João Patrício abre o coração em “O Preço da Fama”: “Não me deslumbro com a televisão”, disse em entrevista a Adriano Silva Martins.
Apresentador revela relação madura com a fama e fala sobre carreira construída nos bastidores.
Um homem dos bastidores exposto à frente das câmaras
No primeiro episódio de ‘O Preço da Fama’, o novo projeto de Adriano Silva Martins no V+ TVI, o convidado da estreia foi João Patrício, que se abriu sobre o que considera um paradoxo: ter uma presença diária na televisão, mas continuar a sentir-se essencialmente um homem dos bastidores.
Logo no início, Adriano provoca:
“Um homem que anda há 30 anos a fugir da fama. Não sei se o tema te interessa muito…”
Patrício responde com um sorriso:
“Sim, confirmo. Eu próprio também tenho essa sensação, mas fica para nós.”
Presença mediática, mas pés assentes na terra
Aos 49 anos, João Patrício acumula uma exposição mediática significativa, com destaque para o “Funtástico” e a condução de “Sentença”, que exigiu uma reorganização da sua agenda. Contudo, garante:
“Eu não me sinto famoso, o que é ótimo ter essa visão.”
Apesar da notoriedade, ele mantém os pés no chão:
“Sou abordado muito mais vezes, sinto-me observado em algumas circunstâncias, mas convivo muito bem com isso. Tenho os pés muito assentes na terra e isso não mudou.”
Entre rótulos e coerência pessoal
Patrício recorda o rótulo que lhe foi atribuído ao longo dos anos, “o braço direito da Fátima” ou “o amigo da Cristina”, e admite com naturalidade:
“Tive o privilégio de estar umbilicalmente ligado aos últimos projetos de grande impacto da Cristina… mas sempre com uma distância que me é confortável. Isso não me faz confusão nenhuma.”
Um convite que demorou a aceitar
Sobre a sua transição para a frente das câmaras, Patrício admite que não foi um desejo inicial, mas resultado da insistência de João Patrício:
“Eu costumo dizer a brincar, mas é rigorosamente verdade: fui coagido a esta experiência. O Zé Eduardo foi muito insistente… demorou para aí uns dois ou três anos até eu dizer que sim.”
Ele frisa que a televisão sempre foi mais sobre fazer do que aparecer:
“Eu sou um fazedor de televisão. Dá-me muito prazer formar pessoas, ver essa gente crescer. Isso motiva-me ainda hoje muito mais do que estar a dar a cara.”
Maturidade e visão desapaixonada sobre a fama
Para Patrício, a maturidade foi essencial para aceitar o convite no momento certo:
“Se tivesse aceitado antes, não teria corrido tão bem. Nem eu estaria tão bem resolvido para lidar com isso. Surjo já de cabelos brancos, já não tenho a responsabilidade de passar pelo escrutínio. É-me reconhecida alguma credibilidade pelo percurso que tive.”
Ele encara a fama com pragmatismo:
“Para mim não é um fantasma. Também, porventura, não tenho tempo para experienciar essa componente.”
No final, o retrato que fica é o de um homem que chegou à frente das câmaras já “homem feito”, com uma relação saudável e desapaixonada com o estrelato:
“Não me deslumbro. Conheço muito bem a televisão. Sei que tudo o que sobe desce.”
