Raul Minh’alma publicou uma reflexão sobre a solidão de quem aprende a defender-se depois de sucessivas desilusões. A mensagem acompanha a divulgação do romance «As flores que o inverno deixou» e questiona o que se esconde por trás de uma imagem de força.
Numa publicação no Facebook, o escritor descreve uma mulher que construiu barreiras para se proteger. A metáfora dos castelos surge como resposta à falta de apoio e à perda de confiança nos outros.
“Ela aprendeu a construir castelos, não para se fazer mais do que os outros, mas para se proteger dos outros. Apontaram-lhe mais vezes o dedo do que lhe estenderam a mão e por isso ela deixou de esperar, deixou de confiar.”
O texto prossegue com a imagem de alguém que continua a avançar, apesar das marcas que carrega.
“Levantou-se sozinha e foi. Com os joelhos esfolados, com o coração em bocados, mas foi, agarrada à fé que tinha.”
A força que os outros veem e a proteção que ela procura
Na segunda parte da reflexão, Raul Minh’alma contrapõe o reconhecimento exterior ao desejo íntimo da mulher que descreve. Aquilo que os outros interpretam como firmeza nasceu, no texto, da necessidade de se defender.
“Hoje olham para ela e dizem-na rainha, por nunca baixar a cabeça, por ser independente, resiliente, intransigente, mas ela não quer coroa nenhuma, nunca quis, só quer nunca mais precisar de castelos e muralhas.”
A publicação inclui uma ilustração de uma mulher a construir um muro, acompanhada por uma frase que resume essa ideia:
“Ela não construiu um castelo para se sentir rainha, mas para dar um bom uso às pedras que lhe atiraram.”
«As flores que o inverno deixou» acompanha a mensagem
No final da publicação, Raul Minh’alma apresenta «As flores que o inverno deixou» como o seu novo romance e indica que já está à venda em livrarias e hipermercados.
A mensagem não identifica uma destinatária nem esclarece se o texto integra o livro. A reflexão centra-se na distância entre parecer invulnerável e desejar, finalmente, deixar de precisar de proteção.
