Daniel Oliveira anunciou a morte da avó Zulmira, aos 94 anos, numa homenagem feita de jogos, conversas sobre futebol e memórias familiares. O apresentador recordou também as palavras que ouviu dela há duas semanas, quando, segundo contou, já pressentia o fim.
Zulmira morreu na quinta-feira, 29 de outubro. Daniel Oliveira partilhou a notícia na tarde desta sexta-feira, através de uma publicação no Instagram acompanhada por fotografias com a avó.
O rosto de «Alta Definição», da SIC, começou pelas recordações mais familiares, antes de explicar o que tornava aquela relação tão particular.
“A Avó Zulmira também fez camisolas de lã e refeições de sonho. Também soube aquecer noites frias ou ‘adivinhar’ o presente mais esperado. Fez quase tudo aquilo que pensamos que as avós fazem.”
Dos jogos em família às conversas sobre futebol
Na homenagem, Daniel Oliveira descreveu uma avó presente nas brincadeiras, nas discussões e nos momentos de convívio.
“Não é dessa avó que agora falo, mas sim de uma avó como companhia indispensável para jogar tardes e noites de snooker, dominó, sueca, damas, matrecos e à moeda; uma avó para ver, ouvir e discutir a bola.”
A personalidade firme convivia com uma cumplicidade especial com o marido e com o entusiasmo pelas novelas.
“Uma avó forte e corajosa que não admitia palavrões, mas perdoava uma batota, desde que fosse do meu avô; uma avó que adorava novelas e delas falava como se fosse vida real.”
A atualidade e as audiências televisivas também entravam nas conversas.
“Uma avó que tinha como bordão definitivo do seu comentário político ‘no meu ver é assim’ e que opinava sobre atualidade ou programação televisiva, contentado-se quando era a SIC que tinha mais ‘freguesia’…”
A menina que saiu de Ovar aos 12 anos
Daniel Oliveira evocou os gestos de carinho e o humor da avó, sem esquecer as dificuldades que atravessaram a sua vida.
“Uma avó beijoqueira e de abraços fortes, que repetia as mesmas histórias contadas sempre com as mesmas palavras, mas com o fervor original; uma avó divertida e galhofeira apesar da vida de chumbo e que era irresistível quando provocada pelos netos a dizer nomes em línguas estrangeiras.”
O retrato incluiu as pequenas particularidades que ficaram na memória dos netos.
“Uma avó orgulhosa e zelosa dos seus, mas também capaz de um orgulhoso amuo com beicinho; uma avó permissiva e cúmplice, que tinha uma obsessão por nos fazer cócegas nos joelhos.”
Nascida a 6 de março de 1932, Zulmira saiu de Ovar ainda criança. O seu percurso viria a ser contado num livro.
“Uma avó cuja vida resultou num livro, que deu oportunidade à menina que veio de Ovar para Lisboa aos 12 anos, como moça de servir, de privar com figuras de renome.”
As palavras que ouviu duas semanas antes
Uma das memórias partilhadas pelo apresentador pertence aos últimos dias de vida da avó.
“Uma avó com mau perder contra a passagem do tempo, mas que me disse ainda há duas semanas quando pressentia o fim: ‘Quem andou não tem para andar, filho, o que estiver para mim não está para mais ninguém’.”
É essa personalidade que Daniel Oliveira quer guardar.
“É esta Avó Zulmira que vou querer recordar quando pensar na sorte que tenho por tê-la tido até aos seus 94 anos.”
Sem revelar a causa da morte, o apresentador terminou com um agradecimento aos profissionais de saúde que a acompanharam.
“O meu agradecimento às diferentes equipas do Trofa Saúde e ao corpo clínico da unidade de cuidados paliativos da CUF Tejo pelo profissionalismo, cuidado e humanidade e por lhe terem conferido conforto e dignidade, honrando, dessa forma, toda a sua vida.”
Veja a publicação AQUI.
