Padre Ricardo Esteves fala do luto após uma separação: «Coração partido não é apenas uma força de expressão»

Padre Ricardo Esteves fala do luto após uma separação: «Coração partido não é apenas uma força de expressão», disse.

Nem todos os lutos começam com a morte. O padre Ricardo Esteves usou as redes sociais para refletir sobre a dor provocada pela partida de alguém que continua vivo, mas decidiu terminar uma relação e seguir outro caminho.

O sacerdote rejeitou que esta perda seja tratada como um sofrimento menor, lembrando que uma separação não destrói apenas a relação: leva também os planos, as certezas e o futuro que duas pessoas tinham imaginado.

«Ser deixada ou deixado dói»

«Sabes, existem lutos que não vem da morte. Vem de alguém que continua vivo… mas escolheu partir», começou por escrever.

Ricardo Esteves reconheceu que esta dor é, muitas vezes, desvalorizada por quem está de fora.

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«Algumas pessoas descartam este tipo de dor, consideram esta dor menos importante. Mas posso dizer-te que ser deixada ou deixado dói. E é uma dor que dói na “pele” e na alma», afirmou.

Para o sacerdote, a expressão coração partido traduz um sofrimento que não se limita ao campo emocional.

«Coração partido não é apenas uma força de expressão. Porque algumas dores emocionais também doem no corpo, também adoecem o coração», considerou.

O fim de uma relação pode ainda levar quem foi deixado a questionar o próprio valor e tudo aquilo que viveu até então.

«Não é apenas o fim de uma relação. É o fim de planos, das certezas, do futuro que se havia imaginado… e isso faz questionar a vida que se viveu, quem foste, qual o teu valor, a tua história», escreveu.

As perguntas que surgem depois da partida

Ricardo Esteves recordou que é no momento da separação que muitas pessoas percebem verdadeiramente a dimensão do amor que sentiam.

«O amor não conhece a sua profundidade total até à hora da separação. Por isso algumas partidas doem tanto», observou.

É também nessa altura que aparecem as dúvidas sobre aquilo que poderia ter sido feito de outra forma.

«É ê aí que começam os “e se…?”. E se eu tivesse feito diferente? Chorado mais? Lutado mais? Insistido mais?», questionou.

Apesar destas interrogações, o padre defendeu que amar verdadeiramente não pode significar prender alguém que já não deseja permanecer na relação.

«Não podes querer alguém simplesmente porque tu queres que fique. Deves querer alguém que seja livre e livre escolha ficar contigo», afirmou.

Aprender a deixar partir

O sacerdote reconheceu que uma das etapas mais dolorosas deste luto passa por aceitar a decisão de deixar a outra pessoa seguir o seu caminho.

«Vão existir momentos que vais questionar tudo, vais revisitar lugares e sentimentos, possibilidades e até outros caminhos», escreveu.

Ainda assim, Ricardo Esteves deixou uma certeza que, na sua opinião, deve prevalecer: «Jamais quereres alguém que não tenha a absoluta certeza de que quer estar contigo».

Aceitar a partida, acrescentou, não obriga a negar aquilo que foi sentido durante a relação.

«E não é pelo simples facto de deixares partir que tens de negar o amor que um dia te fez querer que ficasse», concluiu, desejando aos seguidores um dia feliz, «sempre com Deus no coração».

Veja a publicação AQUI.

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