Pedro Chagas Freitas defende Sónia Araújo e Afonso e mobiliza apoio para Maria Flor

Pedro Chagas Freitas defende Sónia Araújo e Afonso e mobiliza apoio para Maria Flor, através das redes sociais.

Pedro Chagas Freitas publicou várias reflexões nas redes sociais, onde cruzou televisão, preconceito, solidariedade e saúde mental.

O escritor saiu em defesa de Sónia Araújo, considerando injusto que a apresentadora continue a ser reduzida à beleza. Além disso, condenou os ataques dirigidos a Afonso após a atuação com Zara Larsson.

Numa publicação de caráter solidário, deu também a conhecer a história de Maria Flor. A menina de quatro anos vive com uma doença genética rara e precisa de apoio para continuar as terapias.

Entretanto, Pedro Chagas Freitas partilhou ainda reflexões sobre felicidade, relações humanas, ansiedade e a necessidade de abandonar aquilo que não podemos controlar.

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Pedro Chagas Freitas defende percurso de Sónia Araújo

Uma das publicações foi dedicada a Sónia Araújo. O escritor começou por questionar se a beleza poderá transformar-se numa limitação para quem procura ser reconhecido pelo trabalho.

“Pode a beleza ser uma prisão?”

Logo depois, recordou a longa ligação da apresentadora à RTP e as várias etapas que marcaram o seu percurso profissional.

“Eu acho que a Sónia Araújo já deve estar farta de ser ‘a cara bonita’ ou ‘a mulher sensual’. Está na RTP há muitos anos. Não chegou ao lugar onde está por acidente.”

Pedro Chagas Freitas lembrou que Sónia Araújo passou pela dança, pela assistência de programas e pela apresentação diária. Com o tempo, tornou-se uma presença regular na televisão portuguesa.

“Fez um percurso longo, passou pela dança, pela assistência em programas, pela apresentação diária, tornou-se numa das figuras mais consistentes da televisão portuguesa.”

Apesar dessa experiência, considera que a competência das mulheres bonitas continua a ser apresentada como uma surpresa.

“Se uma mulher considerada bonita faz bem o seu trabalho, há sempre quem diga: ‘Até é competente.’”

Para o escritor, a utilização da palavra “até” retira importância a tudo aquilo que foi construído ao longo dos anos.

“O ‘até’ é cruel: são três letras que anulam décadas de trabalho.”

“A naturalidade é o último grau da competência”

Na mesma reflexão, Pedro Chagas Freitas classificou esta atitude como uma forma de preconceito apresentada sob a aparência de um elogio.

“É um preconceito disfarçado de elogio. É mais cómodo reduzir uma mulher ao rosto do que admitir que, por trás daquela pele, existe disciplina, estudo, inteligência emocional, capacidade de improviso, resistência, trabalho, brilho, talento.”

Além disso, chamou a atenção para o trabalho necessário até que uma pessoa consiga desempenhar determinada função com aparente facilidade.

“Quando alguém parece fazer uma coisa com facilidade, normalmente passou muitos anos a aprender a escondê-la: a naturalidade é o último grau da competência.”

Pedro Chagas Freitas apontou também o tipo de notícias frequentemente publicadas sobre Sónia Araújo. Muitas centram-se na elegância, no corpo e na idade da apresentadora.

“É curioso, e cruel, que ainda haja quem olhe para a Sónia sobretudo como um corpo. Basta ver as notícias que fazem sobre ela.”

“Quase todas são coisas assim: ‘veja como ela consegue estar elegante depois dos 50’ ou ‘Sónia Araújo mantém a sensualidade apesar da idade’. Que pobreza, não é?”

Para o autor, esta abordagem mostra a persistência de uma visão que trata algumas mulheres como elementos decorativos.

“Há uma parte muito pobre da humanidade que continua a olhar para mulheres bonitas como se fossem decoração. Não lhes perdoa terem conteúdo.”

A publicação terminou com uma reflexão sobre preconceito e uma mensagem direta à apresentadora.

“Deve ser isso o preconceito: transformar uma primeira impressão numa prisão perpétua.”

“Não ligues, Sónia.”

“Continua. E parabéns.”

Maria Flor é o único caso conhecido em Portugal

Noutra publicação, Pedro Chagas Freitas contou a história de Maria Flor, uma menina de quatro anos que vive em Esposende.

A criança tem acidúria D-2 hidroxiglutárica, uma doença genética rara com apenas 80 casos registados no mundo.

