O passado pode ser um lugar confortável. Põem-se os êxitos pela ordem certa, deixa-se a memória trabalhar e espera-se pelo aplauso. Anastacia trouxe mais do que isso ao Campo Pequeno, na noite de 27 de outubro. Trouxe um concerto extraordinário, à altura de um repertório que atravessou os anos sem perder o seu lugar. Canções que começaram por entrar pela rádio e acabaram por ficar dentro de casa, nas viagens de carro, nas histórias de quem cresceu com elas. Em Lisboa, voltaram a encontrar quem as guardou.
Anastacia no Campo Pequeno: os êxitos e o caminho para lá deles
One Day in Your Life abriu o concerto e deu início a uma viagem com várias idades. Paid My Dues e Sick and Tired pertencem àquela família de canções que quase dispensam apresentação: basta ler-lhes o nome para o refrão começar a trabalhar. Mas houve também Staring at the Sun, Nobody Loves Me Better e espaço para sair da estrada dos sucessos mais óbvios. O mérito esteve nessa escolha. Anastacia respeitou o peso do seu legado sem deixar que ele ocupasse o palco inteiro.
Outra porta para as mesmas canções
Depois, o alinhamento abriu outra porta. How Come the World Won’t Stop, Welcome to My Truth e Wishing Well encontraram-se num segmento acústico, com a corista Holly a juntar-se a Anastacia na segunda. Houve ainda passagem pelo rock de Sweet Child o’ Mine, de Gunn N’ Roses, antes de Boxer e Left Outside Alone. Diferentes caminhos para chegar ao mesmo lugar: uma carreira que tem mais divisões do que a montra dos grandes singles deixa ver.
A última palavra saiu da sala
No encore, Not That Kind e I’m Outta Love devolveram a noite ao princípio da história. E quando parecia estar tudo dito, o público recuperou a cappella o refrão de Left Outside Alone. A última palavra saiu da sala. Há finais que explicam um concerto melhor do que qualquer adjetivo. Este deixou a imagem de uma obra que já pertence também a quem a escuta. Anastacia esteve à altura dessa entrega. O tempo passou; as canções ficaram de pé.
