Ana Markl critica ataques a manifestantes pela habitação: “Rio-me deles. Para não chorar”, referiu nas redes sociais.
Ana Markl deixou uma mensagem a quem se coloca contra os manifestantes pelo direito à habitação: na sua perspetiva, muitos enfrentam as mesmas dificuldades daqueles que criticam, mas acreditam que estarão protegidos se escolherem o lado oposto. Numa publicação no Instagram, a comunicadora condenou a violência e os comentários de ódio, questionou as consequências do individualismo e apelou à participação nesta luta.
Com a legenda “As casas somos nós”, Ana Markl apresentou uma sequência de imagens dedicada ao tema “Sobre as manifestações pelo direito a termos um teto”. Ao longo do texto, defendeu que a falta de uma casa compromete as condições mais elementares da vida e que as consequências dessa privação ultrapassam quem hoje a enfrenta.
“Passam exatamente pelas mesmas privações”
Uma das passagens mais críticas da publicação foi dirigida a quem reage com hostilidade aos protestos. Ana Markl colocou lado a lado a violência física e os ataques nas redes sociais, sustentando que quem os pratica não está necessariamente a salvo das dificuldades que levam outras pessoas a manifestar-se.
“As pessoas carregadas de ódio, que carregam sobre os manifestantes – seja na forma de bastonadas ou comentários odientos nas redes sociais –, passam exatamente pelas mesmas privações.”
Na leitura da comunicadora, essa atitude nasce do medo e da expectativa de conseguir escapar individualmente a um problema coletivo.
“Só que têm tanto medo, que acham que se vão safar se estiverem do lado de lá. Rio-me deles. Para não chorar.”
O abrigo entre as necessidades essenciais
Para explicar a importância que atribui à luta pela habitação, Ana Markl começou por recorrer à hierarquia de necessidades de Abraham Maslow, destacando o lugar do abrigo entre as condições básicas de sobrevivência.
“Na pirâmide de Maslow, proposta pelo psicólogo Abraham Maslow, em 1943, a base são as necessidades fisiológicas, nomeadamente:”, escreveu numa das imagens, completando na seguinte: “Comer, beber, dormir, respirar, ABRIGO.”
A partir dessa referência, desenvolveu uma crítica à ideia de que a sociedade pode continuar a funcionar sem garantir essas condições às pessoas. Na sua argumentação, até o consumo de que depende o sistema económico fica comprometido.
“Não haverá mais nada além disso. Nem sequer sociedade de consumo, que é a base do capitalismo, tão proveitoso e gostoso para tantos. Quem não tem ABRIGO, não tem o que comer, o que beber, onde dormir.”
E acrescentou: “E, sem isso, não há forma de, nem sentido para, se respirar.”
Um aviso sobre o futuro dos filhos e dos netos
A reflexão estendeu-se às consequências que Ana Markl associa à falta de solidariedade. Para a comunicadora, procurar uma saída exclusivamente individual não impede que o problema alcance as gerações seguintes.
“Tenho más notícias para todos: na enxurrada do individualismo chico-esperto, caminham todos em direção ao mesmo ralo. Vocês, os vossos filhos e os vossos netos.”
Na imagem seguinte, prolongou esse aviso: “Mortos, esquecidos, sem glória, nem memória, nem património.”
O texto terminou com um apelo direto à consciência e à mobilização: “Ponham a mão no bolso e depois na consciência. Lutem.”
A acompanhar a mensagem, Ana Markl usou as hashtags “#habitaçãoéonovopunk” e “#oamoréonovopunk”, encerrando a publicação com a defesa da habitação enquanto causa comum.
