Lili Caneças admite que hoje talvez não se divorciasse: “Não valia a pena estar a destruir uma família”

Lili Caneças sentia falta de ouvir uma declaração de amor do marido, mas hoje olha de outra forma para a decisão de se separar. Em entrevista a Flávio Furtado, no “The Leite Show”, a socialite recordou o casamento com Álvaro Caneças, falou dos relacionamentos que manteve depois do divórcio e revelou a conversa que já teve com o neto Pedro sobre o fim da vida.

Ao descrever o que lhe faltava na relação conjugal, Lili explicou que se sentia admirada pela beleza, mas não recebia as demonstrações de afeto de que precisava.

“Ele nunca me mostrou que me amava, percebes? Eu achava que era muito bonita quando era nova (…) achava que para o meu marido eu era como se fosse um cãozinho para passear, para mostrar, um troféu, e que me levava pela coleira para toda a gente ver como ele podia ter uma mulher bonita”, afirmou.

“Ele nunca me disse ‘eu amo-te’”

O conforto material não compensava essa ausência. Lili recordou que o silêncio do marido sobre os sentimentos a deixava triste.

“Ele nunca me disse ‘eu amo-te’, então isso entristecia-me imenso. (…) O que é que me faltava? Manifestações de amor”, contou a Flávio Furtado.

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Apesar da insatisfação, garantiu que nunca traiu Álvaro Caneças: “A palavra traição para mim não existe, porque a traição é como Judas que traiu Jesus (…) eu não conseguiria fazer isso nunca, e ao meu marido ainda por cima, que ele era um querido.”

O divórcio aconteceu quando tinha 37 anos. Décadas depois, Lili admite que poderia ter escolhido outro caminho.

“Com a sabedoria que eu tenho hoje de vida, não me tinha divorciado provavelmente, porque de facto as paixões duram dois meses ou três meses ou um ano ou dois anos. Não valia a pena estar a destruir uma família”, reconheceu.

A socialite explicou ainda que, mais tarde, passou a relacionar a dificuldade do ex-marido em demonstrar sentimentos com a educação que recebera, segundo ela, num ambiente sem afeto.

“Como é que alguém que é educado sem amor pode dar amor depois a outra pessoa qualquer? Não pode, não consegue”, afirmou.

Dois namorados depois do divórcio, mas sem voltar a partilhar casa

A separação não significou o fim da vida amorosa. Questionada sobre os relacionamentos posteriores, Lili confirmou: “Tive dois, sim.”

Houve, porém, uma condição que manteve: “Nunca nenhum namorado dormiu em minha casa. Era só o que faltava.”

Perante a insistência de Flávio Furtado, distinguiu as visitas de um companheiro da possibilidade de este passar a noite consigo.

“Entrar é outra coisa, agora dormir em minha casa não, porque nunca vivi com ninguém (…) Eu tenho uma cama enorme, estupenda, eu durmo na cama e ter alguém… de todo”, explicou.

Lili contou também que teve um pretendente que apresentou como príncipe: “Tive um príncipe de 20 anos, chiquérrimo, o meu brasão seria o brasão da Praça de São Marcos.”

A possibilidade não avançou. Segundo a convidada, um gesto desse homem levou-a a suspeitar de um eventual consumo de drogas, que não afirmou ter presenciado.

“Via que ele muitas vezes fazia assim no nariz. Eu dizia: ‘Meu Deus, este é agarrado à coca e eu não quero nada disso na minha vida’. E, no entanto, nunca vi ninguém cheirar coca, porque os meus amigos respeitam-me”, relatou, sem identificar o pretendente.

“Eu detesto que saibam da minha vida privada”

Apesar das revelações feitas durante a entrevista, Lili deixou claro que pretende continuar a proteger a intimidade dos seus relacionamentos.

“Eu detesto que saibam da minha vida privada. Não gosto, nunca gostei, portanto ninguém sabe e nunca vai saber. Se nunca souberam até agora, muito menos vão saber agora”, afirmou.

A opção de viver sozinha foi também abordada na conversa, mas a socialite recusou associá-la à solidão. Ao explicar o papel da fé no seu quotidiano, disse: “Eu acredito em Deus e tenho uma fé enorme. E acho que quando eu digo ‘viver sozinha’, não tem nada a ver com a solidão. Eu sei que Deus está sempre comigo.”

Flávio Furtado quis ainda saber se mantinha um hábito que conhecia dos tempos em que trabalhavam juntos: “Dezoito anos depois, continua sem tomar um único comprimido?”

“Nada”, respondeu Lili, que negou igualmente tomar suplementos ou vitaminas.

O pedido ao neto Pedro para o fim da vida

Aos 82 anos, Lili Caneças revelou que já falou com o neto sobre a morte e sobre a forma como gostaria de ser acompanhada nesse momento.

“Eu outro dia disse ao Pedro: ‘Quando a avó partir, tu vais-me ajudar’, porque evidentemente eu sei que não tenho todo o tempo do mundo. Um dia vai chegar o meu dia”, contou.

O pedido foi o de estar presente e dar-lhe a mão, procurando que o jovem não encare a despedida como um trauma.

“‘Vais-me ajudar, quando a avó estiver mal, dás-me a mão, esperas que eu morra e não vais chegar traumatizado. Eu sei que a avó tem de morrer, não tenho problema nenhum’”, relatou.

Lili explicou que saber que pode contar com o neto lhe transmite tranquilidade: “Tenho o descanso de saber: ‘Pedro, anda cá que a avó está a ir desta para a outra’.”

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