Democratas conquistam Congresso: Trump aponta guerra no Irão e Obama celebra “mensagem clara”

Os democratas conquistam Congresso nas eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro, retirando aos republicanos o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes. Donald Trump reconheceu o impacto da guerra no Irão, enquanto Barack Obama interpretou o resultado como um apelo à união e a soluções concretas.

Numa entrevista telefónica à Fox News, o Presidente dos Estados Unidos felicitou os adversários, afirmando que “fizeram um bom trabalho” e “lutaram bem”.

Trump considerou que o conflito no Irão foi “parcialmente” responsável pela derrota republicana, admitindo o provável efeito do aumento dos preços dos combustíveis. Ainda assim, rejeitou interpretar os resultados como uma avaliação direta da sua administração.

“Não tem nada a ver com o meu gabinete”, defendeu, argumentando que “havia uma certa atmosfera no ar”.

O Presidente invocou também a dificuldade histórica do partido no poder em vencer eleições a meio do mandato: “Quase nunca o presidente em exercício, independentemente de ser bom ou mau, republicano ou democrata (…) consegue vencer.”

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Trump afasta responsabilidade e ameaça recorrer ao veto

Depois de ter apelado durante a campanha para que os eleitores votassem como se o seu nome estivesse no boletim, Trump demarcou-se do resultado.

“Eu não estava no boletim de voto e, se estivesse, teríamos ganho com uma vitória esmagadora!”, escreveu na Truth Social.

Na noite eleitoral, publicou ainda uma fotografia de um boné vermelho com a palavra “Veto”, depois de já ter prometido recorrer a esse poder perante uma eventual maioria democrata.

“Tenho o direito de vetar qualquer coisa”, afirmou ao Politico, acrescentando, contudo, que prefere “não passar dois anos sentado a vetar tudo”.

O Presidente também criticou a Fox News, atribuindo-lhe “parte da responsabilidade por estas derrotas ao dar espaço constante e sistematicamente à oposição ‘tola’ [democrata] e pior”.

Apesar das críticas, voltou a falar ao canal e lamentou a prestação de alguns candidatos republicanos, incluindo nomes que apoiara.

“Francamente, não me dava bem [com alguns], mas, pelo bem do partido, aceitei”, comentou.

Trump admitiu, por outro lado, procurar entendimentos com a oposição: “É por isso que já falei com certos líderes do Partido Democrata. E é provável que encontremos muitos aliados entre os democratas também.” Na sua perspetiva, “eles também querem ver resultados alcançados”.

Obama pede união e prepara os próximos dois anos

Barack Obama reagiu aos resultados com uma mensagem na rede social X, na qual destacou aquilo que considera ser a vontade expressa pelos eleitores.

“Esta noite, o povo americano enviou uma mensagem clara: eles [os cidadãos dos EUA] querem uma política que una as pessoas em vez de dividi-las, e líderes que ofereçam soluções concretas para os desafios que enfrentam.”

O antigo Presidente felicitou os candidatos democratas que “vieram de origens diferentes”, mas estavam “unidos por valores compartilhados”.

Deixou ainda um agradecimento aos funcionários eleitorais de ambos os partidos, que “cumpriram uma das funções mais essenciais da nossa democracia”.

Para Obama, o resultado deve agora traduzir-se em trabalho político durante o período que resta à atual administração.

“Embora esta administração ainda tenha mais dois anos no cargo, nosso trabalho agora é arregaçarmos as mangas, fazer mudanças onde quer que tenhamos o poder para fazê-lo, prevenir danos adicionais e preparar o terreno para o futuro”, afirmou.

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