Futebol chocolate antes do bocejo: Benfica vence Aarhus por 3-1

Futebol chocolate antes do bocejo: Benfica vence Aarhus por 3-1, na noite desta quinta-feira no Estádio da Luz.

Fotografia: S.L. Benfica. – Instagram

O Benfica venceu o Aarhus por 3-1 no Estádio da Luz, num encontro com duas partes bem distintas. Durante os primeiros 45 minutos, a equipa de Marco Silva apresentou um futebol rendilhado, criativo e capaz de abrir o apetite. Depois do intervalo, baixou o ritmo e limitou-se a controlar uma formação dinamarquesa claramente inferior.

Rafa, Leandro Barreiro e Pavlidis marcaram os golos encarnados. Jørgensen aproveitou o principal momento de desorganização defensiva do Benfica para reduzir, ainda antes do intervalo.

Circati apresentado e Marco Silva mantém o onze

Antes do início da partida, Alessandro Circati foi apresentado no relvado e recebeu os aplausos dos adeptos. O defesa-central australiano chegou ao Benfica proveniente do Parma.

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Marco Silva apostou no onze habitual deste início de temporada, com Samuel Soares na baliza. Bah e Dahl ocuparam as laterais, enquanto Tomás Araújo e Lenglet formaram a dupla de centrais.

Barrenechea e Leandro Barreiro surgiram no duplo pivô, com Rafa, Sudakov e Prestianni no apoio a Pavlidis.

Do outro lado, o Aarhus apresentou-se num 3x5x2 que se transformava num 5x3x2 durante o processo defensivo. Em determinados momentos, os dinamarqueses fecharam mesmo em 5x4x1 e procuraram atacar em 3x4x3. Ainda assim, maleável não significa necessariamente organizado ou compacto.

Rafa marcou antes de o jogo ter tempo para começar

O Benfica entrou logo a vencer, literalmente. Na primeira jogada do encontro, construiu pela direita e levou a bola até à área adversária. Entre carambolas e remates bloqueados, Rafa apareceu no sítio certo e colocou-a dentro da baliza. Decorria apenas o primeiro minuto. Melhor início era impossível.

A equipa encarnada manteve uma pressão altíssima e foi causando sucessivos calafrios aos dinamarqueses. Primeiro, Pavlidis intercetou um pontapé do guarda-redes. Pouco depois, Prestianni roubou a bola a um defesa e serviu Rafa, cujo remate acabou bloqueado.

O Aarhus tentou responder através das laterais, sobretudo pela esquerda, mas não criou qualquer oportunidade flagrante nos primeiros 15 minutos. O Benfica dominava o jogo, recuperava rapidamente a bola e instalava-se com facilidade no meio-campo contrário.

Aos 17 minutos, Leandro Barreiro entrou na área e rematou com força, mas ao lado. A brincar, salvaguardando a seriedade do jogo, o Benfica já podia ter construído uma vantagem bastante confortável.

Dois minutos depois, Prestianni recebeu dentro da área e procurou o canto da baliza. Christiansen teve de voar para impedir o segundo golo.

Triangulações, movimentos e um segundo golo anunciado

O Benfica trocava a bola com qualidade e juntava essa circulação às constantes mudanças posicionais dos jogadores mais adiantados. Rafa, Sudakov, Prestianni e Pavlidis procuravam combinações rápidas, triangulações e situações de superioridade numérica em espaços reduzidos.

Aos 26 minutos, Rafa voltou a criar perigo. Depois de uma jogada desenvolvida pela direita, o internacional português recebeu dentro da área e aplicou uma trivelada. Christiansen esticou-se junto ao relvado e voltou a evitar o golo.

O segundo surgiu aos 30 minutos. Num contra-ataque rápido, Rafa rematou para defesa do guarda-redes e ficou a pedir uma grande penalidade por alegado empurrão. O árbitro nada assinalou, mas, na sequência do pontapé de canto, Leandro Barreiro apareceu na área e encostou para o 2-0.

