Marco Silva esclarece saída de Bah e elogia Sudakov após vitória do Benfica: “Andava à procura deste momento”

Marco Silva esclarece saída de Bah e elogia Sudakov após vitória do Benfica: “Andava à procura deste momento”, afirmou.

O treinador afastou uma recaída na antiga lesão de Bah, destacou o impacto dos suplentes no triunfo sobre o Vitória e reconheceu que a segunda parte ficou abaixo do pretendido. Tiago Margarido considerou que o segundo golo surgiu quando a sua equipa ainda discutia o resultado.

A vitória do Benfica sobre o Vitória de Guimarães, por 2–0, deixou Marco Silva satisfeito com os três pontos, mas não apagou as reservas sobre o que a equipa produziu depois de uma entrada dominadora. No rescaldo do encontro deste domingo, 11 de outubro, na Luz, o treinador explicou também a substituição de Alexander Bah, afastando uma ligação à lesão antiga do lateral, e destacou o golo de Sudakov, que confirmou o triunfo depois de Dahl ter aberto o marcador.

O internacional dinamarquês passou por um dia difícil antes do jogo e acabou por sair com pouca energia e desconforto na coxa. Marco Silva salientou a disponibilidade do jogador para ajudar a equipa, num encontro em que também não podia contar com Banjaqui.

Bah: “Não teve nada a ver com a lesão”

Na conferência de imprensa, o técnico esclareceu as circunstâncias da saída do defesa e pediu que fosse reconhecido o esforço feito para estar em campo:

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“Não, não teve nada a ver com a lesão. Estava com pouca energia e com alguma fadiga na coxa. Não interessa o porquê, felizmente está tudo bem. Ontem teve um dia muito difícil e há que expressar o nosso sentimento pela sua capacidade e resiliência de estar aqui connosco. Bem como o Banjaqui. Mas o Bah sentiu-se com pouca energia. Algum desconforto na coxa e decidimos fazer a alteração. Ele antes de sair acaba por me falar desse desconforto, mas nada a ver com a lesão antiga.”

Bah foi substituído por Sudakov, com Aursnes a recuar para lateral-direito. A alteração acabaria por ter consequências no marcador: o médio ucraniano fez o segundo golo pouco depois de entrar, aos 75 minutos, a passe de Echeverri.

Ainda aos microfones da BTV, Marco Silva já tinha sublinhado a entrega de Bah: “Bah fez um esforço muito grande para estar connosco e poder jogar. Ressentiu-se na segunda parte.”

O golo que Sudakov procurava

A entrada de Sudakov permitiu ao Benfica alargar a vantagem numa fase em que o resultado continuava em aberto. Para Marco Silva, o lance teve importância coletiva e individual.

“Muito importante [o golo]. Perguntaram-me muito sobre as assistências e os golos, e hoje jogou muito menos e marcou. Foi um golo muito importante para a equipa porque cimentou a nossa superioridade durante o jogo. E para ele é muito importante. Andava à procura deste momento há algum tempo e acaba por ser, não um alívio, mas um momento muito importante para ele”, afirmou na conferência.

Na entrevista à BTV, o treinador também felicitou o jogador: “Sudakov entrou bem e deu contributo com golo. É algo que andava à procura e é importante para ele. Todos os jogadores precisam de golos. Parabéns para ele e para a equipa. Três pontos importantes, agradecer aos adeptos, mais de 60 mil. Praticamente não demos oportunidades ao Vitória. Importante ganhar sem sofrer golos.”

Uma primeira meia hora que podia ter resolvido o jogo

Marco Silva considerou o triunfo justo e destacou a capacidade do Benfica para encontrar espaços, sobretudo no arranque, perante a organização defensiva dos visitantes.

“Uma vitória justíssima, da única equipa que criou oportunidades e fez mais para ganhar. Como nos competia e era nossa obrigação. Após um longo tempo sem jogar na Luz. E agradecer aos mais de 60 mil adeptos que estiveram no apoio constante à equipa. A nossa entrada foi de muita qualidade, com oportunidades flagrantes para resolver logo nos primeiros 30 minutos.”

