O percurso de Miguel Vicente e os conflitos com Luís Gonçalves deram origem a leituras diferentes no “Dois às 10” desta segunda-feira, 19 de outubro. Depois da “Curva da Vida” exibida na gala do “Big Brother All Stars”, Cláudio Ramos defendeu que o vencedor de 2022 merece uma oportunidade, enquanto Cristina Ferreira alertou para o impacto da exposição pública. Na análise à discussão com Luís, porém, Gonçalo Quinaz responsabilizou Miguel por ter levado o colega “ao limite”.
A conversa cruzou duas questões: a mudança que os apresentadores dizem reconhecer no algarvio e a forma como o comportamento de Luís está a ser julgado dentro da casa. Cinha Jardim e Adriano Silva Martins também intervieram, discordando sobre a comparação entre os dois concorrentes.
“Ele ficou tão fragilizado com a vitória”
A história de Miguel Vicente levou Cláudio Ramos a refletir sobre as consequências da vitória e da popularidade que se seguiu.
“Eu achava que depois da curva da vida dele, que ele merecia uma oportunidade, porque eu acho que ele ficou tão fragilizado com a vitória, porque ele foi o primeiro grande vencedor. Ele fez a tua capa, lembras-te? Ele foi o primeiro grande vencedor e ele ficou depois, eu acho, tão fragilizado”, afirmou no programa da TVI, dirigindo-se a Cristina Ferreira.
O apresentador acrescentou que Miguel “não foi um vencedor qualquer”, uma avaliação acompanhada por Adriano Silva Martins: “Não, foi muito marcante.”
Cristina Ferreira recuperou o relato do concorrente sobre as reações ao fim do namoro com Bárbara Parada para questionar a forma como alguns espectadores interferem na vida dos participantes.
“As pessoas às vezes acham que isto é uma coisa muito simples e que passar do anonimato para toda a gente conhecer mais a história das pessoas que vibram com isto tudo e que depois exigem, quando ele diz ali que quando terminou o namoro com a Bárbara, que as pessoas o começavam, porque ele não podia terminar o namoro com a Bárbara, porque as pessoas não queriam que ele terminasse. As pessoas, é assim, se vê o nível de loucura de algumas pessoas que veem os jogadores.”
Cristina Ferreira alerta para o impacto da fama
Para a apresentadora, os efeitos de uma vitória num reality show podem prolongar-se muito para além do fim da emissão.
“Ninguém tem noção do quanto transtorna. Vamos lá ver, o Miguel é vencedor em 2022, passaram 4 anos, ele ainda não está bem estruturado depois disso”, considerou Cristina Ferreira.
A apresentadora referiu também o peso das designações que são associadas aos concorrentes e a importância de terem pessoas próximas que os ajudem a manter a perspetiva.
“Eles falam no Diabo Louro. Isso tudo causa dentro das pessoas. E eu acho que se não tiver ninguém à volta, que o chame à terra, que dê dois chapadões e diga, ó meu, tu não és ninguém, só ganhaste um programa de televisão.”
Quando Cinha Jardim mencionou as “facilidades da vida”, Cristina contrapôs com o exemplo do projeto profissional de Miguel.
“Não é facilidade, porque ele ontem explicou ali que pensou só porque era o Miguel que lançava uma plataforma de treinos e que ia conseguir. Não é assim. As pessoas têm que perceber que mesmo quem sai, só vencem os que trabalham. Os que trabalham. É preciso que se diga isto. Isto nada cai do céu.”
Cláudio Ramos reconhece mudança e Cinha admite nova vitória
Cláudio Ramos concordou que Miguel Vicente acusou o impacto da popularidade: “É que o Miguel se deslumbrou muito.”
Ainda assim, o apresentador afirmou identificar diferenças na participação atual e defendeu que o concorrente possa continuar a demonstrá-las.
“Eu vejo uma mudança tão grande nele, vejo de verdade, não estou a fazer um género, vejo mesmo uma mudança. Não sei se é disfarçada, se não é, mas como vejo na Catarina, vejo nele. Se bem que a Catarina mais limada, mais preparada para isto. Vejo nele, foi pai, se lhe for dado um voto de confiança até lá ao fundo, depois logo se vê, eu acho que é legítimo, de verdade que sim.”
Adriano Silva Martins acompanhou essa posição, afirmando que “também acho que é legítimo”. Cinha Jardim foi mais longe quanto às possibilidades do algarvio nesta edição: “Eu também acho que ele possa ganhar.”
