Rute Sousa reage à nova lei do aborto em Massachusetts: “São autênticos demónios”, afirmou nas redes sociais.
A alteração das regras sobre a interrupção da gravidez no estado norte-americano de Massachusetts está a provocar fortes reações e chegou também às redes sociais portuguesas. Rute Sousa manifestou-se contra a nova legislação, usando palavras particularmente duras para condenar a decisão política e a cerimónia em que o diploma foi assinado.
A lei foi promulgada pela governadora Maura Healey a 10 de agosto e altera o regime aplicado às interrupções da gravidez a partir das 24 semanas. Até agora, a legislação enumerava quatro circunstâncias específicas para estes casos, relacionadas com a vida ou saúde física ou mental da grávida e com diagnósticos fetais graves. O novo texto elimina essa lista e estabelece que, a partir das 24 semanas, o procedimento pode ser realizado por um médico com base no respetivo julgamento profissional.
Importa, por isso, distinguir a redação da lei da expressão “aborto até ao nascimento”, utilizada pelos seus opositores: o diploma não usa essa formulação, mas deixa de estabelecer na lei um limite gestacional máximo e retira as quatro situações clínicas anteriormente enumeradas, remetendo a decisão após as 24 semanas para o julgamento profissional do médico.
Maura Healey defende decisão médica em casos complexos
A administração de Massachusetts apresenta a alteração como uma forma de permitir aos médicos responder a situações clínicas complexas sem ficarem limitados por uma lista fechada de diagnósticos. A própria informação oficial sobre a nova lei destaca casos de diagnósticos fetais devastadores, complicações graves da gravidez ou outras circunstâncias médicas complexas.
Maura Healey defendeu a medida colocando o foco nas famílias confrontadas com esses cenários.
“Hoje, mães, pais e famílias que vivem esses diagnósticos devastadores – e eles são devastadores, de partir o coração – agora poderão fazer as suas próprias escolhas.”
A alteração legislativa foi aprovada pela Câmara dos Representantes do Massachusetts por 119 votos contra 33, passou posteriormente pelo Senado e chegou à governadora no final de julho.
Organizações antiaborto contestam mudança
Do outro lado, organizações que se opõem à interrupção voluntária da gravidez reagiram de forma contundente e defendem a criação de limites a nível federal.
Marjorie Dannenfelser, presidente da SBA Pro-Life America, acusou a governadora de permitir abortos em fases muito avançadas da gestação.
“É revoltante que dezenas de milhares de americanos nascituros sejam barbaramente desmembrados, membro por membro, e dilacerados todos os anos. Infelizmente, esse número só aumentará com a aprovação do projeto de lei que permite o aborto até ao nascimento pela governadora Healey.”
A responsável defendeu ainda uma resposta federal: “Sem um padrão nacional mínimo, os EUA continuam a ser um dos únicos oito países no mundo que permitem o aborto em qualquer fase da gravidez.”
Esta última comparação é uma alegação da organização antiaborto e depende da forma como são comparadas legislações nacionais, nomeadamente exceções médicas e limites gestacionais, não constando do texto da lei aprovada no Massachusetts.
Rute Sousa: “Hoje vamos falar sobre aborto e a conversa não vai ser bonita”
A polémica atravessou o Atlântico e levou Rute Sousa, recentemente no centro da discussão pública devido à viagem de um grupo de influenciadores a Israel, a publicar uma reação nas redes sociais.
A criadora de conteúdos adotou precisamente a expressão utilizada pelos opositores da lei para descrever a alteração legislativa.
“Hoje vamos falar sobre aborto e a conversa não vai ser bonita. A partir desta semana, nos Estados Unidos, em Massachusetts, pode-se fazer abortos até ao momento do nascimento. Estamos a falar de abortar crianças completamente formadas.”
Rute Sousa prosseguiu com uma descrição particularmente gráfica daquilo que considera estar em causa e questionou a invocação dos direitos das mulheres como fundamento para a medida.
“Estamos a falar de agarrar num ser humano e desmembrá-lo peça por peça. Estamos a falar de agarrar e arrancar-lhe os braços, as pernas, o coração, a cabeça, tirá-los às postas. Estamos a falar de fazer procedimentos para aspirar crianças completamente formadas, matá-las, desmembrá-las. Isto em prol da defesa do direito das mulheres. E onde é que está o direito à vida destas crianças?”
As palavras correspondem à interpretação e condenação de Rute Sousa sobre a lei e não à descrição utilizada pelo diploma, que se limita a alterar os critérios legais aplicáveis aos procedimentos depois das 24 semanas.
Rute Sousa arrasa imagens da assinatura
A influenciadora mostrou-se igualmente indignada com as imagens da cerimónia em que a alteração foi formalizada e dirigiu críticas pessoais às responsáveis políticas que surgiam no momento.
“E o vídeo, o vídeo da assinatura do protocolo é completamente demoníaco. 3 ou 4 gajas, que não têm outro nome, vestidinhas com vestidos para passar uma ideia de que são muito pró-direitos das mulheres e que são muito queridas, e a rirem-se e a baterem palmas perante a morte e a mutilação e o desmembramento de crianças. Desculpem, mas são autênticos demónios que ali estão. Não tenho outra palavra para descrever aquilo que eu vi.”
A nova legislação entrou assim no centro de uma disputa que ultrapassa as fronteiras do Massachusetts. Enquanto os seus defensores argumentam que a decisão médica deve conseguir responder à complexidade de cada gravidez, os opositores consideram que a eliminação das condições específicas anteriormente previstas abre excessivamente a possibilidade de interrupções em fases avançadas da gestação.
