Helena Sacadura Cabral identifica os hábitos que prejudicam a produtividade dos portugueses, em texto nas redes sociais.
Helena Sacadura Cabral partilhou uma reflexão sobre a produtividade em Portugal e rejeitou que o problema se explique apenas pela falta de esforço dos trabalhadores.
Numa publicação divulgada nas redes sociais, a economista colocou a organização do tempo, a gestão da atenção e a definição de prioridades no centro do debate.
Além disso, alertou para os efeitos das interrupções constantes, do excesso de tarefas e da ausência de descanso. Para Helena Sacadura Cabral, trabalhar mais horas nem sempre significa alcançar melhores resultados.
Trabalhar mais pode resultar apenas em maior cansaço
Helena Sacadura Cabral começou por questionar a forma como a produtividade dos portugueses é habitualmente discutida.
Na sua perspetiva, muitas análises ignoram fatores essenciais relacionados com a organização e as condições em que o trabalho é realizado.
“A PRODUTIVIDADE
Só se fala de falta da produtividade dos portugueses, mas não se olha o que nela é verdadeiramente importante. O problema da dita não é, na maioria das vezes, a falta de esforço. É a forma como o trabalho, a atenção e o tempo são geridos. Procurar fazer mais, nem sempre leva a melhores resultados e frequentemente, leva apenas a mais cansaço.”
Assim, a autora afastou a ideia de que a quantidade de trabalho é suficiente para medir o desempenho de uma pessoa.
O esforço pode existir, mas perder eficácia quando o dia é marcado por interrupções, prioridades pouco claras ou uma agenda impossível de cumprir.
Distrações e multitarefas reduzem a concentração
Na continuação da publicação, Helena Sacadura Cabral enumerou vários problemas que podem afetar diretamente a produtividade.
O primeiro está relacionado com as distrações provocadas pelas plataformas digitais e pelos contactos permanentes.
“Do lado dos problemas associados à produtividade, incluem-se
• Excesso de distrações: notificações, redes sociais, e-mails e interrupções constantes fragmentam a atenção e reduzem a capacidade de concentração.
• Multitarefas: alternar continuamente entre tarefas diminui a eficiência e aumenta a probabilidade de erros.”
Desta forma, a economista chamou a atenção para a fragmentação do trabalho. Cada notificação ou interrupção obriga a pessoa a abandonar uma tarefa e a recuperar depois o raciocínio.
Também a tentativa de executar várias atividades em simultâneo pode criar uma falsa sensação de rapidez. Contudo, segundo a reflexão, aumenta a possibilidade de falhas.
Falta de prioridades agrava sobrecarga de trabalho
Helena Sacadura Cabral destacou ainda a dificuldade de distinguir aquilo que é realmente importante quando todas as tarefas são apresentadas como urgentes.
“• Falta de prioridades: quando tudo parece urgente, torna-se difícil identificar o que realmente gera valor.
• Sobrecarga de trabalho: agendas demasiado cheias levam à fadiga, ao stress e ao risco de esgotamento.”
Uma agenda preenchida pode transmitir a imagem de um dia produtivo. Porém, a acumulação de tarefas também pode impedir que os objetivos principais sejam concretizados.
Além disso, a sobrecarga prolongada aumenta o desgaste físico e mental. O cansaço acaba, assim, por afetar a concentração, a capacidade de decisão e a qualidade do trabalho.
Perfeccionismo também pode atrasar resultados
Outro dos comportamentos identificados pela economista foi o investimento excessivo de tempo em aspetos com pouca influência no resultado final.
“• Perfeccionismo: investir tempo excessivo em detalhes pouco relevantes, atrasa a conclusão de tarefas importantes.
• Ausência de pausas: trabalhar durante longos períodos sem descanso reduz a capacidade cognitiva e a criatividade.”
Para Helena Sacadura Cabral, procurar melhorar constantemente cada pormenor pode atrasar tarefas prioritárias.
Ao mesmo tempo, trabalhar sem interrupções não representa necessariamente maior dedicação. A ausência de pausas pode diminuir a capacidade de pensar, criar e resolver problemas.
Estar ocupado não significa ser produtivo
A publicação avançou depois para uma distinção que Helena Sacadura Cabral considera essencial.
Uma pessoa pode passar o dia entre mensagens, reuniões e pequenas tarefas sem conseguir aproximar-se dos objetivos que realmente importam.
“Convém, também, não esquecer um problema mais profundo: muitas pessoas confundem estar ocupadas com ser produtivas. Responder a dezenas de mensagens ou participar em inúmeras reuniões, pode dar a sensação de progresso, sem que haja o avanço esperado nos objetivos mais importantes.”
Neste sentido, o número de atividades realizadas não deve ser confundido com o valor dos resultados alcançados.
A sucessão de reuniões e respostas pode preencher o horário de trabalho. No entanto, também pode retirar tempo às tarefas que exigem maior concentração.
Helena Sacadura Cabral propõe prioridades claras
Depois de identificar os principais problemas, a economista apresentou várias medidas para melhorar a gestão da produtividade.
“Do meu ponto de vista a abordagem mais eficaz passa por:
• Definir prioridades claras para cada dia.
• Reservar blocos de tempo para o trabalho foco.
• Eliminar ou reduzir distrações.
• Fazer pausas regulares.
• Avaliar os resultados alcançados, e não apenas o tempo investido.”
A definição de prioridades permite concentrar a energia nas tarefas com maior impacto. Por sua vez, os blocos de tempo ajudam a proteger os períodos de trabalho mais exigente.
Helena Sacadura Cabral defendeu também a redução das distrações e a realização de pausas. No final, a avaliação deve incidir no resultado e não apenas nas horas passadas a trabalhar.
Produtividade deve incluir qualidade e bem-estar
Na conclusão da reflexão, Helena Sacadura Cabral afastou novamente a ideia de que ser produtivo significa executar o maior número possível de tarefas.
“Por fim, creio que produtividade não significa fazer o máximo possível, mas sim, utilizar os recursos disponíveis — tempo, energia e atenção — para atingir os objetivos que realmente importam. Uma boa gestão da produtividade procura equilibrar desempenho, qualidade e bem-estar, em vez de maximizar só a quantidade de trabalho realizado.”
Assim, a economista defendeu um modelo que não sacrifique o bem-estar em nome da quantidade.
O tempo, a energia e a atenção são recursos limitados. Por isso, a produtividade deverá ser medida pela forma como são utilizados para atingir objetivos concretos, mantendo a qualidade do trabalho.
Veja a publicação AQUI.