A defesa de Luís Gonçalves volta a dividir o painel
A análise ao comportamento de Luís Gonçalves trouxe outro tom à conversa. Adriano Silva Martins questionou as expectativas colocadas sobre alguém cuja personalidade já era conhecida antes de entrar no “Big Brother All Stars”.
“Muito rapidamente, desvendo o mistério. O Luís está lá dentro porque é bom a fazer ponto de cruz? Ou está lá dentro porque é bom a fazer o Luís? Não, está lá dentro…”
Cinha Jardim interrompeu para destacar o apoio do público: “Não, está lá dentro porque há muita gente que se identifica com ele.”
Adriano manteve a crítica ao tratamento que considera estar a ser dado ao concorrente: “Acho, e não vou discutir obviamente as decisões do Big, mas acho que ele é injustiçado, que caem em cima dele lá na casa de uma forma que não é…”
Cristina Ferreira introduziu uma ressalva: “Há uma coisa que é certa, é difícil conviver com ele.” Cinha concordou, dizendo que “é muito difícil”, mas a apresentadora recuperou o passado de Miguel: “Mas tal como o Cláudio já disse, foi muito difícil conviver com o Miguel.”
“Com o Miguel, exatamente. Não é a única pessoa difícil de conviver lá dentro”, respondeu Adriano.
“O Miguel fazia-lhes a vida negra”
Cinha Jardim rejeitou a aproximação entre os dois casos: “Mas não podemos comparar.”
Cláudio Ramos respondeu com a experiência que teve enquanto apresentador de uma edição anterior: “No último programa que fiz, o ‘Desafio Final’, todos os concorrentes estavam contra o Miguel. O Miguel fazia-lhes a vida negra.”
Adriano concordou, mas Cinha procurou distinguir as atitudes dos dois participantes: “Mas não era agressivo. O Luís…”
“Eu não acho que o Luís seja agressivo”, contrapôs Adriano Silva Martins.
A comentadora esclareceu então que não estava a falar de uma tentativa de agressão física: “Eu não acho que o Luís alguma vez estivesse perto de agredir alguém. Mas a maneira como ele fala, a maneira como ele diz as coisas.”
Adriano respondeu que “ele é assim”, e Cinha reconheceu a continuidade desse registo: “Eu sei que é assim. Por isso quem gostou dele no outro está a gostar dele agora. E para ele ter ganho foram muitas pessoas que gostaram, portanto continuam a gostar.”
Cláudio Ramos acrescentou: “Eu acho um erro gostar e esperar que eles não se gostem.”
A referência ao medo provoca nova troca de argumentos
A discussão intensificou-se quando Cinha Jardim afirmou: “Eu nunca vi ninguém dizer que tem medo do Miguel.”
Adriano Silva Martins reagiu de imediato: “Espera aí, isto é uma insinuação. Se tivessem medo, estavam cá fora. Está a dizer que o Miguel tem medo do Luís?”
Cristina Ferreira interveio: “O Miguel então não tem nada disso? Não é assim, não é assim.”
Cinha esclareceu que se referia a outra concorrente: “Estou a falar da Renata que saiu do confessionário.” A apresentadora respondeu: “A Renata só está capaz de falar para a casa dela.”
Gonçalo Quinaz tomou então a palavra para contestar a leitura feita sobre Luís: “Isto foi só ridículo, além de completo, porque ninguém viu o Luís dirigir-se a alguém com o intuito de fazer o que quer que seja.”
Quinaz aponta Miguel como origem da reação de Luís
Na explicação do conflito, Gonçalo Quinaz destacou a intervenção de Sónia Jesus na cadeira quente que se seguiu à gala.
“A Sónia, para mim das melhores concorrentes desta edição até ao momento, concordo com o Carlos, acho que é uma excelente concorrente, completa, desvendou ontem o porquê desta reação do Luís.”
O comentador não poupou críticas à forma como Luís reagiu, mas atribuiu a Miguel Vicente responsabilidade pelo agravamento da situação.
“É que o Luís realmente tem esta atitude, é uma atitude feia, gritou, fez, perneou, mas foi levado ao limite pelo Miguel. E a Sónia disse isto sem qualquer problema na cadeira quente, à frente de todos, e não foi desmentida por ninguém.”
Para sustentar a sua leitura, Quinaz lembrou que concorrentes habitualmente em desacordo com Luís também lhe deram razão naquele episódio.
“Inclusive o Zaza, que não gosta do Luís, e a Miranda, que não gosta do Luís, saíram em defesa do Luís, concordando com aquilo que ele disse.”
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