Big Brother All Stars: Jéssica recorda perdas, relações difíceis e vontade de voltar a viver

Big Brother All Stars: Jéssica recorda perdas, relações difíceis e vontade de voltar a viver na Curva da Vida.

Na «Curva da Vida», a concorrente falou do bullying, da morte do avô e de problemas de saúde. Recordou também a relação com Cláudio Viana, elogiou Diogo Marcelino e explicou por que aceitou regressar à televisão.

Jéssica Maria Gomes entrou no Big Brother All Stars para se permitir voltar a viver depois de um período que descreveu como muito difícil. Na «Curva da Vida», transmitida na gala de domingo, 4 de outubro, a concorrente percorreu a infância, as primeiras experiências televisivas e as relações que marcaram o seu afastamento da exposição pública.

A família surgiu como uma referência constante. Nascida em Almada, a 24 de novembro de 1992, Jéssica agradeceu a dedicação dos pais e admitiu sentir que ainda não conseguiu retribuir tudo o que fizeram por si.

“Sinto que eles dedicaram muito da vida deles a mim e gostava muito de um dia poder retribuir isso tudo que eles… mas eu sinto que ainda não consegui”, confessou.

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Bullying alterou uma infância feliz

Jéssica descreveu a infância como “muito feliz”, mas contou que a entrada no quinto ano trouxe episódios de bullying, incluindo roubos, agressões e puxões de cabelo.

Entre as memórias mais difíceis, recordou uma rapariga que se aproximou como amiga e que, segundo o seu relato, a conduziu a uma situação de assalto.

“Ela ouve um assobio e diz: ‘Ah, são os meus amigos!’”, contou. Seguiu-se o encontro com dois rapazes de rosto tapado, que a ameaçaram com uma navalha e lhe retiraram um objeto oferecido pelos avós.

A experiência contribuiu, explicou, para a dificuldade em confiar nas pessoas.

A morte do avô e o problema de saúde

Jéssica identificou 2009 como o pior ano da sua vida, devido à morte do avô Miguel.

“O meu avô era fora de série, a minha vida como eu a conhecia tinha acabado aqui porque o meu avô era o coração da nossa família. Perdi completamente o amor pela vida e começo a ficar doente”, recordou.

Depois de várias deslocações ao hospital, a situação agravou-se.

“Na sexta vez que vou ao hospital já não conseguia andar em pé e então fazem-me um exame e aqui estava em risco de vida. Tive um princípio de uma trombose. Eu não tenho dúvidas que foi a minha tristeza e eu lembro-me do médico querer falar com os meus pais e eu ter ouvido que tinha 24 horas de vida”, afirmou.

A associação entre o sofrimento emocional e o problema de saúde foi feita pela própria concorrente, no relato da sua experiência.

“Eu sinceramente não queria saber, porque a vida tinha deixado de fazer sentido para mim. Além do princípio de trombose pulmonar, o médico diz que descobrimos um problema no sangue que é para a vida toda”, acrescentou, identificando esse problema como esferocitose.

Pensar nos pais ajudou-a a reagir

Foi a preocupação com os pais que alterou a forma como enfrentou o momento.

“Já tínhamos perdido uma pessoa e se me perdessem a mim, como é que os meus pais iam ficar?”, recordou ter pensado.

Jéssica contou que passou a noite acordada e que a doença sanguínea a acompanha desde então, com necessidade de medicação.

“É incrível como é que uma perda nos provoca estas coisas todas”, refletiu.

A inscrição na Casa dos Segredos 3, em 2012, surgiu mais tarde como uma oportunidade de mudança. A experiência de convivência trouxe-lhe uma sensação de aceitação.

“Foi incrível porque de repente entro numa casa com personalidades tão diferentes, com pessoas tão diferentes, e eu conseguia dar-me com toda a gente e toda a gente gostava de mim. Fiquei muito feliz”, afirmou.

Relação com Cláudio Viana marcou saída do programa

Foi nessa edição que se apaixonou por Cláudio Viana, embora não tenha mencionado o nome do antigo companheiro durante a partilha. Jéssica contou que se entregou “a cem por cento”, mas encontrou uma realidade diferente ao sair.

