Mickaël de Oliveira pede demissão de Pedro Duarte após familiar chegar a casa ferido, através das redes sociais.
Foto: Pedro Duarte – Linkedin
Uma pessoa da família do dramaturgo chegou a casa com ferimentos depois da intervenção policial junto ao Teatro Rivoli, no Porto. O relato foi partilhado por Mickaël de Oliveira nas redes sociais, onde publicou imagens e criticou a atuação das autoridades contra os manifestantes pelo direito à habitação.
“Ontem, às 5h da manhã, um familiar meu chegou à nossa casa com várias feridas, algumas preocupantes”, escreveu esta quinta-feira, 15 de outubro.
O encenador e investigador apresentou a denúncia a partir da sua experiência familiar e da ligação à cidade, atribuindo as agressões ao Corpo de Intervenção da PSP.
“Enquanto cidadão, morador no Porto e artista que trabalha nesta cidade, sinto-me profundamente indignado e envergonhado com o que aconteceu nessa madrugada na Praça D. João I, frente ao Teatro Rivoli. Dezenas de manifestantes que dormiam nas tendas de protesto foram violentamente agredidos pelos cães dos governos: o Corpo de Intervenção da PSP”, afirmou.
“O que existiu ontem não foi cultura democrática”
Na publicação, Mickaël de Oliveira alegou que a intervenção atingiu pessoas em diferentes situações de vulnerabilidade e rejeitou a necessidade do uso da força.
“Houve pessoas espancadas. Jovens, menores, mulheres, pessoas com deficiência, sem-abrigo. O que existiu ontem não foi cultura democrática. Foi violência gratuita”, denunciou.
O dramaturgo comparou ainda o episódio com outros protestos pelo direito à habitação: “Já houve acampadas no mundo inteiro, ainda recentemente em Espanha, e nada de semelhante aconteceu”.
As acusações foram apresentadas pelo artista no seu relato público sobre os acontecimentos, que acompanhou com registos dos ferimentos.
Críticas dirigidas a Pedro Duarte e Montenegro
Mickaël de Oliveira contestou a justificação de que a polícia teria sido obrigada a intervir e dirigiu palavras particularmente duras a Pedro Duarte.
“Se Pedro Duarte tem problemas com a ‘limpeza’ do espaço público, devia ter sido político alemão na década de 30. Talvez tivesse mais sorte. Devia ter vergonha quem diz que a polícia foi ‘obrigada a intervir’. Obrigada a intervir contra pessoas que dormiam nas suas tendas às 3h da manhã, e que propuseram retirar a acampada a essa hora para evitar confrontos? Quem espalha esta informação falsa, com tanta estupidez e leviandade, devia responder em tribunal”, escreveu.
O autor invocou também o direito de manifestação: “As pessoas podem manifestar-se livremente, como consagra a Constituição. Ninguém autoriza uma manifestação. Quem acha o contrário desconhece o sentido da palavra democracia”.
A crítica estendeu-se a Luís Montenegro e à forma como os acontecimentos foram noticiados.
“Estou chocado com a falta de cultura democrática dos nossos dirigentes e envergonhado com as palavras de Pedro Duarte, de Montenegro e de parte da comunicação social. Isto não é uma questão de egoísmo. As palavras de Montenegro revelam uma grande imaturidade discursiva e uma enorme falta de sentido democrático, pouco dignas das funções que ocupa”, afirmou.
Apelo à oposição e a novo encontro na praça
Na parte final da publicação, o dramaturgo exigiu consequências políticas e pediu uma reação dos partidos da oposição.
“Pedro Duarte devia ter vergonha e demitir-se. Estendo o convite a todo o executivo que compactua com esta violência e peço à oposição que reaja, no Porto e no Governo central. Que Pedro Duarte fique isolado no seu esterco moral, longe desta bela cidade e da sua história de cidade livre”, declarou.
O texto terminou com um apelo à participação num encontro na Praça D. João I, anunciado para as 19h00 desta quinta-feira.
“Vivemos em democracia e vamos usá-la para proteger as nossas famílias e os direitos que a nossa Constituição nos dá, e que estes acontecimentos nos retiram. Que tenham vergonha também todos os que apoiam e votam neste tipo de políticos. Hoje, às 19h, há um encontro na mesma praça. Que venham todos os democratas e amigos da liberdade”, concluiu.
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