Domingo, Setembro 19, 2021

ÚLTIMA HORA: Pedro Adão e Silva nomeado Ministro da Coesão Governamental

ÚLTIMA HORA: Pedro Adão e Silva nomeado Ministro da Coesão Governamental

ÚLTIMA HORA: Pedro Adão e Silva nomeado Ministro da Coesão Governamental, um artigo de opinião de Fernando Santos.

Talvez tenho sido o único, mas não pude deixar de reparar na estranha coincidência de Pedro Adão e Silva ter sido nomeado para comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, precisamente numa altura em que os sobem de tom os rumores de que António Costa se prepara para outros voos na Europa, e em que a luta interna pela sucessão no cargo de secretário-geral do PS parece ter tido o seu tiro oficial de partida com uma troca (pública) de galhardetes entre Pedro Nuno Santos e a Ana Catarina Mendes.

Pedro Adão e Silva, cujo comentário muito aprecio, é sobejamente reconhecido como alguém de enorme competência e brilhantismo. Como tal, a sua nomeação não se coloca sequer em dúvida. Da mesma forma que também é reconhecido como uma figura consensual e agregadora dentro do PS. Talvez das poucas com a capacidade real de, com um discurso pedagógico e tecnicamente bem preparado, fazer a ponte entre as duas tendências internas do Partido Socialista que, aparentemente, já se encontram a limpar espingardas.

Falo da corrente liderada por Pedro Nuno Santos, que tem vido a ganhar lastro dentro da estrutura do partido, que defende a via do socialismo democrático, e da corrente iniciada com José Sócrates e agora liderada por António Costa, que defende um socialismo moderado, de mercado, muito ao estilo da terceira via de Tony Blair.

E se a coexistência destas duas tendências sempre foi possível no passado, isso deveu-se muito ao facto de a primeira ter sido sempre minoritária. Algo que parece estar a mudar a fazer fé na tensão que parece existir dentro da própria cúpula do partido e que já obrigou inclusive o Primeiro Ministro a vir dizer que ainda não tinha idade para apresentar os papéis para a reforma.

Ora, com esta nomeação, António Costa chama até si alguém de créditos firmados para desempenhar uma louvável missão, mas durante o que resta desta legislatura e a primeira metade da seguinte, terá como função efectiva promover o diálogo entre os beligerantes e fazer a síntese política e doutrinária entre estes dois Partidos Socialistas que, aparentemente, se encontram em rota de colisão.

Ao mesmo tempo, deixa no ar a possibilidade de um plano B…

Absolutamente brilhante! O senão é que nesta guerra pela alma ideológica do PS quem paga a conta somos nós.

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