Cláudia Vieira prepara Madalena em «Avenida Portugal» com a intenção de construir a sua própria interpretação, apesar das comparações com Carolina Ferraz. Em entrevista à Nova Gente, a atriz falou sobre a adaptação de «Avenida Brasil» e recordou o desafio de protagonizar «Vitória».
Na conversa com Luís Duarte Sousa, Cláudia reconheceu a responsabilidade de participar numa versão portuguesa de uma novela tão conhecida.
“Acho que a SIC está mesmo a ir ao encontro do que as pessoas querem ver, porque a Avenida Brasil foi uma novela que teve muito sucesso cá, muito sucesso no Brasil e querermos fazer esta adaptação é uma grande responsabilidade.”
A atriz destacou a importância do elenco para o resultado: “Cada personagem vai ser importante para contribuir para o sucesso deste projeto. E, ainda por cima, a minha personagem, na versão original, foi interpretada por uma atriz incrível.”
A referência é Carolina Ferraz, com quem Cláudia Vieira explicou ainda não ter falado sobre o papel.
Uma personagem diferente de «Vitória»
Madalena permitirá à atriz explorar um registo distinto daquele que marcou o seu trabalho anterior.
“Está inserida num núcleo que vive um bocadinho à parte da vida do bairro, mas que tem características muito diferentes da minha personagem anterior, que eu também procuro sempre: ir construindo personagens diferentes.”
Cláudia afirmou que encara o convite “com muita responsabilidade, muito entusiasmo e com uma felicidade enorme em fazer parte deste projeto”.
A experiência de trabalhar numa adaptação não é nova, mas a atriz considera que a notoriedade de «Avenida Brasil» torna este desafio particular.
“Claro, eu já fiz uma novela que foi adaptada. A Vitória era adaptada de uma novela turca, que era a Gulperi, que já tinha passado na SIC Mulher e tido imenso sucesso. Por isso, de alguma forma, já senti um bocadinho o que isso é.”
“Mas é completamente diferente, porque algumas pessoas conheciam a Gulperi; no caso da Avenida Brasil, toda a gente conhece.”
“Eu vou construir a minha Madalena”
Apesar da referência brasileira, Cláudia não pretende reproduzir o trabalho de Carolina Ferraz.
“Estive no Rio de Janeiro, mas ainda não tinha a certeza de qual era a minha personagem. Se me tivesse cruzado com ela, gostaria muito de lhe dizer, mas não acho que me vá ser pedido que faça um trabalho de imitação.”
A atriz explicou como pretende lidar com as comparações: “Cada pessoa dá o seu cunho na construção de uma personagem e eu vou construir a minha Madalena. Portanto, as pessoas têm sempre a possibilidade de comparar, mas não quero ficar com esse peso.”
“Sei que isso pode acontecer, mas vou fazer o meu trabalho como se estivesse a construir uma personagem que não tivesse sido interpretada.”
«Vitória» foi “o maior desafio” da carreira
Ao olhar para o projeto anterior, Cláudia admitiu que Vitória foi, até ao momento, a personagem da sua vida.
“Foi, até agora. Espero que surjam outras personagens da minha vida, mas a Vitória foi o maior desafio que tive. Pela densidade, pela história, pela agressividade de tudo o que lhe acontecia e pela carga de trabalho.”
A interpretação valeu-lhe uma nomeação para os Globos de Ouro. Questionada sobre não ter vencido, a atriz valorizou o reconhecimento e o trabalho de Maria João Bastos.
“Não, tive consciência de que estar nomeada é o maior prémio por ter feito um bom trabalho. O vencer é sempre muito relativo. Eu sei o método de funcionamento, a forma como é votado, e sabia que tinha fortes possibilidades de ganhar, porque o meu trabalho foi muito elogiado.”
Ainda assim, afastou a ideia de se ter sentido injustiçada: “Mas, ao mesmo tempo, não me desiludiu, porque sei que a Maria João Bastos fez um trabalho maravilhoso.”
Quando o jornalista perguntou se era mais fácil aceitar o resultado perante outra interpretação de qualidade, Cláudia respondeu: “Exatamente, um trabalho fantástico. Ou seja, não acho que seja uma injustiça. Mas claro que lamentei…”
