Messi despede-se da Argentina com golo, duas assistências e homenagem de Ronaldinho, nas redes sociais.
Lionel Messi terminou o seu percurso na seleção argentina com um golo e duas assistências, numa vitória por 3-0 sobre o Benim que deu lugar a uma homenagem no Monumental de Núñez. Aos 39 anos, o capitão disputou a sua 208.ª e última partida pela equipa principal, numa noite em que o futebol se prolongou em despedidas no relvado.
O estádio cheio acompanhou o último jogo entre aplausos, cânticos e lágrimas. No final, junto da mulher, dos três filhos e dos companheiros, Messi recordou o pai, falou das dificuldades vividas ao longo de mais de duas décadas e agradeceu a quem o acompanhou.
Antes do encontro, Ronaldinho também lhe tinha dedicado uma mensagem nas redes sociais.
“Gostaria de continuar toda a vida”
As primeiras palavras de Messi depois da partida foram para o pai, falecido a 8 de agosto.
“É difícil dizer algo, são muitas emoções… o primeiro que penso é no meu pai”, afirmou, emocionado, no relvado do Monumental.
O argentino recordou os “mais de 20 anos” ao serviço da seleção e os “momentos difíceis” que atravessou, garantindo que nunca perdeu a vontade de representar o país.
“Mas, mesmo nos piores momentos, nunca deixei de lutar, de querer estar sempre presente. Juro que gostaria de continuar toda a vida, pois é a melhor coisa pela qual se pode passar”, declarou.
A despedida chegou depois de uma carreira internacional marcada por títulos, finais perdidas e pelo regresso da Argentina à conquista de um Campeonato do Mundo.
Messi recorda o título mundial e a campanha de 2026
No discurso, o capitão destacou a vitória no Mundial de 2022 e a participação na edição de 2026, terminada nas meias-finais diante da Inglaterra.
“Cumprimos o sonho de voltarmos a ser campeões do Mundo e, no último Mundial [2026], estivemos perto, mas o jogo com a Inglaterra [2-1 nas meias-finais] provocou um grande desgaste em todos. Mas, demos tudo. Aliás, todos os companheiros com quem joguei deram sempre tudo por esta camisola”, afirmou.
Entre os jogadores presentes estava Ángel Di María, já retirado da seleção, que se juntou à homenagem.
Messi agradeceu aos “guerreiros que deram a vida” e o ajudaram a conquistar o Mundial, a Copa América e a Finalíssima, antes de dirigir uma mensagem aos adeptos.
“Sou um agradecido por tudo o que me tocou viver e a vocês, aos adeptos, agradeço terem estado sempre presente, terem enchido estádios por todo o mundo para nos apoiar, fazendo para isso um esforço enorme. Vou sentir a vossa falta.”
Do jogo “mais lindo” ao “dia mais triste”
O argentino recuperou a memória do primeiro encontro no Monumental depois do título mundial de 2022, que descreveu como o “mais lindo que viveu”.
A partida com o Benim, apesar da festa, ficou associada ao “dia mais triste” da carreira, por assinalar o fim da sua presença na seleção.
“Agora vou estar do vosso lado, a apoiar. Temos de estar sempre unidos, pois assim seremos mais fortes. Ganhámos porque tínhamos um grupo forte, só assim se podem conseguir objetivos grandes”, afirmou.
Terminou com uma declaração ao país: “Tenho um grande orgulho em ser argentino.”
Duas assistências antes do último golo
Dentro de campo, Messi participou nos três golos argentinos. Aos 48 minutos, marcou o canto que permitiu a Nicolás Otamendi inaugurar o marcador. O antigo capitão do Benfica interrompeu a sua própria despedida da seleção para acompanhar Messi neste último encontro.
Aos 61 minutos, o camisola 10 assistiu Nico Paz, que fez o segundo com um remate de fora da área.
O golo de Messi chegou aos 71 minutos, de grande penalidade. Depois de três penáltis consecutivos falhados, o avançado rematou forte e apontou o seu 126.º golo pela seleção principal. Os companheiros juntaram-se-lhe num abraço coletivo.
Até ao final, ainda teve oportunidade de voltar a marcar. Gianluca Prestianni, do Benfica, permaneceu no banco de suplentes.
Após o apito final, a homenagem incluiu atuações de Soledad Pastorutti e Ulises Bueno.
Ronaldinho recorda os primeiros passos no Barcelona
Nas redes sociais, Ronaldinho publicou uma mensagem antes do início do encontro, recordando a chegada de Messi à equipa principal do Barcelona, em 2004, quando o argentino tinha 17 anos.
“Que prazer e que alegria ter feito parte da tua história desde o primeiro dia, irmão! Fizeste-nos sorrir e deste-nos tanta alegria pelo futebol! O teu nome está gravado na história do teu país, do mundo inteiro… Só nós sabemos a alegria que sentimos quando realizamos o sonho de infância, representando a nossa nação e tornando-nos campeões mundiais! Deste tudo pela tua seleção e pelo teu país… Compreendo-te perfeitamente e sei que tudo o que está relacionado com a família nos faz repensar as coisas… Aproveita a vida, irmão. Desejo-te tudo de bom, hoje e sempre”, escreveu.
O brasileiro representou o clube catalão entre 2003 e 2008 e acompanhou de perto o início da carreira de Messi na equipa principal.
Um percurso de recordes com a camisola argentina
Messi estreou-se pela seleção principal a 17 de agosto de 2005 e terminou com 208 jogos, 126 golos, 68 assistências e 135 vitórias, registos que o colocam como recordista argentino nesses indicadores.
Conquistou o Mundial de 2022, as Copas América de 2021 e 2024 e a Finalíssima de 2022. Antes, tinha vencido o Mundial de sub-20 de 2005 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2008.
Em 2026, soma 36 golos e 20 assistências em 41 jogos, incluindo oito golos e quatro assistências na fase final do Mundial, números que sustentam a sua candidatura a uma nona Bola de Ouro.
No conjunto do percurso pelas equipas seniores, incluindo os sub-20 e sub-23 da Argentina e as equipas B e C do Barcelona, os registos apresentados nesta despedida apontam para 959 golos e 442 assistências em 1233 partidas.
No Monumental, a última contribuição pela seleção foi um golo. Depois dele, ficou a promessa de continuar a apoiar a Argentina do lado de fora.
