Matilde Breyner já conhecia as posições de Jerry Seinfeld quando aceitou integrar o festival Commedia a la Carte. A atriz esclareceu que a saída resultou da falta de condições para preparar o espetáculo, depois de a polémica ter condicionado a produção.
No podcast “Em 40 Minutos”, do Observador, Matilde explicou o que esteve na origem da decisão. O festival arrancou esta quinta-feira, 29 de outubro, mas o trabalho necessário para a sua estreia acabou comprometido.
“A produção do festival esteve parada muito tempo, por causa desta polémica toda, e isso afetou a produção do meu espetáculo. Não tive tempo de ensaiar, não tive tempo de montar o espetáculo que eu queria.”
César Mourão iria encenar o espetáculo
A preparação dependia também de César Mourão, organizador do festival e um dos professores da atriz. Caber-lhe-ia encenar a criação que Matilde pretendia apresentar.
Segundo a própria, o impacto da controvérsia ultrapassou os atrasos de produção e afetou as condições para desenvolver o projeto.
“O César ia encenar o meu espetáculo e com esta polémica toda, obviamente que não há cabeça, não há estrutura sequer para encenar um espetáculo de raiz.”
A saída foi, por isso, acordada com a produção. A atriz explicou que preferiu adiar a estreia a apresentar um trabalho cuja qualidade pudesse ficar comprometida.
“Tomamos esta decisão de: ‘Não vou estrear agora, porque tudo isto pode afetar a qualidade do meu espetáculo’, e também porque o festival onde eu iria participar era uma coisa e agora é outra, depois desta polémica toda.”
“Sabia das posições do Jerry Seinfeld”
Durante a entrevista, Matilde Breyner abordou diretamente a controvérsia em torno das posições do humorista norte-americano sobre o conflito israelo-palestiniano.
A atriz afastou a hipótese de ter aceitado o convite sem conhecer esse contexto. Defendeu também que a presença no mesmo evento não equivale a uma concordância política.
“Sabia das posições do Jerry Seinfeld quando aceitei participar no festival. Conheço o Jerry Seinfeld, conheço o background dele. Mas eu acredito que partilhar um cartaz não é partilhar as mesmas posições políticas. É só isto que eu vou dizer.”
Matilde reconheceu, contudo, o risco de as suas palavras serem interpretadas fora do contexto da conversa. A reflexão estendeu-se à pressão para assumir posições públicas sem espaço para nuances.
“É um tema sensível, porque tudo que eu disser aqui pode virar-se contra mim se for tirado de contexto. E hoje em dia toda a gente tem de ser ou de um lado ou do outro, não há um intermédio.”
