Joana Latino recorda agressão de antigo namorado: “Saí porta fora e acabou ali”, revelou a jornalista e comentadora.
Joana Latino revelou que foi agredida por um namorado durante a adolescência e explicou por que razão a sua reação não deve servir de medida para avaliar outras vítimas. O testemunho foi partilhado no Passadeira Vermelha de quarta-feira, 7 de outubro, durante a análise do processo que envolve José Castelo Branco e Betty Grafstein.
A jornalista recordou uma relação breve, marcada por comportamentos de controlo, que terminou depois de o então namorado lhe dar um estalo.
Pressão sobre a roupa e aquilo que bebia
Na conversa conduzida por Liliana Campos, com Filipa Torrinha Nunes e Zulmira Garrido em estúdio, Joana Latino descreveu a relação e os sinais que antecederam a agressão.
“Tive um namorado, aquilo era complexo a nossa relação… Durou muito pouco tempo, um mês para aí, foi na minha adolescência. Havia esta pressão em relação ao que eu vestia e até ao que eu comia, não era bem o que eu comia, era o que eu bebia e uma vez, numa discussão, claro que não em público, ele deu-me um estalo, foi o único estalo que eu levei na vida (…)”, contou.
A comentadora falou também do choque provocado pela agressão e da dificuldade de reagir naquele instante. No seu caso, conseguiu sair e pôr fim à relação.
“Há muita gente que não tem, não consegue”
Joana Latino sublinhou, porém, que ter conseguido afastar-se não significa que todas as pessoas encontrem condições para fazer o mesmo.
“Saí porta fora e acabou ali naquele momento, mas isso fui eu numa determinada altura da minha vida, porque todos nós estamos obviamente sujeitos a cair nisto, a ser engolidos por isto. Por acaso, naquele momento, eu tive a força suficiente para dizer ‘não, isto foi o culminar de uma série de coisas que já não estavam bem, vou sair’, mas há muita gente que não tem, não consegue”, afirmou.
O testemunho surgiu numa reflexão sobre o medo e as dificuldades de quem vive uma relação abusiva. Ao recuperar a própria experiência, a jornalista procurou precisamente afastar comparações que responsabilizem as vítimas por não conseguirem sair.
