Cristiana Dionísio fala dos estudos com sentimentos divididos: reconhece que lhe faltou interesse, mas recusa que isso diminua o seu valor. No «Dois às 10», explicou ainda o que procura ensinar ao filho e como continua a ser julgada pela imagem da «Casa dos Segredos».
A participante de «The Brain» esteve à conversa com Cláudio Ramos nesta terça-feira, 27 de outubro, na TVI. A reflexão sobre o percurso escolar surgiu quando abordava a experiência no novo formato e a convivência com Sandra.
“Ninguém é mais do que ninguém, ponto. E ninguém sabe das capacidades”, começou por defender.
Cristiana assumiu depois que teve apoio familiar para prosseguir os estudos, mas não aproveitou essa possibilidade.
“Eu, graças a Deus, não fui mais longe porque eu não quis, porque tive uma família que me podia levar muito longe. Eu é que não quis, porque pronto, é aquela fase parva de miúda”, afirmou.
“Não há mais valor na pessoa?”
Questionada por Cláudio Ramos sobre um eventual arrependimento, Cristiana não apresentou uma resposta definitiva.
“Arrependo-me e não me arrependo, porque acho que o ser culto depende um pouco do que tu queres seguir na vida”, explicou.
O apresentador distinguiu cultura de escolaridade, lembrando que uma pessoa pode ter poucos estudos e muitos conhecimentos. A convidada concordou e recuperou o exemplo da avó.
“A minha avó sabe tudo, faz contas de cabeça e nunca estudou”, contou.
A reflexão deu lugar a um desabafo sobre a forma como sente que as pessoas são avaliadas: “Fico um bocadinho revoltada porque parece que as pessoas, para terem valor na sociedade, têm que ser cultas. Não há mais valor na pessoa?”
Cristiana reconheceu, ainda assim, que a falta de curiosidade prejudicou a sua aprendizagem. Hoje, procura transmitir uma atitude diferente ao filho Dylan, de nove anos.
“O meu mal foi que nunca fui uma pessoa interessada, o que é péssimo. Por isso é que com o meu filho também transmito para que não seja assim, porque nós temos que saber realmente de tudo um pouco na vida”, afirmou.
Carta de condução serviu de exemplo
Para explicar que consegue dedicar-se quando tem um objetivo, Cristiana recordou a reação da mãe à decisão de tirar a carta de condução.
Apesar das dúvidas sobre a sua vontade de estudar, passou à primeira tentativa. A experiência serviu-lhe para defender que o interesse influencia a forma como enfrenta cada desafio.
“Eu sou muito dedicada àquilo de que gosto. Não tenho que ser crucificada porque não sou a mais culta. Nós não somos todos iguais, somos todos diferentes”, declarou.
Regresso à televisão expôs diferenças no público
A participação em «The Brain», da TVI e da Prime Video, também esteve em análise. Cristiana contou que se entendeu com Sandra, que já conhecia, mas considerou que o conflito com Lia condicionou a prestação da colega.
“Ela se calhar já não conseguiu mostrar tanto o lado mais divertido dela”, observou.
O novo desafio levou-a ainda a comparar a reação dos espectadores com aquela que encontrou em 2014, quando entrou na «Casa dos Segredos 5».
“O público em si mudou muito. Senti agora neste programa que na minha época não era nada assim”, afirmou.
Ao recordar a sua edição, destacou o humor que encontrava nas personalidades dos colegas e até em algumas discussões.
“Às vezes sinto falta de ser um bocadinho anónima”
Doze anos depois da estreia, Cristiana sente que parte do público continua a associá-la à jovem que conheceu no reality show.
“Às vezes sinto falta de ser um bocadinho anónima, fazer alguma coisa sem pensar”, confessou a Cláudio Ramos.
A antiga concorrente explicou que ainda é confrontada com comportamentos e frases daquela altura, apesar das mudanças na sua vida.
“Estamos em 2026 e eu entrei em 2014, mas há pessoas que se lembram da casa, de coisas que disse ou fiz. E eu penso: ‘Sim, mas não sou assim já’”, desabafou.
A notoriedade trouxe oportunidades financeiras, mas também dificuldades, nomeadamente com notícias que considerava falsas. Ainda assim, fez um balanço positivo da experiência e do carinho que continua a receber.
O filho também reage com orgulho quando a mãe é reconhecida na rua. “Acha super engraçado porque diz: ‘Oh mãe, tanta gente gosta de ti!’”, contou.
Atualmente a trabalhar num ginásio e com presença nas redes sociais, Cristiana garante que conserva a espontaneidade. E há um detalhe que continua a denunciá-la perante quem hesita em reconhecê-la: “Quando abro a boca, toda a gente conhece pela voz.”
