Miguel Moura vive noite de afirmação na Moita: “O público respondeu”, afirmou o cavaleiro em entrevista ao Infocul.pt.
Entrevista e Fotografia: Diogo Nora
Texto: Rui Lavrador
Miguel Moura não saiu da Praça de Touros Daniel do Nascimento deslumbrado pelas duas voltas nem pelo reconhecimento que recebeu das bancadas. No final da primeira corrida da Feira Taurina da Moita, o cavaleiro separou claramente as duas lides e assumiu que a segunda ficou abaixo daquilo que pretendia.
O primeiro touro de António Charrua, com 610 quilos, permitiu-lhe construir a atuação mais marcante da noite. Miguel Moura recebeu-o com um comprido em sorte de gaiola e cresceu na série de curtos, com destaque para a preparação da penúltima bandarilha. A brega ladeada, o temple e a reunião levantaram a praça.
O cavaleiro valorizou a qualidade do touro, mas não exagerou na análise do que tinha acabado de fazer.
“Penso que a primeira lide foi boa, positiva. O público respondeu e o touro tinha muita qualidade. Esta segunda lide foi um pouco a menos, não foi aquilo que eu pretendia. Mas é assim, é difícil. Nem sempre as coisas saem como nós queremos. Resta agradecer o carinho do público.”
“Uma corrida importantíssima na minha temporada”
Na segunda atuação, diante de outro touro de António Charrua, com 550 quilos, Miguel Moura voltou a dar volta. Manteve o temple e o cuidado na preparação das sortes, embora sem atingir o nível da primeira passagem pela arena.
A corrida ganhou ainda maior importância pela presença de Alejandro Talavante, uma das principais figuras do toureio a pé. Tomás Bastos completou o cartel da noite.
Para Miguel Moura, partilhar a abertura da Feira da Moita com o matador espanhol representou mais do que uma simples coincidência de nomes num cartaz.
“Sem dúvida, é uma corrida importantíssima na minha temporada. Para mim é um orgulho poder estar anunciado neste cartel com a figura que é Alejandro Talavante. E o Tomás Bastos também um dia o será, certamente.”
Apesar do peso da corrida, o cavaleiro garantiu que não alterou a preparação habitual. O trabalho mantém-se diário e a exigência, segundo explicou, não depende da praça ou dos nomes anunciados.
“A preparação é sempre diária e o compromisso é igual em todas as corridas: dar o meu máximo. Às vezes, as coisas correm como queremos; noutros dias, nem tanto. Há que reconhecer aquilo que fazemos menos bem, tentar corrigir, e é isso que faço.”
Miguel Moura abandonou a Moita com duas voltas e uma primeira lide que ficou na memória da corrida. Nas palavras, porém, preferiu não se esconder atrás do triunfo. Reconheceu o que resultou, apontou o que ficou aquém e seguiu caminho.