“A Maria Flor tem quatro anos. É uma daquelas crianças que já viveu mais do que tu e eu juntos.”

“Acidúria D-2 hidroxiglutárica. Nunca ouvira o nome até hoje.”

“Uma doença genética rara: há 80 casos registados no mundo. Um deles mora em Esposende. É o único em Portugal.”

O escritor conheceu os pais de Maria Flor durante uma sessão realizada em Barcelos. Na publicação, descreveu o impacto que o encontro teve em si.

“Vi os pais da Maria Flor numa sessão em Barcelos. Tinham a postura dos soldados que sobreviveram à guerra; ficaram com estilhaços no peito.”

A vida da família foi reorganizada em função das necessidades da menina. Daniela deixou o emprego e Ricardo passou a ter duas ocupações profissionais.

“A Daniela deixou de trabalhar para seguir a filha em todas as terapias; o Ricardo tem dois empregos para manter a casa, as contas, as dores.”

Família suporta elevados custos com as terapias

A publicação detalhou também algumas das despesas mensais suportadas pela família. As terapias representam um encargo fixo de 700 euros.

Além disso, Maria Flor necessita de equipamentos adaptados. Um dos carrinhos utilizados pela criança custou seis mil euros.

“Pagam 700 euros fixos em terapias, têm um carrinho adaptado que custou seis mil.”

Pedro Chagas Freitas contrastou estes valores com o apoio disponibilizado pelo Estado.

“O Estado, que nos invade com impostos e campanhas sobre empatia, oferece uma terapeuta ao domicílio, uma vez por semana. Uma. Por semana.”

A doença afeta diferentes capacidades de Maria Flor. Não existe, neste momento, a certeza de que a menina venha a conseguir andar.

“A Maria Flor não anda. Não se sabe se algum dia andará.”

“Não ouve como devia, não vê como devia, não responde como devia.”

Contudo, há um gesto do pai que consegue provocar uma reação especial na criança.

“Ri-se quando o pai assobia.”

O sorriso de Maria Flor ganhou um significado central no relato partilhado pelo escritor.

“Esse riso é uma barricada contra o absurdo, uma forma delicada e feroz de dizer: ainda estou aqui. Ainda sinto, ainda me rio.”

“O assobio atravessa os diagnósticos, todas as probabilidades, todas as falências do mundo.”

Pais de Maria Flor continuam a procurar ajuda

Pedro Chagas Freitas recusou classificar Daniela e Ricardo como heróis. Na sua perspetiva, os dois não escolheram enfrentar o perigo que atingiu a família.

“A vida é um campo de batalha onde algumas crianças nascem já feridas.”

“Os pais da Flor não são heróis. Heróis são os que escolhem correr para o perigo; eles foram apanhados pelo perigo.”

Ainda assim, escolheram acompanhar a filha em todas as necessidades e procurar novas formas de apoio.

“Escolheram amar: amar com tudo, amar com fúria, amar como se disso dependesse a rotação do planeta. E depende.”

A família tem organizado iniciativas, campanhas e apelos para conseguir assegurar as terapias e os equipamentos necessários.

“Eles mexem-se por ela. Inventam eventos, campanhas, apelos, milagres.”

“Estão a lutar contra uma estatística, a tentar vencê-la com poesia.”

Entretanto, o escritor contrapôs as prioridades financeiras da sociedade com as necessidades concretas de Maria Flor.

“Num país onde o futebol vale milhões e a publicidade nos grita todos os dias sobre a importância de comprar merd@s, há uma menina com uma doença com nome de código genético que precisa de uma maca de banho e de mais fisioterapia.”

Apesar de todas as limitações, Maria Flor continua a sorrir.

“Ainda assim, ri-se.”

Contactos divulgados para apoiar a menina

No final da publicação, Pedro Chagas Freitas sublinhou que a história não procura oferecer uma lição. Mostra apenas uma realidade enfrentada diariamente pela família.

“Não há moral nesta história; há realidade.”

Perante as dificuldades, o escritor identificou duas respostas possíveis.

“Por vezes, só há duas hipóteses: desistir ou amar. Para quem ama, só há uma. Eles escolheram-na.”

Para quem pretenda contribuir, foi divulgada a página criada para acompanhar Maria Flor, assim como os dados bancários e os contactos de MB Way.

“Se quiserem ajudar: @mundodaflor22”

“PT50 0010 0000 6218 1290 0016 3”

“MBWAY: 916510322 ou”

“913057823”

A publicação terminou com uma mensagem de incentivo.

