Rui Carlota defendeu que a retirada das tendas nos protestos pela habitação não resolve as dificuldades que levaram os manifestantes à rua. Numa publicação no Instagram, reconheceu os avisos prévios da PSP, mas sublinhou que estes não justificam automaticamente o uso da força.
A reflexão acompanha um vídeo com imagens da cobertura da CMTV no Porto. No texto, Rui Carlota começou por lembrar as tentativas de diálogo anteriores à intervenção policial.
“A PSP avisou, dialogou e deu tempo para retirarem as tendas. Os manifestantes decidiram mantê-las. Essa parte da história não pode ser apagada”, escreveu.
De seguida, deixou uma ressalva sobre a atuação das autoridades: “Mas os avisos também não justificam automaticamente cada bastonada.”
“Podemos discordar da forma como protestam”
Rui Carlota centrou depois a atenção nas dificuldades das famílias e nos motivos que estão na origem da contestação.
“Enquanto o país discute quem tinha razão, há crianças com medo de perder a casa, reformados a pensar em pedir esmola e famílias que trabalham uma vida inteira sem conseguir viver com dignidade. E é por isso que estas pessoas saem à rua”, afirmou.
Na sua perspetiva, discordar dos métodos usados pelos manifestantes não deve impedir o reconhecimento dos problemas que denunciam.
“Podemos discordar da forma como protestam sem ignorar aquilo que as levou até ali”, defendeu.
A publicação terminou com uma distinção entre o fim da ocupação do espaço público e a resolução da crise: “Esta madrugada, no Porto, retiraram as tendas. A crise da habitação ficou. Não confundam uma praça vazia com um problema resolvido.”