O treinador explicou como a equipa respondeu ao plano adversário:

“Esperávamos algo do Vitória, a fazer uma linha de cinco e baixar um dos médios, e foi o que fizeram. Mas a realidade é que, mesmo dessa forma, fomos sempre capazes de criar muito boas dinâmicas. Encontrávamos sempre o Pavlidis e daí conseguíamos ligar. Criámos oportunidades e praticamente não permitimos aproximações. Lembro-me de um desvio do ponta-de-lança ao primeiro poste mas a bola nem chegou a sair enquadrada.”

As ligações entre os jogadores mais adiantados já tinham merecido destaque na BTV, onde Marco Silva salientou a influência de Schjelderup e Prestianni e a marcação ao argentino:

“Prestianni foi marcado praticamente a campo todo pelo primeiro médio do Vitória. Primeira meia hora muito boa da nossa equipa, bom futebol, boa dinâmica e energia. Jogo todo controlado, controlo com bola. Conseguimos ser pacientes, algo que sem razão aparente foi-nos faltando ter paciência com bola nos últimos 15 minutos da primeira parte e na segunda.”

Menos bola no ataque e decisões que desagradaram

A vantagem mínima ao intervalo deixou o Vitória na discussão. Marco Silva reconheceu que o Benfica perdeu capacidade para prolongar os ataques ainda antes do descanso.

“Nos últimos 15 minutos [da 1.ª parte] perdemos algum controlo, não conseguimos levar tanto a bola para o último terço ofensivo. Não estou a dizer que perdemos o controlo do jogo em si, mas sim a ‘arma’ de ter tanto a bola no meio-campo ofensivo. Tomámos decisões que não eram as melhores e não fomos tão acutilantes. Marcando um ou dois golos naquele momento tirávamos logo o acreditar ao adversário. Não o fizemos e com o 1-0 há sempre esse acreditar.”

A segunda parte trouxe novas dificuldades na circulação, levando o treinador a mexer:

“Na 2.ª parte perdemos muitas bolas sem razão e o Vitória nem alterou nada na pressão. E começámos a alterar. Com as entradas do Aursnes e do Echeverri, para nos dar mais qualidade com bola. Sabemos que o Leandro [Barreiro] também dá isso, mas queríamos ficar um pouco mais posicionados. Tiveram um bom impacto, mas com o desconforto do Bah precisámos de mudar novamente.”

“Podemos e devemos fazer melhor”

Apesar de valorizar a resposta do banco, o técnico não colocou a segunda metade ao nível exigido.

“O Sudakov teve impacto com o golo que fez, muito importante para ele e para a equipa. A 2.ª parte não foi ao nível que queremos e devemos, mas a realidade é que o Vitória tem uma oportunidade num cruzamento. De resto não têm um único remate enquadrado. Ganhar na Luz e sem sofrer golos, que é ainda mais importante. Depois, podemos e devemos fazer melhor.”

Na BTV, explicara que as primeiras alterações também responderam ao desgaste físico e ao cartão amarelo de Leandro Barreiro:

“Refrescar. Alguns jogadores sentiram mais de cansaço que o normal. Principalmente os que não tiveram tantos minutos nas seleções. Conseguimos entrar bem no jogo. O Leandro já tinha amarelo, o Aursnes é mais cerebral, o Echeverri para nos dar o que o Prestianni nos estava a dar. Tiveram um bom impacto.”

Aursnes no banco também foi uma decisão estratégica

A ausência de Aursnes do onze mereceu uma explicação mais detalhada na conferência. Marco Silva relacionou a escolha com a carga de jogos, os treinos e a necessidade de ter uma alternativa para o lado direito da defesa.

“Foi uma decisão [a ausência de Aursnes do onze]. Uma decisão nossa. Não houve nenhum aspeto [concreto]. Contando com o jogo com o Milan, e depois no fim-de-semana, o Fredrik faz seis jogos em 19 dias. Não tenho bem o número em mente. Chegou da seleção, treinou bem, e sentiu-se mais cansado num ou outro momento. Houve algumas questões que precisámos de avaliar.”

“A questão de não termos outro lateral-direito no banco, nem um central que pudéssemos adaptar à direita… E acabámos por precisar do Aursnes. Foi uma decisão dentro da estratégia para o jogo e dentro daquilo que foram os últimos dias de plano de treino. Felizmente para nós, o Aursnes acabou por jogar bastante no último mês e está mais do que preparado.”