“Força, Maria Flor.”

Ataques a Afonso motivam reflexão sobre homofobia

Afonso, o jovem que dançou com Zara Larsson no NOS Alive, foi também tema de uma publicação de Pedro Chagas Freitas.

Depois da atuação, o menor recebeu vários comentários ofensivos nas redes sociais. Algumas mensagens questionavam a sua orientação sexual devido à forma como dançou.

“O Afonso dançou em palco, foi feliz, e foi atacado, ofendido, questionado na sua sexualidade, como se isso interessasse para alguma coisa.”

Para o escritor, o ódio manifestado poderá estar relacionado com experiências e liberdades reprimidas no passado.

“Eu acho que o ódio pode ser nostalgia mal resolvida.”

Pedro Chagas Freitas recordou que muitos homens cresceram impedidos de demonstrar emoções ou adotar determinados comportamentos.

“Há homens que nunca puderam dançar, que nunca puderam chorar, que nunca puderam abraçar outro homem durante muito tempo, que nunca puderam dizer ‘tenho medo’, que nunca puderam ser delicados.”

Desde cedo, foram ensinados a identificar gestos e sentimentos como masculinos ou femininos.

“Chamaram-lhes nomes, ensinaram-lhes que havia gestos proibidos, que havia emoções masculinas e emoções femininas, que havia uma maneira certa de ocupar um corpo.”

“Eles acreditaram; depois cresceram.”

“A homofobia começa no policiamento da liberdade”

Segundo Pedro Chagas Freitas, algumas pessoas acabam por reproduzir a violência que sofreram durante o crescimento.

“Transformaram a violência recebida em violência oferecida. É assim que a homofobia sobrevive, é assim que o preconceito se instala.”

O escritor situou a origem desse preconceito nas frases dirigidas a crianças que demonstram comportamentos considerados diferentes.

“Instala-se quando um rapaz de sete anos ouve: ‘Não sejas menina’ ou ‘Não fales assim’ ou ‘Não corras dessa maneira’ ou ‘Não dances’.”

“A homofobia começa no policiamento da liberdade.”

Para o autor, os ataques não mostram qualquer problema relacionado com Afonso. Revelam, antes, as limitações e os receios de quem escreveu os comentários.

“O ódio não suporta um homem livre.”

“Aqueles comentários não falavam do Afonso; falavam do medo.”

Na mesma publicação, Pedro Chagas Freitas refletiu sobre as consequências de uma vida passada à procura da aceitação dos outros.

“Há pessoas que passam cinquenta anos a tentar recuperar a liberdade que tinham aos nove. Não conseguem.”

“A liberdade foi trocada por aprovação.”

A mensagem terminou com um apelo para que ninguém permita que a amargura dos outros determine a forma como vive.

“Passamos a vida a deixar que sejam os amargos a escolher a música da nossa vida, quando podíamos era estar a dançar que nem loucos no meio da nossa própria música.”

“Dança, Afonso. Dança.”

Escritor reflete sobre aquilo que deve ser dispensado

Numa publicação mais curta, Pedro Chagas Freitas escreveu sobre a relação entre felicidade, pensamento e capacidade de afastar o que deixou de ter utilidade.

“O grande segredo da felicidade não é não pensar; é dispensar.”

A ideia foi desenvolvida a partir da necessidade de reconhecer aquilo que pode ser retirado da vida.

“Dispensar o que é dispensável: o que nasceu para ser dispensável.”

Segundo o escritor, a felicidade depende dessa capacidade de deixar partir.

“Só quem dispensa o que tem de ser dispensável é que é feliz.”

Contudo, considera que essa decisão não resulta da ausência de reflexão. Pelo contrário, exige pensamento.

“E só é capaz de dispensar quem sabe pensar. Pensar a sério.”

Pedro Chagas Freitas terminou a publicação com uma distinção entre o simples ato de pensar e a capacidade de abandonar.

“Só os génios dispensam. Qualquer burro é capaz de pensar.”

“Mas dispensar está reservado a uma elite de predestinados. A uma elite de felicinados: de alienados de felicidade.”

“Quem te quer bem não te destrói aos poucos”

As relações humanas estiveram também presentes nas reflexões partilhadas. Pedro Chagas Freitas começou por estabelecer limites claros para aquilo que considera ser uma relação saudável.

“Quem te quer bem não te destrói aos poucos.”

De seguida, enumerou comportamentos que não devem ser confundidos com afeto ou preocupação.

“Quem te quer bem não te dá elogios envenenados, silêncios oportunos.”

