O Benfica-Gil Vicente terminou com uma vitória encarnada por 4-1 e o apuramento para a final four da Taça da Liga. Lukebakio bisou numa noite em que o marcador foi bastante mais generoso com o espetáculo do que o espetáculo com quem o acompanhou.
Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Diogo Nora

Há jogos que deixam saudades. Este deixou o Benfica em Leiria, o que, para as contas de Marco Silva, é consideravelmente mais importante. Para quem passou a noite à espera de entusiasmo, fica a consolação de um resumo com cinco golos. Uma excelente forma de conhecer o encontro sem suportar todos os intervalos entre os acontecimentos.

Na Luz, nesta quinta-feira, 29 de outubro, o Benfica cumpriu o objetivo. Marcou quatro vezes, eliminou o Gil Vicente e resolveu uma eliminatória que não exigia beleza artística, apenas superioridade no resultado. Essa apareceu. O fascínio, esse, não constava das obrigações contratuais.
Sete mudanças e uma oportunidade para mostrar serviço
Marco Silva alterou sete jogadores relativamente à equipa que tinha começado o encontro com o Santa Clara. Samuel Dahl, Lenglet, João Palhinha e Sudakov conservaram o lugar. Os restantes receberam companhia nova.

Trubin assumiu a baliza, Circati entrou na defesa e El Karouani também mereceu a confiança do treinador. Mais à frente, Lukebakio, Echeverri, Schjelderup e Jhon Durán completaram a renovação.
Era uma oportunidade para distribuir minutos, avaliar soluções e manter a equipa na discussão de outro troféu. Para os jogadores menos utilizados, uma montra. Para o público, a legítima expectativa de que alguém aproveitasse a ocasião para fazer alguma coisa memorável.

Lukebakio tomou a sugestão particularmente a sério.
Quatro minutos fizeram mais pelo jogo do que muita conversa
O marcador resistiu até aos 36 minutos, altura em que Lukebakio colocou o Benfica em vantagem. Aos 40, Sudakov acrescentou o segundo.
Em quatro minutos, o encontro ganhou uma clareza que até então não tinha. O Benfica passou do empate a uma vantagem confortável e chegou ao intervalo com a eliminatória mais encaminhada.

Foi uma sequência suficientemente eficaz para simplificar a noite dos encarnados. Também serviu para recordar uma particularidade deste desporto: não é obrigatório encantar durante muito tempo quando se consegue resolver depressa.

O Gil Vicente ficou obrigado a procurar uma resposta. O Benfica ganhou margem para gerir. Quem esperava uma discussão prolongada pelo apuramento começava a perceber que teria de encontrar outra fonte de suspense.
Lukebakio voltou a marcar e Lausen respondeu
Luís Pinto mexeu ao intervalo. Andreas Lausen e Tidjany Touré entraram para os lugares de Guilherme Gomes e Gil Martins, respetivamente.

A primeira alteração no resultado, porém, voltou a pertencer ao Benfica. Lukebakio marcou aos 54 minutos e elevou a vantagem para 3-0. Dois minutos depois, Lausen reduziu, assistido precisamente por Touré. As duas entradas gilistas participaram, assim, no golo dos visitantes.
O 3-1 devolveu algum interesse à contabilidade. Não chegou para mudar o destino da eliminatória.

Para o Gil Vicente, o golo representou uma resposta. Para o Benfica, um aviso de que uma vantagem confortável não dispensa atenção. Para o espectador, foi sobretudo um período em que havia efetivamente qualquer coisa para acompanhar além da passagem dos minutos.
Quatro golos não obrigam ninguém a chamar-lhe um grande espetáculo
O encontro terminou com os visitantes reduzidos a dez jogadores e com o Benfica a fixar o resultado em 4-1, por Durán.

A margem foi inequívoca. A avaliação do entretenimento pode ser menos entusiástica. Uma goleada merece ser reconhecida como goleada, mas não traz automaticamente um certificado de grande noite de futebol.
O Benfica foi eficaz, teve em Lukebakio uma figura decisiva e conseguiu o essencial. O Gil Vicente despediu-se da competição com um golo que não bastou para discutir o resultado até ao fim.

O problema, para quem escreve a crónica, é resistir à tentação de deixar que os números contem uma história mais animada do que aquela que o jogo proporcionou. Cinco golos dão um excelente título. Não garantem noventa minutos inesquecíveis.
Leiria fica no calendário
O Benfica assegurou a presença na fase decisiva da competição, marcada para o Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, entre 5 e 9 de janeiro de 2027. O clube continua, assim, na corrida à nona Taça da Liga.

Marco Silva poderá guardar o apuramento e os minutos distribuídos pelo plantel. Lukebakio guarda o bis. O Gil Vicente regressa a Barcelos eliminado.
Quanto ao espetáculo, fica a recomendação possível depois de uma noite destas: vejam os golos. O resumo tem a vantagem de não precisar de esperar por eles.

Ficha do jogo
Competição: Taça da Liga, quartos de final.
Data: 29 de outubro de 2026.
Estádio: Estádio da Luz, Lisboa.
Resultado: Benfica 4-1 Gil Vicente.
Ao intervalo: 2-0.

Benfica
Titulares: Anatoliy Trubin; Samuel Dahl, Alessandro Circati, Clément Lenglet e Souffian El Karouani; João Palhinha, Georgiy Sudakov e Claudio Echeverri; Dodi Lukebakio, Andreas Schjelderup e Jhon Durán.
Suplentes convocados: Samuel Soares, Alexander Bah, Tomás Araújo, João Fonseca, Fredrik Aursnes, Manu Silva, Jakub Kamiński, Tiago Freitas, Gianluca Prestianni, Rafa Silva, Vangelis Pavlidis e Anísio Cabral.
Treinador: Marco Silva.
Gil Vicente
Titulares: Samuel Portugal; Ricardo Esgaio, Jonathan Buatu, Antonio Espigares e David Moreira; Zé Carlos, Guilherme Gomes e Santi García; Murilo, Gil Martins e Mohamed Kaba.
Suplentes convocados, segundo a ficha do FotMob: André Picornell, Lucão, José Silva, Malick Gning, Andreas Lausen, Gonçalo Maia, Martín Fernández, Sergio Bermejo, Tidjany Touré, Joelson Fernandes, Agustín Moreira e Walace França.
Treinador: Luís Pinto.
Arbitragem
Árbitro: José Bessa.
Assistentes: Hugo Santos e Ângelo Carneiro.
Quarto árbitro: Flávio Duarte.
VAR: Rui Silva.
AVAR: Inácio Pereira.