Echeverri deixou sinais e uma assistência

Echeverri foi outro dos suplentes com participação direta no resultado. Além da assistência para Sudakov, teve uma oportunidade que o treinador destacou.

“Em relação ao Claudio [Echeverri], foram momentos importantes hoje connosco. Entrou bem no jogo, deu dinâmica à equipa. Quando entrou teve três ou quatro momentos de intensidade, e muitas vezes quando isso acontece sentem mais fadiga. E para quem vem do banco é normal. Mas foi importante na assistência, teve uma grande oportunidade num excelente movimento… E é isso que pretendemos dele. Com mais jogo e tempo connosco vai melhorar.”

Questionado sobre a possibilidade de fazer várias alterações no próximo encontro, Marco Silva deixou a decisão em aberto:

“Poderá ser possível… Neste momento, a decisão que tomámos foi olhar para alguns jogadores que poderão jogar na equipa B, e a partir daí iremos começar a preparar o jogo de quinta-feira. Também não teremos jogo no fim-de-semana, portanto será uma semana limpa. Iremos analisar o jogo, os jogadores, o adversário e depois tomaremos decisões.”

Tomás Araújo à esquerda para ajudar a construção

Na dupla de centrais com Circati, Tomás Araújo ocupou o lado esquerdo. A opção teve como principal motivo a saída de bola, esclareceu o treinador.

“Por incrível que pareça, o Circati jogou muito mais do que o Tomás à esquerda. O Tomás, mesmo nas camadas jovens, jogou sempre muito mais à direita. E sabemos que o Circati, quer numa linha de três ou quatro, faz muitos jogos à esquerda. A saída de bola é fundamental na nossa forma de jogar e o Tomás tem uma grande capacidade nesse momento.”

“É capaz de carregar a bola, conduzi-la e fixar o adversário com grande facilidade. E queríamos isso do lado esquerdo. Fixámos mais o Dahl, libertámos o Bah, e queríamos o Tomás no meio para nos dar isso. Mas são os dois rápidos, conseguem ir ao corredor se for preciso. Foi mais uma questão com bola.”

A paragem não tornou a equipa melhor

O triunfo também marcou o regresso à Luz depois da derrota com o FC Porto. Marco Silva rejeitou que a interrupção para os compromissos internacionais tivesse permitido melhorar a equipa.

“Foi uma paragem benéfica para alguns jogadores, mas não foi bom. Disse que, depois de um resultado negativo [frente ao FC Porto], o pior que podia acontecer era uma paragem. Temos de sentir esses resultados. Imaginem ficar quase três semanas sem poder jogar novamente com o apoio dos adeptos e conquistar mais 3 pontos… A equipa não melhorou, tivemos 14 ou 15 jogadores de fora…”

O técnico voltou a apontar diferenças no desgaste dos internacionais:

“E hoje senti alguns jogadores com um cansaço diferente. Para os que vão à seleção e acabam por jogar não se sente tanto, mas para quem não vai… São rotinas completamente diferentes durante duas semanas. Mas não há nada a fazer. É o que é, é o calendário e é importante conseguir vitórias de forma clara neste momento. E foi isso que conseguimos. Respondendo diretamente: não, a equipa não está melhor do que estava há 15 dias.”

Protestos e uma conversa com Prestianni

Confrontado com as suas reações no banco, Marco Silva respondeu com humor antes de reconhecer que nem sempre consegue controlar a intensidade com que acompanha os jogos.

“Vocês vão ver-me a protestar quando forem faltas nos jogadores do Benfica, não vou protestar faltas em jogadores do V. Guimarães… Vou ser honesto convosco (risos). Felizmente, hoje não aconteceu nada disso [polémicas] no jogo. Mas acho que é claro, há dois ou três momentos de faltas que deveriam ser para cartão amarelo. Se protestei mais ou menos não me lembro.”

“Vocês sabem e já reconheci isso, tento jogar o jogo com os meus jogadores no banco. Tento controlar-me, às vezes não consigo. Não vou fazer um papel que não é o meu. Às vezes sou mais ‘chato’ do que deveria, mas quando vemos coisas que não nos agradam assim tanto isso pode ter alguma influência nas reações.”

