Cláudio Ramos alerta para sofrimento escondido: “Uma pessoa pode rir desalmadamente e estar rasgada por dentro”, destacou.
No Dia Mundial da Saúde Mental, o apresentador publicou uma reflexão sobre solidão, sinais de sofrimento e atenção aos outros. “Não é para meter um gosto. É para ler”, escreveu na imagem que acompanha a mensagem.
Cláudio Ramos assinalou este sábado, 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental, com um apelo à atenção para aquilo que nem sempre é visível no comportamento de quem nos rodeia. Numa publicação no Instagram, o apresentador falou sobre o sofrimento que pode coexistir com o riso e sobre a dificuldade de pedir ajuda.
A imagem escolhida para acompanhar o texto colocou a leitura acima da reação habitual nas redes sociais: “10 de Outubro (Não é para meter um gosto. É para ler).”
Ao longo da mensagem, Cláudio Ramos dirigiu-se aos seguidores para os desafiar a olhar com mais cuidado para os silêncios, os convites e as mudanças de comportamento das pessoas próximas.
O que pode estar por detrás de um convite para café
O apresentador começou por descrever o contraste entre a imagem de alguém animado e a solidão que essa mesma pessoa pode enfrentar:
“Uma pessoa pode rir desalmadamente e estar rasgada por dentro. Pode ser a animada do grupo e estar fechada em casa dias seguidos em silêncio porque o telefone não toca e disfarça essa ausência de contacto com retiro voluntário. Uma pessoa pode convidar para um café e nem sequer apreciar cafeína, talvez só queira um pretexto para escutar outra voz e interromper as horas de silêncio intermináveis.”
A reflexão prosseguiu com um alerta sobre o risco de interpretar o afastamento como uma simples preferência por estar sozinho:
“Uma pessoa pode escudar-se no ‘estar bem sozinha’ e o tempo vago obriga a cabeça a fazer viagens, cenários perigosos, conversas estranhas… Haverá um dia onde, todas as vidas que essa pessoa tocou, vão bater com a mão no peito e interrogar o que podiam ter feito para evitar que a cabeça tivesse andado às voltas num circuito viciado e tão veloz que não viu saída. Nessa altura é tarde! Entretanto há tempo.”
Um apelo a reconhecer os sinais
Cláudio Ramos defendeu depois uma maior atenção ao isolamento prolongado, apresentando a sua leitura sobre o sofrimento que pode permanecer escondido:
“Temos é de entender que não há silêncios voluntários se demorados. Não há gente sempre feliz a brincar de ser bem disposta. Ninguém opta por estar sempre sozinho se tem boa companhia. Ninguém quer ter a cabeça alucinada a questionar todos os porquês, a fazer perguntas e a inventar respostas. Ninguém merece ser depositado num lugar emocional onde não pertence mas de onde não consegue sair sem ajuda e, não se convençam que quem está dentro desse buraco vai pedir ajuda. Não vai!”
Na perspetiva do apresentador, a atenção deve chegar também a quem não consegue verbalizar o que está a sentir:
“A nossa responsabilidade emocional é tentar perceber se os pequenos sinais são escutados, ter a preocupação de entender o que cada pessoa não diz mas que muitas vezes está a dizer em silêncio, sossegada no seu canto mesmo que esse sossego seja disfarçado de gargalhada sonora e vida fingida. Mesmo que esteja colada a um lugar de onde quer sair. Só não é capaz!”
“Olhem para o lado”
A parte final da publicação foi dedicada a um pedido direto aos seguidores. Cláudio Ramos insistiu na importância de tomar a iniciativa de prestar atenção, em vez de esperar sempre por uma explicação de quem atravessa dificuldades.
“Somos todos responsáveis uns pelos outros. Olhem para o lado e não estejam à espera que o lado vos diga qualquer coisa. Uma pessoa com a cabeça em tal circuito não vos vai dizer. Muito pelo contrário. Não sejam egoístas e não finjam que não vêem só porque dá menos trabalho e mete menos medo. 10 de Outubro assinala o dia Mundial da saúde mental. É mais que uma coisa da moda. Confiem no que vos digo.”
O apresentador encerrou a mensagem com “Bom fim de semana 🍀”, depois de dedicar a publicação à necessidade de escutar e reconhecer o sofrimento dos outros.
