Vozes Ibéricas: 4 jovens talentosos em entrevista sobre a ligação à música, ontem no Sabores no Barro em Beringel.
Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Diogo Nora
Um primeiro passo dado em Beringel
Antes de subirem ao palco da Tenda dos Sabores, no Sabores no Barro, os Vozes Ibéricas carregavam algo difícil de esconder. Expectativa. Nervos. E aquela vontade própria de quem está a começar.
Ontem marcou um momento decisivo para o grupo. O primeiro concerto em público.
“Já fizemos concertos privados, mas este vai ser o primeiro em público.”
E isso sentia-se. Na forma como falavam. Como se preparavam. Na forma como olhavam para o que vinha a seguir.
Um projeto recente com base na amizade
O grupo nasceu há pouco tempo. Ainda assim, já mostra sinais de identidade.
“O nosso projeto surgiu ano passado, no verão, entre eu e o Bernardo e mais um colega lá da nossa terra.”
Entretanto, a formação foi-se ajustando.
“Fomos começando a desenvolver e o nosso colega… não tinha tempo… assim fomos buscar estes dois marmelos”, brincou um deles.
Assim, entre entradas e saídas, consolidou-se um núcleo de quatro elementos. Unidos não só pela música, mas também por outras paixões.
Entre o futebol, os estudos e a música
Além da música, há uma vida paralela que continua. E que pesa.
“Jogamos os quatro à bola… é difícil de conciliar as duas coisas, mas tentamos fazer as duas coisas ao melhor que conseguimos.”
Por outro lado, os estudos mantêm-se como prioridade.
“Acho que o lado A é mesmo o de estudar.”
Ainda assim, há espaço para a música crescer.
“Nós fazemos isto mais porque nos divertimos a fazer.”
E é precisamente nessa leveza que o projeto ganha autenticidade.
Ensaios, escolhas e identidade musical
No processo criativo, tudo parte de dentro do grupo. Não há fórmulas rígidas. Há tentativa e erro.
“Nós vamos escolhendo as músicas entre nós, falamos entre nós, vamos ensaiando.”
E a decisão final é simples.
“O que fica a melhor é que nós tocamos, o que gostamos.”
Além disso, não se limitam a um estilo ou artista.
“Pode servir a qualquer um.”
Essa liberdade permite-lhes explorar diferentes influências, incluindo a ligação ibérica que dá nome ao grupo.
De três terras, um só projeto
Outro elemento distintivo está na origem dos membros. O grupo não nasce de um único lugar.
“Somos de três terras diferentes… Beringel, Penedo Gordo e Cuba.”
E isso obriga a adaptações constantes: “Vamos variando os pontos de ensaio.”
Ainda assim, mantêm uma rotina.
“Ensaiamos todos os sábados.”
Um compromisso que sustenta o crescimento do grupo.
Um primeiro concerto com responsabilidade acrescida
Para um dos elementos, João Tomás Besugo, este concerto teve um peso ainda maior. Não apenas pela estreia. Mas pelo contexto.
“Primeiro concerto com o público, num evento organizado pelo Presidente da Junta, que também é o teu pai”, referi eu.
E a resposta não deixou dúvidas.
“Acho que sim, aumenta”, assinalou João Tomás, sobre a responsabilidade.
Ainda assim, a vontade de subir ao palco falou mais alto.
Um repertório preparado com naturalidade
A preparação para o concerto não foi marcada por grandes mudanças.
“Foi uma seleção fácil.”
O alinhamento surgiu de forma orgânica.
“Não sei, uns 25… temos mais para se for preciso… mas devemos tocar 9, 10.”
Mais do que números, o foco esteve na intenção.
Redes sociais e crescimento gradual
Apesar da juventude, o grupo já começa a ganhar expressão nas plataformas digitais.
E há um objetivo claro.
“Peço às pessoas que nos acompanhem nas redes sociais… Facebook, TikTok e Instagram.”
A ambição é simples, mas direta.
“Para começarmos a crescer como artistas.”
O futuro começa agora
Antes mesmo da estreia, o grupo já preparava novos conteúdos e esteve a gravar um vídeo com a plataforma A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria.
Dessa gravação, foi-nos revelado que interpretaram: “Uma boa música tradicional alentejana.”
E a expectativa é que chegue em breve.
“Esperamos que sim.”
Assim, entre ensaios, estudos e concertos, os Vozes Ibéricas deram ontem o primeiro passo público.
Um início ainda recente. Mas com sinais claros de continuidade.





