Pedro Chagas Freitas homenageia Tássia Camargo e recorda apoio durante internamento do filho

Pedro Chagas Freitas homenageia Tássia Camargo e recorda apoio durante internamento do filho, nas redes sociais.

Pedro Chagas Freitas prestou uma homenagem pública a Tássia Camargo, recordando a proximidade e o apoio da atriz brasileira durante o internamento de Benjamim.

O escritor começou por recordar uma das maiores dores vividas pela artista: a morte da filha Maria Júlia, aos dois anos. A partir dessa perda, destacou a humanidade com que Tássia Camargo continuou a relacionar-se com os outros.

A morte da filha de Tássia Camargo

Sem procurar diminuir a dimensão da tragédia, Pedro Chagas Freitas descreveu a perda de uma criança como uma ferida que altera definitivamente a vida de uma mãe.

«A Tássia Camargo perdeu uma filha aos dois anos. Não há metáfora que aguente isto, não há anestesia para essa amputação.»

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Para o autor, uma perda desta natureza não permite regressar à pessoa que existia anteriormente. O que resta é continuar, ainda que tudo tenha mudado.

«Quando uma mãe perde um filho, não enterra uma criança; enterra-se a si própria em várias camadas. Ninguém volta. No máximo, continua-se.»

Pedro Chagas Freitas reconheceu que Tássia Camargo teria motivos para se fechar perante o mundo e viver permanentemente marcada pela revolta.

«A Tássia podia ter ficado ali: soterrada. Podia ter ficado amarga, seca, opaca, revoltada, apagada. Podia ter olhado para o mundo como se tudo fosse uma ofensa pessoal. Em parte, seria justo.»

Contudo, segundo explicou, a atriz seguiu um caminho diferente e transformou a experiência de sofrimento numa disponibilidade ainda maior para cuidar dos outros.

«Mas não. A Tássia escolheu o improvável: ser ainda mais humana, ainda mais intensa: ainda mais imensa.»

O apoio durante o internamento de Benjamim

Durante o período em que Benjamim esteve internado, Tássia Camargo manteve um contacto frequente com Pedro Chagas Freitas e com a família.

O escritor recordou-a como uma das presenças mais constantes durante uma fase dominada pela incerteza e pelo receio.

«Durante o internamento do Benjamim, em plena sala de espera da incerteza, houve poucas presenças tão constantes, tão generosas, tão absolutamente comoventes.»

A atriz escrevia regularmente, perguntava pela evolução da criança e tentava encontrar formas de ajudar, mesmo estando fisicamente distante.

«Raros foram os dias em que a Tássia não escreveu, não perguntou, não quis ajudar, não quis abraçar. Com palavras, com atenção verdadeira. Genuína: dolorosamente genuína.»

Nas conversas mantidas ao longo desse período, Tássia Camargo falou sobre a filha e partilhou aquilo que sentia em relação a Benjamim.

«Falou-nos do que viveu, da sua menina, da sua Maria Júlia, que onde quer que estivesse estava a cuidar de nós; falou-nos do que sentia: das vibrações que o Benjamim lhe transmitia, da beleza do seu olhar, da esperança que sentia nele.»

«Proteger, à distância, a vida de uma criança»

Pedro Chagas Freitas interpretou essa proximidade como uma tentativa de proteger Benjamim com a mesma entrega que Tássia Camargo teria dedicado à própria filha.

«Estava a dizer-nos que procurava proteger, à distância, a vida de uma criança como se fosse a dela. Talvez fosse.»

Para o escritor, quem enfrenta a morte de um filho desenvolve uma sensibilidade particular perante o sofrimento e a fragilidade de outras crianças.

«Quem perdeu uma filha pequena guarda um radar, uma forma de escuta que os outros não têm.»

Mesmo depois do internamento, o interesse da atriz pelo estado de Benjamim e pela família não terminou.

«Ainda hoje, pergunta por ele, pergunta por nós. Um gesto simples, que vem de um abismo.»

Pedro Chagas Freitas recorda Tássia Camargo em Tieta

Na parte final da homenagem, Pedro Chagas Freitas estabeleceu uma diferença entre a imagem pública da atriz e a pessoa que conheceu fora da televisão.

«Quem vem do abismo e ainda assim é luz é um milagre. Ou é a Tássia.»

O primeiro contacto do escritor com o trabalho da artista aconteceu através da telenovela Tieta, produção brasileira que ajudou a aumentar a projeção de Tássia Camargo.

«Vi-a pela primeira vez em Tieta: o Brasil parava para a conhecer. Ali, percebi que era uma actriz maior.»

Atualmente, a admiração de Pedro Chagas Freitas ultrapassa o percurso artístico e centra-se, sobretudo, na forma como a atriz enfrentou a dor sem perder a capacidade de acompanhar os outros.

«Hoje, percebo que é uma alma rara.»

A publicação terminou com um agradecimento direto a Tássia Camargo, tanto pelo trabalho desenvolvido como atriz como pelo apoio prestado à família.

«Obrigado, Tássia. Pela arte, claro; mas, acima de tudo, pela coragem de continuares a iluminar.»

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