Jhon Durán chega ao Benfica para escrever novo capítulo após carreira marcada por polémicas fora dos relvados.
Fotografia: Sport Lisboa e Benfica
Jhon Durán tem apenas 22 anos, mas o percurso que o trouxe até ao Benfica já atravessou Colômbia, Estados Unidos, Inglaterra, Arábia Saudita, Turquia e Rússia. Apontado desde muito jovem como um talento acima da média, o avançado colombiano chega agora às mãos de Marco Silva com a oportunidade de encontrar a estabilidade que tantas vezes lhe faltou numa carreira onde os golos conviveram com episódios disciplinares e várias polémicas.
O Benfica anunciou oficialmente a chegada do avançado, por empréstimo do Al-Nassr, a 20 de julho. Desde então, Durán já começou a mostrar serviço e marcou na goleada por 6-1 frente ao Hearts, na Liga Europa.
Para perceber a dimensão do desafio que agora enfrenta na Luz é preciso, contudo, recuar alguns anos.
De promessa mundial à chegada à Premier League
Ainda no Envigado, clube onde iniciou a carreira profissional, Jhon Durán começou a despertar atenções fora da Colômbia. Em 2020, foi incluído pelo The Guardian entre 60 dos jovens futebolistas mais promissores do mundo.
Seguiu-se a mudança para o Chicago Fire e, em janeiro de 2023, o salto para o futebol europeu através do Aston Villa. Foi em Inglaterra que a exposição aumentou e começaram também a surgir episódios que contribuíram para a reputação de jogador difícil de gerir.
Ao longo da passagem pelo clube de Birmingham foram noticiados atrasos aos treinos e outros problemas relacionados com a disciplina. Dentro de campo, um dos casos de maior repercussão aconteceu diante do Newcastle, quando Durán recebeu cartão vermelho direto após pisar Fabian Schär. O Aston Villa tentou reverter a decisão, mas o avançado acabou suspenso por três encontros.
A imprensa britânica noticiou ainda um conflito relacionado com a habitação onde o colombiano viveu, com uma indemnização reclamada pelo senhorio devido a alegados danos provocados no imóvel.
Gabriel Agbonlahor, antigo avançado do Aston Villa, viria posteriormente a mostrar-se bastante crítico em relação à passagem de Durán pelo clube.
“Parece que todos os treinadores que o têm querem livrar-se dele. Se o queria de volta ao Aston Villa? Não. Ele provocou vários problemas no balneário.”
Problemas chegaram também à seleção da Colômbia
O talento nunca deixou de ser reconhecido, mas as dúvidas em torno do comportamento acompanharam Durán também ao serviço da seleção colombiana.
Durante a Copa América de 2024, o avançado teve uma utilização reduzida. O jornalista colombiano Carlos Antonio Vélez associou a situação a questões disciplinares, afirmando que o jogador “não cumpriu com a disciplina, nos últimos dias”.
Poucos meses depois, uma nova mudança parecia oferecer-lhe a oportunidade de começar de novo.
Em janeiro de 2025, Jhon Durán deixou definitivamente o Aston Villa e assinou pelo Al-Nassr, numa transferência avaliada pela imprensa internacional em cerca de 80 milhões de dólares.
A passagem pela Arábia Saudita começou com golos, mas não demorou até surgir mais um episódio disciplinar. Ao quarto encontro, o colombiano foi expulso depois de atingir Abdulellah Al-Malki na zona da nuca no final de uma partida.
Fenerbahçe trouxe outra controvérsia
Seis meses depois de chegar à Arábia Saudita, Durán voltou à Europa para representar o Fenerbahçe por empréstimo.
Na Turquia, voltou a estar no centro das atenções durante um dérbi frente ao Galatasaray. Depois de marcar, realizou um gesto com as mãos junto à zona genital que motivou uma participação junto das autoridades disciplinares do futebol turco.
Também circularam notícias de um alegado conflito com José Mourinho devido à chegada tardia do colombiano à pré-temporada. Foram inclusivamente atribuídas ao treinador português declarações particularmente duras sobre Durán.
Esse episódio, porém, foi oficialmente desmentido pelo próprio Fenerbahçe. O responsável pela comunicação da equipa principal, Alper Yemeniciler, esclareceu que Mourinho não tinha feito as declarações que lhe estavam a ser atribuídas e confirmou que o jogador se tinha juntado ao estágio da equipa em Portugal.
A passagem de Durán pela Turquia acabaria por terminar antecipadamente. Seguiu-se, já em fevereiro de 2026, um empréstimo ao Zenit, da Rússia.
Do Zenit para uma nova oportunidade na Luz
Nem na Rússia Durán encontrou a continuidade procurada. Logo na estreia pelo Zenit voltou a chamar a atenção por um lance mais agressivo, recebendo um cartão amarelo depois de agarrar Vítor Tormena pelo pescoço.
A experiência russa terminou poucos meses depois e abriu caminho a mais uma mudança. O destino seria Portugal.
O Benfica avançou para o empréstimo do colombiano numa altura em que Marco Silva procurava reforçar o ataque para a temporada 2026/27. A transferência representa mais uma oportunidade para um jogador que, apesar de ter apenas 22 anos, já passou por um número invulgar de clubes e campeonatos.
O talento continua a não ser colocado em causa. A grande interrogação estará na capacidade de Durán para transformar potencial em regularidade e deixar para trás a sucessão de episódios que tantas vezes desviaram as atenções do que consegue fazer dentro das quatro linhas.
Na Luz começa, por isso, um capítulo diferente. Jhon Durán chega com a responsabilidade de marcar golos, mas também com algo a provar: que a oportunidade no Benfica pode representar finalmente o ponto de estabilidade numa carreira que, até aqui, tem avançado quase sempre à velocidade do seu enorme potencial.
