
‘O Barbeiro de Sevilha’: Campo Pequeno recebeu ópera, esta quinta-feira, dia 25 de Novembro.
A Praça de Touros do Campo Pequeno recebeu, esta quinta-feira, a ópera ‘O Barbeiro de Sevilha‘, pela Companhia Estúdio Lírico de Madrid.
Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso
Com libreto de Cesare Sterbini, baseado na primeira peça da trilogia com o mesmo nome, de Beaumarchais, e música de Giacchino Rossini, o Campo Pequeno recebeu um espectáculo que não deixou ninguém indiferente.
Uma ópera, Il barbiere di Siviglia, baseada na mesma peça, já havia sido composta por Giovanni Paisiello, e outra ainda foi composta em 1796, por Nicolas Isouard. Embora a obra de Paisiello tenha feito sucesso por algum tempo, a versão de Rossini é a única a perdurar no repertório operático.
A obra de Rossini segue a primeira das peças da “trilogia de Figaro” do dramaturgo francês Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais, enquanto Mozart, na sua ópera Le nozze di Figaro (As bodas de Fígaro), composta 30 anos mais cedo, em 1786, baseou-se na segunda parte da trilogia. A versão original de Beaumarchais foi encenada pela primeira vez em Paris no ano de 1775, na Comédie-Française, no Palácio das Tulherias.
Composta por dois actos, a ação tem lugar em Sevilha e conta a história do jovem Conde Almaviva, que com a cumplicidade de Fígaro – o Barbeiro – tenta aproximar-se de Rosina. No entanto, o tutor da donzela, Dr. Bartolo, faz de tudo para evitar essa aproximação, pois quer casar-se com a jovem. Para poder ludibriar o tutor de Rosina, o Conde utiliza inúmeros disfarces e passa por muitas peripécias.
[Best_Wordpress_Gallery id=”2389″ gal_title=”O Barbeiro de Sevilha- Campo Pequeno- 2021″]Rossini era célebre por seu ritmo rápido de composição, e toda a música do Barbiere di Siviglia foi completada em menos de três semanas, porém a estreia foi um fracasso: as pessoas vaiaram e bocejaram durante todo o espectáculo.
Porém, no Campo Pequeno, aquilo a que assistimos foi a um espectáculo muito bem conseguido, com a parte interpretativa dos personagens e intérpretes a aproveitar a excelente qualidade da Orquestra Ópera Del Mediterrâneo.
Como Conde de Almaviva tivemos Cesar Arrieta e Houari López, Abelardo Cárdenas foi Don Bartolo, Helena Gallardo interpretou Rosina, Fígaro foi interpretado por Marco Moncloa, Carlos London interpretou Don Basílio, José Manuel Velasco foi Fiorello, Berta foi interpretada por Ana Molina e José Manuel Velasco interpretou um oficial da polícia.
Esta ópera-bufa vive muito da capacidade vocal dos seus intérpretes, tendo ontem todos eles estado a um nível muito alto, não podendo de elogiar a acústica que se conseguiu ter na sala (quando o Campo Pequeno por vezes tem vários problemas relacionados com esta temática) e também da parte cómica-dramática de toda a história.
O Campo Pequeno contou com boa presença de público, sem esgotar a sua lotação.
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