Helena Sacadura Cabral reflete sobre “os novos desterrados” e alerta para a exclusão invisível

Helena Sacadura Cabral reflete sobre “os novos desterrados” e alerta para a exclusão invisível, nas redes sociais.

Helena Sacadura Cabral partilhou nas redes sociais uma reflexão sobre os “novos desterrados”. A autora partiu da estátua O Desterrado, de António Soares dos Reis, para pensar as várias formas de exclusão no mundo atual.

A publicação surgiu, segundo a própria, a propósito de um texto de Pedro Santa Clara. A partir dessa referência artística, Helena Sacadura Cabral aproximou o antigo sentido do desterro das realidades contemporâneas.

Além disso, a reflexão não se ficou pela ideia de exílio geográfico. A autora falou também de exclusão social, marginalização e solidão emocional.

A partir de uma obra de Soares dos Reis

Na publicação feita nas redes sociais, Helena Sacadura Cabral começou por recordar a origem da reflexão. A autora referiu a estátua O Desterrado, obra de António Soares dos Reis, como ponto de partida.

- Publicidade -

“𝗢𝗦 𝗡𝗢𝗩𝗢𝗦 𝗗𝗘𝗦𝗧𝗘𝗥𝗥𝗔𝗗𝗢𝗦
𝗔 𝗽𝗿𝗼𝗽ó𝘀𝗶𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝘂𝗺 𝗽𝗼𝘀𝘁 𝗱𝗲 𝗣𝗲𝗱𝗿𝗼 𝗦𝗮𝗻𝘁𝗮 𝗖𝗹𝗮𝗿𝗮, 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗮 𝗲𝘀𝘁á𝘁𝘂𝗮 𝗢 𝗗𝗲𝘀𝘁𝗲𝗿𝗿𝗮𝗱𝗼, 𝗼𝗯𝗿𝗮 𝗳𝗮𝗺𝗼𝘀𝗮 𝗲𝘀𝗰𝘂𝗹𝗽𝗶𝗱𝗮 𝗲𝗺 𝗺á𝗿𝗺𝗼𝗿𝗲 𝗱𝗲 𝗖𝗮𝗿𝗿𝗮𝗿𝗮, 𝗽𝗼𝗿 𝗔𝗻𝘁ó𝗻𝗶𝗼 𝗦𝗼𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗼𝘀 𝗥𝗲𝗶𝘀 𝗲𝗺 𝟭𝟴𝟳𝟮, 𝗹𝗲𝗺𝗯𝗿𝗲𝗶-𝗺𝗲 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝗹𝗮 𝘀𝗶𝗴𝗻𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗿á 𝗵𝗼𝗷𝗲. 𝗔 𝗼𝗯𝗿𝗮-𝗽𝗿𝗶𝗺𝗮 𝗲𝗻𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗮-𝘀𝗲 𝗻𝗼 𝗠𝘂𝘀𝗲𝘂 𝗡𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗦𝗼𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗼𝘀 𝗥𝗲𝗶𝘀 𝗻𝗼 𝗣𝗼𝗿𝘁𝗼, 𝗲𝗺𝗯𝗼𝗿𝗮 𝗽𝗼𝗿 𝘃𝗲𝘇𝗲𝘀, 𝘃𝗶𝗮𝗷𝗲 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼𝗿𝗮𝗿𝗶𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗲𝘅𝗽𝗼𝘀𝗶çõ𝗲𝘀.”

Deste modo, a autora desloca a obra do museu para o presente. A pergunta deixa de ser apenas artística e torna-se social.

O desterro já não acontece apenas por decreto

Helena Sacadura Cabral lembrou que, no passado, o desterrado era alguém afastado da própria terra. Hoje, defendeu, essa condição continua a existir, embora sob outras formas.

