Benfica entrega petição no Parlamento para suspender centralização dos direitos televisivos

Benfica entrega petição no Parlamento para suspender centralização dos direitos televisivos, anunciou em comunicado.

Fotografia: Rui Pereira

O Benfica avançou para a Assembleia da República com uma petição que pretende travar a implementação do modelo de comercialização centralizada dos direitos audiovisuais do futebol profissional, aprovado recentemente.

A iniciativa, intitulada Pela suspensão e revisão do Modelo de Comercialização Centralizada dos Direitos Audiovisuais, tem Rui Costa como primeiro subscritor e foi entregue esta sexta-feira, 7 de agosto. Depois de validada, deverá ficar disponível durante 60 dias na plataforma eletrónica do Parlamento para consulta e subscrição dos cidadãos.

O clube da Luz pretende que a aplicação do atual modelo seja suspensa até ser realizada uma avaliação independente das suas consequências técnicas, económicas e jurídicas.

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Benfica alerta para risco de perda de valor dos clubes

Na posição apresentada, os encarnados defendem que uma alteração desta dimensão não pode avançar sem uma análise mais aprofundada e sem uma participação efetiva dos clubes profissionais.

“A iniciativa sustenta que uma reforma com esta dimensão e impacto deve assentar em fundamentos técnicos sólidos, transparência, responsabilidade e ampla participação dos clubes e dos restantes agentes do setor.”

Entre os argumentos apresentados estão as mudanças verificadas no mercado audiovisual, tanto ao nível tecnológico como nas novas formas de distribuição e consumo de conteúdos.

O Benfica considera igualmente que continuam por concretizar reformas estruturais necessárias para aumentar o valor global do futebol português.

“Entre as razões apresentadas estão a profunda transformação do mercado audiovisual, resultante da evolução tecnológica e das novas formas de distribuição e consumo de conteúdos, e a ausência de reformas estruturais indispensáveis à valorização do futebol português.”

Direitos televisivos são uma das principais fontes de receita

Uma das maiores preocupações manifestadas pelo clube prende-se com o eventual impacto financeiro do modelo aprovado.

Para o Benfica, qualquer mudança na comercialização dos direitos televisivos terá de proteger as receitas atualmente geradas pelos clubes e evitar consequências na capacidade de investimento ou na competitividade das equipas portuguesas.

“A petição alerta igualmente para o risco de perda de valor económico e patrimonial. Sendo os direitos audiovisuais uma das principais fontes de financiamento dos clubes, qualquer alteração ao modelo deve salvaguardar as receitas, a capacidade de investimento, a sustentabilidade financeira e a competitividade nacional e internacional.”

Os encarnados defendem também que a revisão deve acontecer através de um processo transparente e participado, com adesão voluntária dos clubes e respeito pelas regras da concorrência.

Benfica quer clubes a controlar entidade responsável pela centralização

Outro dos pontos defendidos na petição está relacionado com a estrutura acionista da entidade que ficará responsável pela comercialização centralizada dos direitos.

O Benfica entende que o controlo não deve sair das mãos dos próprios clubes profissionais.

“A iniciativa propõe ainda que o capital social da entidade responsável pela centralização permaneça sob a titularidade e o controlo dos clubes profissionais.”

A posição das águias é clara quanto ao princípio que deverá orientar todo o processo: a centralização só fará sentido se permitir aumentar receitas e fortalecer as competições nacionais.

“A centralização dos direitos audiovisuais deve contribuir para reforçar os clubes, valorizar o futebol português e aumentar as suas receitas, não podendo transformar-se num fator de desvalorização, fragilização financeira ou perda de competitividade. Proteger o futuro do futebol português é uma responsabilidade coletiva.”

Com a entrega da petição, o Benfica formaliza assim a oposição ao modelo atualmente previsto e procura levar o debate sobre a centralização dos direitos televisivos até à Assembleia da República.

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