Pentágono anuncia transmissão em direto da execução de Nidal Hasan, nos Estados Unidos da América.
O Pentágono anunciou que pretende transmitir em direto a execução de Nidal Hasan, o antigo psiquiatra militar condenado pelo ataque de 2009 em Fort Hood, no Texas. A execução por pelotão de fuzilamento está marcada para 3 de dezembro, embora o condenado ainda possa recorrer à justiça federal.
Pete Hegseth defendeu publicamente a decisão numa entrevista ao canal Real America’s Voice, na quinta-feira, 8 de outubro.
“Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público”, afirmou o secretário de Defesa norte-americano. “Porque as pessoas precisam entender que existem consequências sérias para esse tipo de coisa.”
Um responsável do Departamento de Defesa confirmou posteriormente a intenção de disponibilizar uma transmissão em direto, sem apresentar os pormenores da operação.
Execução foi aprovada por Donald Trump
Hegseth reiterou o método escolhido: “Vai receber um pelotão de fuzilamento, como deveria ser.”
Questionado sobre eventuais pedidos do condenado ou contactos com o presidente, respondeu: “Não me interessa. Nos veremos no dia 3 de dezembro.”
Segundo o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, Donald Trump aprovou a recomendação de execução por fuzilamento apresentada por Hegseth. Se avançar, será a primeira execução militar norte-americana desde 1961.
Hasan foi condenado à morte em 2013 pelo ataque de 5 de novembro de 2009, que matou 13 pessoas e feriu mais de 30 num complexo médico de Fort Hood. Durante o julgamento, admitiu a autoria dos disparos e associou o ataque à intenção de impedir o envio de militares para o Afeganistão.
Advogado questiona transmissão pública
A intenção de transmitir a execução suscitou críticas sobre a sua finalidade e sobre as questões jurídicas que levanta.
John Mills, advogado que acompanha processos de pena de morte, considerou: “Parece-me que foi concebido para ser um espetáculo grotesco.” Descreveu ainda a iniciativa como “uma decisão sem precedentes na era moderna e, portanto, situa-se em terreno jurídico incerto”.
O advogado lembrou que o percurso de recurso não está esgotado e contestou a utilidade da transmissão.
“Tentar transmitir ao vivo uma execução por fuzilamento é pouco mais do que uma tentativa da gestão Trump de chamar a atenção e é improvável que aconteça, muito menos que traga qualquer aparência de Justiça”, afirmou.
A data anunciada permanece sujeita aos desenvolvimentos judiciais. Um recurso de Hasan nos tribunais federais poderá atrasar a execução.