“𝗔𝗻𝘁𝗶𝗴𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲, 𝗼 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗲𝗿𝗿𝗮𝗱𝗼 𝗿𝗲𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝘃𝗮 𝗮𝗾𝘂𝗲𝗹𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝗿𝗮 𝗲𝘅𝗽𝘂𝗹𝘀𝗼 𝗱𝗲 𝘀𝘂𝗮 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗮 𝗲 𝗼𝗯𝗿𝗶𝗴𝗮𝗱𝗼 𝗮 𝘃𝗶𝘃𝗲𝗿 𝗹𝗼𝗻𝗴𝗲 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝘂 𝗹𝘂𝗴𝗮𝗿 𝗱𝗲 𝗼𝗿𝗶𝗴𝗲𝗺. 𝗛𝗼𝗷𝗲, 𝗲𝗺𝗯𝗼𝗿𝗮 𝗼 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼 𝗻𝗲𝗺 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗮𝗰𝗼𝗻𝘁𝗲ç𝗮 𝗽𝗼𝗿 𝗱𝗲𝗰𝗿𝗲𝘁𝗼, 𝗺𝗶𝗹𝗵õ𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀 𝘃𝗶𝘃𝗲𝗺 𝘀𝗶𝘁𝘂𝗮çõ𝗲𝘀 𝘀𝗲𝗺𝗲𝗹𝗵𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀. 𝗦ã𝗼 𝗼𝘀 𝗿𝗲𝗳𝘂𝗴𝗶𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗳𝗼𝗴𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗮𝘀, 𝗽𝗲𝗿𝘀𝗲𝗴𝘂𝗶çõ𝗲𝘀 𝗲 𝗱𝗲𝘀𝗮𝘀𝘁𝗿𝗲𝘀 𝗻𝗮𝘁𝘂𝗿𝗮𝗶𝘀, 𝗱𝗲𝗶𝘅𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘁𝗿á𝘀 𝗮𝘀 𝘀𝘂𝗮𝘀 𝗰𝗮𝘀𝗮𝘀, 𝗳𝗮𝗺í𝗹𝗶𝗮𝘀 𝗲 𝗺𝗲𝗺ó𝗿𝗶𝗮𝘀, 𝗲𝗺 𝗯𝘂𝘀𝗰𝗮 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗿𝗮𝗻ç𝗮.”

Assim, a reflexão liga a figura do desterrado às pessoas obrigadas a abandonar casa. A palavra antiga ganha, no texto, uma atualidade dolorosa.

Excluídos dentro do próprio país

No entanto, Helena Sacadura Cabral alargou o conceito. Para a autora, nem todos os desterrados de hoje atravessam fronteiras.

Também há quem se sinta estrangeiro dentro da própria sociedade. A exclusão, nesse caso, nasce da pobreza, da marginalização ou da discriminação.

“𝗠𝗮𝘀 𝗼𝘀 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗲𝗿𝗿𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼𝗿â𝗻𝗲𝗼𝘀 𝗻ã𝗼 𝘀ã𝗼 𝗮𝗽𝗲𝗻𝗮𝘀 𝗮𝗾𝘂𝗲𝗹𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗮𝘁𝗿𝗮𝘃𝗲𝘀𝘀𝗮𝗺 𝗳𝗿𝗼𝗻𝘁𝗲𝗶𝗿𝗮𝘀. 𝗧𝗮𝗺𝗯é𝗺 𝗽𝗼𝗱𝗲𝗺 𝘀𝗲𝗿 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀 𝗾𝘂𝗲, 𝗱𝗲𝗻𝘁𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝘀𝘂𝗮 𝗽𝗿ó𝗽𝗿𝗶𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲, 𝘀𝗲 𝘀𝗲𝗻𝘁𝗲𝗺 𝗲𝘅𝗰𝗹𝘂í𝗱𝗮𝘀 𝗲 𝘀𝗲𝗺 𝗽𝗲𝗿𝘁𝗲𝗻𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼. 𝗣𝗼𝗯𝗿𝗲𝘀, 𝗺𝗼𝗿𝗮𝗱𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗿𝘂𝗮, 𝗺𝗶𝗴𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀, 𝗺𝗶𝗻𝗼𝗿𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗶𝘀𝗰𝗿𝗶𝗺𝗶𝗻𝗮𝗱𝗮𝘀 𝗲 𝗴𝗿𝘂𝗽𝗼𝘀 𝗺𝗮𝗿𝗴𝗶𝗻𝗮𝗹𝗶𝘇𝗮𝗱𝗼𝘀, 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗮𝘀 𝘃𝗲𝘇𝗲𝘀 𝘃𝗶𝘃𝗲𝗺 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗲𝘀𝘁𝗿𝗮𝗻𝗴𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀 𝗲𝗺 𝘀𝗲𝘂 𝗽𝗿ó𝗽𝗿𝗶𝗼 𝗽𝗮í𝘀, 𝘀𝗲𝗺 𝗮𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼 𝗽𝗹𝗲𝗻𝗼 𝗮 𝗱𝗶𝗿𝗲𝗶𝘁𝗼𝘀, 𝗼𝗽𝗼𝗿𝘁𝘂𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀 𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼.”

Neste ponto, a publicação ganha uma dimensão política e humana. O desterro já não é apenas ausência de terra, mas ausência de lugar.

O desterro emocional na sociedade digital

A autora destacou ainda uma forma menos visível de afastamento. Numa época marcada pela ligação digital, há pessoas cada vez mais sozinhas.