“Quem te quer bem não brinca com a tua ansiedade.”

“Quem te quer bem não desaparece nos dias em que o mundo te cai em cima.”

O escritor rejeitou também as relações construídas através de testes constantes ou de exigências emocionais.

“Quem te quer bem não te testa, não te mede, não te espreme.”

Pelo contrário, a presença certa deverá trazer uma sensação de tranquilidade.

“Quem te quer bem é quem te faz sentir leve sem que precises de fugir.”

“Quem te quer bem fica.”

Duas formas de olhar para os outros

Na parte final da publicação, Pedro Chagas Freitas dividiu as pessoas entre aquelas que prejudicam e as que ajudam a ultrapassar dificuldades.

“Há dois tipos de pessoas: as que te afundam; as que te ensinam a nadar.”

A diferença foi depois ilustrada através de uma chávena de café.

“Há dois tipos de pessoas: as que olham para a chávena do outro para ver se precisa de mais café; as que olham para a chávena do outro para ver se tem mais café do que a sua.”

A reflexão encerrou com uma pergunta dirigida aos leitores.

“Sabemos mesmo qual dos dois é o nosso tipo?”

Pedro Chagas Freitas escreve sobre ansiedade e controlo

A necessidade de aceitar aquilo que não depende de nós foi o centro de outra publicação. O escritor começou por propor um gesto simbólico para afastar essas preocupações.

“Manda à merda o que está fora do teu controlo: escreve num papel, dobra-o em quatro, enfia-o num envelope, atira-o ao lixo.”

Para quem precise de tornar o momento mais expressivo, deixou uma alternativa.

“Ou rasga-o com os dentes, se precisares de alguma teatralidade.”

Pedro Chagas Freitas defendeu que aquilo que não pode ser controlado não deve continuar a ocupar permanentemente o pensamento.

“Se está fora do teu controlo, tem de estar fora da tua cabeça.”

A mente já carrega preocupações, culpas e memórias suficientes.

“A cabeça já tem culpa, ruído, noites mal dormidas, aquele arrependimento recorrente. Não precisas de importar mais porcaria.”

Medo não impede que algo corra mal

O escritor admitiu que passou grande parte da vida a tentar controlar os acontecimentos através do pensamento.

“Passei a vida toda a tentar controlar tudo com a mente.”

Durante muito tempo, acreditou que a preocupação poderia funcionar como uma proteção contra acontecimentos negativos.

“Julgava que se me preocupasse muito acontecia menos desgraça.”

“O medo era um ritual de proteção, uma oferenda às entidades do destino.”

A experiência levou-o, porém, a rejeitar essa ideia.

“Balelas: a ansiedade é um imposto invisível que pagamos por viver.”

Para Pedro Chagas Freitas, quanto maior for o esforço para controlar aquilo que não depende de uma pessoa, maior será o desgaste.

“Quanto mais tentas controlar o que não depende de ti, mais te afundas.”

O escritor defendeu, por isso, a necessidade de encontrar formas de afastar temporariamente os pensamentos que provocam sofrimento.

“Tens de te distrair do que te mata. Não ignores, não sublimes. Distrai-te.”

“O universo está a borrifar-se”

Pedro Chagas Freitas apelou a uma mudança de perspetiva perante as preocupações. O mundo continuará a avançar, mesmo sem o esforço constante para controlar tudo.

“Levanta os olhos do chão, olha à volta, aceita que o globo vai continuar a girar com ou sem o teu esforço hercúleo para que tudo corra bem.”

“O universo está a borrifar-se.”

Essa constatação pode ser recebida de duas formas diferentes.

“Pode ser libertador ou deprimente. Tu escolhes.”

O escritor revelou depois a escolha que fez e o processo que procura seguir.

“Eu escolhi sair do túnel.”

“Estou a aprender a deixar o descontrolo em paz, a deixar a chuva cair sem pensar se vai estragar os planos, a desligar o telefone sem remorsos.”

A publicação aproximou-se do final com uma expressão de desprendimento.

“Que se lixe.”

Para Pedro Chagas Freitas, existem momentos em que a indiferença, quando devidamente utilizada, poderá proteger a saúde mental.

“Há alturas em que o maior acto de sanidade é uma boa dose de indiferença bem administrada.”

“Sem culpa, sem desculpa.”

O texto terminou com a defesa de um afastamento sereno daquilo que não pode ser resolvido.

“Com o silêncio poético de mandar tudo à merda com elegância.”

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