Sobre a conversa com Prestianni no relvado, depois do apito final, afastou qualquer problema:

“Em relação ao Prestianni, está tudo bem com ele. Fez mais um grande jogo. Foi uma conversa normal, estávamos a comentar sobre os nossos últimos 15/20 minutos. Foi algo mais tático. Mas também falei com o Durán, com o Sudakov depois… Aproveito esse momento porque damos quase ali uma volta olímpica e é importante passar algumas mensagens aos jogadores. O Prestianni gosta de ficar para o fim e de conversar comigo.”

“Amanhã tenho de convencer outra vez”

O treinador foi ainda questionado sobre a ligação aos adeptos, depois de ter distribuído autógrafos no final. Na resposta, recusou tratar essa relação como uma conquista definitiva.

“Convenci hoje porque ganhei, amanhã tenho de convencer outra vez e na quinta-feira outra vez. Penso assim no dia-a-dia. O futebol é muito volátil. Claro que é importante e foi um dos meus primeiros objetivos quando cheguei, mostrar aos adeptos o nosso desejo e a nossa capacidade de querer sempre mais. Isso é inegociável.”

“Podemos jogar melhor ou pior, mas há coisas inegociáveis e quem está do outro lado reconhece. Quem ama realmente o clube percebe quando os jogadores dão tudo. Tem sido uma equipa com uma determinação e atitude muito grandes. Felizmente para nós e para mim, com uma identidade clara e boas exibições.”

“Em relação ao convencer ou não, sei perfeitamente que o meu trabalho exige convencer os meus jogadores e, depois, os nossos adeptos. Não é algo que me faça pensar muito, porque sei que se conseguir dar o meu melhor irei fazê-lo. E aí acredito que os adeptos vão estar satisfeitos connosco.”

Tiago Margarido reconheceu a entrada forte do Benfica

Do lado do Vitória, Tiago Margarido admitiu as dificuldades iniciais, mas considerou que a equipa cresceu e conseguiu equilibrar o encontro.

“O Benfica teve uma entrada fortíssima, já esperávamos. Eles tinham vindo de um resultado menos bom, esperávamos uma entrada muito forte. Surpreenderam na questão do jogo interior, nas dinâmicas de terceiro homem, com Schjelderup e Prestianni a aparecerem muito de frente para o jogo, também o Pavlidis… Demorámos a encontrar-nos. Nos primeiros 20 ou 25 minutos, o domínio foi óbvio. Depois fomos crescendo, conseguimos meter mais bola e a equipa ganhou confiança”, analisou no rescaldo da partida.

A leitura sobre o segundo tempo diferiu da apresentada pelo treinador benfiquista:

“Na segunda parte estancámos essa questão do jogo interior, conseguimos ter mais bola, fazer mais o nosso jogo e dividimos bem a segunda parte. O segundo golo do Benfica sentencia o jogo e fez com que fôssemos abaixo. Mas, até aí, o jogo estava aberto. O golo acaba por surgir num momento de injustiça. Sentia que o Vitória estava bem, podíamos chegar eventualmente ao empate. É o 2-0 que dita o desenrolar do jogo. Ainda tivemos uma bola ao poste, penso que podemos encarar como um remate enquadrado.”

Essa oportunidade pertenceu a Telmo Arcanjo, aos 89 minutos, quando o remate do jogador encontrou o poste da baliza de Samuel Soares.

Cinco pontos em oito jornadas preocupam o Vitória

A quinta derrota no campeonato deixou os vimaranenses com cinco pontos em oito jornadas. Tiago Margarido assumiu a preocupação, mas manteve a confiança no trabalho desenvolvido.

“Estamos no caminho certo, de certeza absoluta. Estamos desde o início da época a construir uma equipa praticamente do zero, tivemos jogos onde fomos superiores e merecíamos ter mais pontos nesta altura. Isso é factual. Temos de insistir no nossos processo.”

O treinador apontou os próximos compromissos como oportunidades para traduzir essa evolução em resultados:

“Na paragem tentámos melhorar aquilo em que não temos estado tão bem, nomeadamente finalização e último terço. Acredito que vamos dar uma resposta fortíssima na Taça de Portugal e, depois, contra o Marítimo. Logicamente que estamos preocupados por ter cinco pontos em oito jornadas, mas a qualidade que apresentamos dá-nos garantias de que o futuro vai ser risonho.”

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