A vantagem era justa, embora o Benfica tenha permitido que o Aarhus regressasse ao jogo cinco minutos depois. A defesa encarnada foi apanhada completamente desorganizada e Jørgensen aproveitou o espaço para rematar colocado, já dentro da área, reduzindo para 2-1.

Pavlidis teve uma oportunidade flagrante aos 40 minutos. O avançado apareceu isolado, mas rematou de pé esquerdo para defesa de Christiansen.

Já aos 45 minutos, após intervenção do VAR, foi assinalada uma grande penalidade a favor do Benfica. Pavlidis assumiu a responsabilidade e não desperdiçou, fixando o resultado em 3-1 antes do intervalo.

Futebol chocolate com um ligeiro travo amargo

O Benfica completou uma primeira parte de grande nível. Foi um futebol chocolate, doce, criativo e capaz de deixar água na boca aos adeptos, embora com o travo amargo do golo sofrido.

Rafa, Prestianni e Pavlidis formaram o trio mais perigoso, com o argentino novamente em destaque. Prestianni parece endiabrado neste início de temporada e voltou a combinar irreverência, velocidade e capacidade para desequilibrar.

O Aarhus regressou do intervalo mais organizado e conseguiu reduzir os espaços. Os primeiros dez minutos da segunda parte passaram sem grandes acontecimentos, com o Benfica em posse e os dinamarqueses concentrados na proteção da baliza.

Aos 55 minutos, o conjunto visitante fez uma dupla alteração. Jørgensen e Rösler saíram para as entradas de Tchamche e Carstensen.

Marco Silva respondeu aos 65 minutos, refrescando o meio-campo com Richard Ríos no lugar de Leandro Barreiro. Seis minutos depois, Prestianni e Pavlidis deram lugar a Schjelderup e John Durán.

Segunda parte pediu manta e qualquer coisa quente

O primeiro momento capaz de provocar verdadeiro entusiasmo nas bancadas durante a segunda parte surgiu apenas aos 77 minutos. John Durán encontrou Schjelderup com um passe a rasgar para o lado esquerdo. O norueguês puxou para o pé direito e rematou, mas Christiansen desviou para canto.

Na equipa visitante, Knudsen, Emmery e Bogere também deixaram o relvado, entrando Jønsson, Links e Anderson.

Aos 83 minutos, Marco Silva esgotou as alterações ao retirar Sudakov e Rafa para lançar Aursnes e Kaminski. O regresso de Aursnes ao relvado foi recebido com um aplauso particularmente sonoro.

A segunda parte teve muito menos intensidade, menos risco e quase nenhuma emoção. Com o vento que se fazia sentir na Luz, teria dado jeito uma manta e qualquer coisa quente para aquecer o estômago e a alma.

Perante 59.137 espectadores, o Benfica venceu com inteira justiça. A extraordinária primeira parte resolveu o encontro e mostrou uma equipa capaz de praticar futebol bonito e envolvente. Depois, chegou o bocejo. Ainda assim, a formação de Marco Silva cumpriu diante de um adversário claramente inferior.

Onzes iniciais

Benfica: Samuel Soares; Bah, Lenglet, Tomás Araújo e Dahl; Leandro Barreiro e Barrenechea; Rafa Silva, Sudakov e Prestianni; Pavlidis.

Suplentes: Trubin, Aursnes, Lukébakio, Kaminski, Manu Silva, Richard Ríos, Schjelderup, John Durán, Gabriel Índio, Daniel Banjaqui, José Neto e Anísio Cabral.

Aarhus: Christiansen; Rösler, Camara e Kahl; Andersen, Jørgensen, Arnstad, Knudsen e Emmery; Bogere e Bech.

Suplentes: Hansen, Van der Raad, Solbakken, Links, Serra, Mølgaard, Jønsson, Anderson, Tchamche, Carstensen, Callø e Storch.

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