“Assim que eu saio, contam-me logo que a pessoa que eu me tinha apaixonado tinha uma relação com uma pessoa conhecida de Itália”, afirmou.

Segundo explicou, a sua primeira reação foi preocupar-se com ele.

“Na altura não me preocupei comigo, preocupei-me com a pessoa. Eu vi a pessoa muito mal. Então, mais uma vez, esqueci-me de mim”, lamentou.

A concorrente contou que as entrevistas e participações televisivas acabavam por se concentrar no namorado, mesmo quando era convidada a falar do seu próprio percurso.

“Quando chego ao quarto do hotel e digo à pessoa que não aguento mais, que não consigo mais ir falar sobre mim e as pessoas estarem-me sempre a falar sobre ti, é aí que percebo que essa pessoa não era assim tão minha amiga”, disse.

A entrevista que quebrou a confiança

As presenças em eventos também se tornaram difíceis de suportar.

“Em todas as presenças que fazia, vomitava, não aguentava mais que uma hora”, recordou.

Numa dessas ocasiões, um jornalista pediu uma entrevista ao casal. Jéssica não queria falar, mas contou que o companheiro aceitou e que, quando começou a sentir-se mal, insinuou uma gravidez.

“E ele começa a dar a entender ao jornalista que eu estava grávida”, afirmou.

A concorrente identificou esse episódio como decisivo para a perda de confiança.

“Nesse dia vi que não podia confiar nele. Aliás, todas as coisas que ele me fez, vi que não podia confiar nele. Houve mesmo muita coisa. Envolveu faltas de respeito, dinheiro, mentiras, traições. Mas naquele dia vi que ele não era feito da mesma massa que eu. Foi uma coisa horrível. Como é que a pessoa que estava ali à minha frente estava a mentir daquela maneira? Aquela pessoa só estava preocupada em ser a capa”, declarou.

Questionada sobre se o antigo companheiro a tinha amado, respondeu: “Não sei.”

Diogo Marcelino foi quem a fez mais feliz

Depois do segundo lugar no Secret Story – Desafio Final 2, em 2014, Jéssica participou em A Quinta: O Desafio, em 2016, onde se aproximou de Diogo Marcelino.

Sobre essa relação, deixou um testemunho diferente.

“Ele foi a pessoa que me fez mais feliz até hoje. Não tenho isto para lhe apontar”, afirmou.

Ainda assim, o casal enfrentou críticas que pesaram na sua vontade de continuar exposta.

“Eu e o Diogo sofremos imenso. Chamavam-me de tudo”, recordou.

Jéssica decidiu então afastar-se: “Chega, chega de entrar em programas, chega de redes sociais”, pensou. Diogo abriu um bar e ela criou a sua loja e salão de estética.

“A minha vida foi assim mais pacata. Eu meio que desapareci”, resumiu.

“Consegui libertar-me de um sítio mesmo muito escuro”

A concorrente referiu o que chamou de “dia do apagão” como um ponto de mudança na sua vida.

“Consegui libertar-me de um sítio mesmo muito escuro”, disse, antes de refletir sobre um padrão que identifica nas relações mais recentes.

“Fui a escolhida. As pessoas é que se interessam por mim e são persistentes. Eu depois acabo por olhar para elas e pensar: ‘Esta pessoa faz estas coisas todas por mim’, e acaba por me enganar”, afirmou.

Contou ter vivido experiências “tão horríveis” que a conduziram a uma “depressão gigante”. Ao perceber “as coisas que tinha permitido viver”, sentiu vergonha e dificuldade em olhar para os pais.

A forma como encara o futuro amoroso ficou marcada por esse percurso.

“Não nasci para viver um amor verdadeiro. Acho que nasci para dar felicidade aos meus pais, para cuidar deles. Não acredito que vá casar ou que vá ter filhos. Não acredito em nada disso”, declarou.

Regresso à casa como oportunidade pessoal

O convite para o All Stars chegou quando estava na praia. Jéssica garantiu que “não pensei duas vezes” antes de aceitar.

“Ter entrado foi ter-me permitido viver, ter-me permitido ser eu. E eu sei que não vou ganhar este programa, mas estou muito feliz de estar aqui porque foi um grande desafio”, concluiu.

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