Helena Sacadura Cabral chamou-lhe desterro emocional. Trata-se de uma solidão feita de incompreensão e afastamento dos laços comunitários.

“𝗔𝗹é𝗺 𝗱𝗶𝘀𝘀𝗼, 𝗻𝘂𝗺𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗰𝗮𝗱𝗮 𝘃𝗲𝘇 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗰𝗼𝗻𝗲𝗰𝘁𝗮𝗱𝗮 𝗱𝗶𝗴𝗶𝘁𝗮𝗹𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲, 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗮𝘀 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀 𝗲𝘅𝗽𝗲𝗿𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗺 𝘂𝗺 𝘁𝗶𝗽𝗼 𝗱𝗲 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼 𝗲𝗺𝗼𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹. 𝗦𝗲𝗻𝘁𝗲𝗺-𝘀𝗲 𝗶𝘀𝗼𝗹𝗮𝗱𝗮𝘀, 𝗶𝗻𝗰𝗼𝗺𝗽𝗿𝗲𝗲𝗻𝗱𝗶𝗱𝗮𝘀 𝗲 𝗮𝗳𝗮𝘀𝘁𝗮𝗱𝗮𝘀 𝗱𝗼𝘀 𝗹𝗮ç𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝘁á𝗿𝗶𝗼𝘀, 𝗾𝘂𝗲 𝗱ã𝗼 𝘀𝗲𝗻𝘁𝗶𝗱𝗼 à 𝘃𝗶𝗱𝗮. 𝗔𝘀𝘀𝗶𝗺, 𝗼 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼 𝗮𝘁𝘂𝗮𝗹 𝗽𝗼𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗿 𝗴𝗲𝗼𝗴𝗿á𝗳𝗶𝗰𝗼, 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗹, 𝗰𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮𝗹 𝗼𝘂 𝗮𝗳𝗲𝘁𝗶𝘃𝗼.”

Deste modo, a reflexão ultrapassa a ideia tradicional de deslocação. O desterro pode acontecer sem mala, sem viagem e sem fronteira.

Um apelo à dignidade e ao pertencimento

Na parte final da publicação, Helena Sacadura Cabral deixou um convite à reflexão coletiva. Pensar nos desterrados de hoje é, para a autora, reconhecer formas persistentes de exclusão.

“𝗥𝗲𝗳𝗹𝗲𝘁𝗶𝗿 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗾𝘂𝗲𝗺 𝘀ã𝗼 𝗼𝘀 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗲𝗿𝗿𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗵𝗼𝗷𝗲 é 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗲𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗮 𝗲𝘅𝗰𝗹𝘂𝘀ã𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶𝗻𝘂𝗮 𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗲 𝘀𝗼𝗯 𝗱𝗶𝗳𝗲𝗿𝗲𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝘀. 𝗧𝗮𝗺𝗯é𝗺 é 𝘂𝗺 𝗰𝗼𝗻𝘃𝗶𝘁𝗲 à 𝘀𝗼𝗹𝗶𝗱𝗮𝗿𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲, 𝗮𝗼 𝗿𝗲𝘀𝗽𝗲𝗶𝘁𝗼 𝗽𝗲𝗹𝗮 𝗱𝗶𝘃𝗲𝗿𝘀𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 à 𝗰𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂çã𝗼 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗼𝘀 𝗽𝗼𝘀𝘀𝗮𝗺 𝗲𝗻𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗮𝗿 𝘂𝗺 𝗹𝘂𝗴𝗮𝗿 𝗱𝗲 𝗽𝗲𝗿𝘁𝗲𝗻𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗲 𝗱𝗶𝗴𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲.”

Assim, a publicação transforma uma obra de arte do século XIX numa pergunta sobre o presente. Quem são hoje os desterrados? E que lugar lhes é dado?

Veja a publicação AQUI.

- Publicidade -

Destaques

António Ribeiro Telles após regressar ao Campo Pequeno: «A minha vida é ser toureiro e acho que morro toureiro»

António Ribeiro Telles após regressar ao Campo Pequeno: «A...

Morante abriu a Porta Grande numa noite em que o Campo Pequeno voltou a acreditar no impossível

Morante abriu a Porta Grande numa noite em que...

Rúben Pacheco Correia: o talento que a televisão deixou demasiado tempo à espera

Rúben Pacheco Correia: o talento que a televisão deixou...

Florence + The Machine deu ao NOS Alive o melhor concerto da edição de 2026

Florence + The Machine deu ao NOS Alive o...
- Publicidade -

Reportagens

- Publicidade -

Artigos relacionados