. Quem comer mais ganha. E depois há um indivíduo que come realmente aqueles hambúrgueres todos e depois quando sai do elevador… Mas tu não vês a cara (…) puseram o meu nome.”
O cantor mostrou-se incomodado com a facilidade com que o gosto por vinho se transforma num rótulo sobre os seus hábitos.
“Eu sempre gostei muito de vinho. Quando digo isto chamam-me bêbado (…) Odeio, porque os bêbados não gostam de vinho. Gostam de álcool. Quem gosta verdadeiramente de vinho não pode ser alcoólico.”
A distinção foi apresentada como uma convicção pessoal do músico, não como uma avaliação clínica sobre o consumo de álcool.
A resposta a um insulto nas redes sociais
Toy contou ainda como reage às mensagens ofensivas que recebe. Ao descrever as plataformas digitais como um “caixote do lixo dos pensamentos promíscuos”, recuperou uma troca de palavras com uma utilizadora.
“Houve uma senhora uma vez que disse ‘porco nojento’. E eu respondi: ‘Desculpe lá essa noite’”, relatou, entre risos.
O cantor assumiu que a rapidez dessas respostas faz parte da sua maneira de estar.
“Eu não penso duas vezes antes de falar, eu falo duas vezes antes de pensar. E a minha impulsividade é prova da minha autenticidade.”
