Bruna Gomes revolta-se com caso de violência contra cão em Lisboa e psicóloga alerta para “criança muito perturbada emocionalmente”, na TVI.
As imagens de um rapaz de 12 anos a tentar afogar um cão, em Lisboa, provocaram uma forte onda de indignação. Porém, o caso levantou outra questão igualmente perturbadora: ninguém presente terá intervindo para salvar o animal.
O episódio, que estará sob investigação após denúncias de associações de defesa dos animais, levou Bruna Gomes a reagir publicamente.
A influenciadora brasileira não escondeu a revolta. Na TVI, a psicóloga Inês Bailinha foi mais longe e analisou o comportamento do menor e a passividade de quem filmou.
Bruna Gomes questiona ausência dos pais e de quem filmou
Bruna Gomes, conhecida também pela sua participação em formatos da TVI, recorreu à rede social X para comentar o caso.
A influenciadora questionou o comportamento do rapaz, mas direcionou igualmente as críticas para os adultos e para quem permaneceu a gravar.
“Um menino tenta afogar um cachorro por 40 minutos e ninguém faz NADA? Os pais onde estão enquanto uma criança de 12 anos está sozinha? Alguém filma os 40 minutos e não faz nada também? Meu Deus que nojo!!!!!!!“
A reação de Bruna Gomes incidiu, assim, sobre mais do que a violência presente nas imagens. A ausência de uma intervenção imediata tornou-se também parte central da discussão pública em redor do caso.
Psicóloga da TVI critica sociedade “absolutamente apática”
O tema chegou igualmente à Crónica Criminal do Dois às 10, onde Inês Bailinha analisou os comportamentos associados ao episódio.
A psicóloga começou por falar sobre empatia e estabeleceu um paralelo com outro caso que circulou nas redes sociais.
“As pessoas dizem que estão cansadas da palavra empatia, pois vai continuar a ser uma das minhas preferidas. Recentemente, nós todos vimos nos Instas e nas redes sociais e até na televisão aquela história do bungee jumping (…) no Brasil, em que atiraram a rapariga da ponte sem qualquer corda. Estavam todos a filmar. Ninguém fez… ouve-se: «não tem corda», e ninguém fez nada. Estamos numa sociedade absolutamente apática“.
Para Inês Bailinha, a atitude de quem observa um momento de perigo, mas opta por filmar, exige uma reflexão mais profunda.
Ao analisar o caso ocorrido em Lisboa, a especialista mostrou-se especialmente crítica perante a pessoa que registou as imagens.
“Esta falta de empatia voltou-se a notar aqui. Porque como é que é possível que a pessoa que está a filmar… que falta de empatia! Como é que ela vê um animal assim estrangulado? 40 minutos, que para mim 2 minutos já seria um sufoco, quanto mais 40, e não tem humanidade naquela alma? Para ir lá e depois ainda publica?“
Inês Bailinha rejeita ideia de uma simples travessura
Durante a análise, a psicóloga afastou a possibilidade de o comportamento do rapaz poder ser encarado apenas como uma atitude infantil ou uma simples travessura.
Pelo contrário, Inês Bailinha considera que a situação revela sofrimento e exige atenção.
“Há bocado falávamos da personalidade narcisista. Com a gravidade que ela merece, eles detestam animais. Detestam. Porque a crueldade e a falta de empatia que têm dentro é tão grande que aquilo só está a estorvar ali. (…) Isto é uma criança em sofrimento profundo. Profundo“.
A especialista colocou várias hipóteses sobre a origem da agressividade, sem apresentar uma causa definitiva.
Entre as questões levantadas estiveram uma eventual aprendizagem da violência, a reprodução de comportamentos observados ou dificuldades no controlo dos impulsos.
“Tem que ser desde já acompanhada”
Inês Bailinha terminou a intervenção defendendo acompanhamento psicológico para o menor.
A duração do comportamento, salientou, impede que o episódio seja desvalorizado como uma reação momentânea.
“Foi violência aprendida? Ou foi violência que ele assistiu de uma forma e projetou noutra? Ou foi ele sentir-se daquela maneira e é forma de expressar a raiva? Ou é falta de controlo de impulsos, mas depois há aqui algo muito perverso que é o alívio com a dor do outro. (…) Não foram 2, não foram 3 [minutos], portanto não é uma chamada de atenção, é uma criança muito perturbada emocionalmente e que tem que ser desde já acompanhada“.
O caso deixou, portanto, duas discussões em aberto. Por um lado, o comportamento de um menor de 12 anos perante um animal. Por outro, a atitude de quem assistiu, filmou e não interveio.
Foi precisamente essa segunda dimensão que uniu a indignação de Bruna Gomes e a análise de Inês Bailinha: perante uma situação de violência, olhar e gravar não pode substituir a ação.
