Paulo Fonseca no Sporting traz a promessa de uma equipa mais forte e a convicção de que a distância de nove pontos não encerra a luta. Na apresentação em Alvalade, o treinador explicou as prioridades, elogiou o plantel e afastou a continuidade imediata do sistema de três centrais.
O técnico começou por agradecer a confiança da direção e por defender que chega ao clube numa fase de maior preparação profissional.
“Em primeiro lugar, agradecer ao presidente e à estrutura pela confiança depositada em mim, na minha equipa técnica e no meu trabalho. Sempre tive sempre em mente continuar nos melhores campeonatos a defrontar os melhores treinadores, os melhores jogadores, por forma a chegar hoje aqui melhor preparado.”
“E a verdade, confesso-vos, acho que estou no momento certo de ser treinador do Sporting. É o momento em que me sinto melhor preparado para enfrentar este desafio. Depois, não posso deixar de dizer que este clube sempre foi especial para mim. Sou adepto desde criança.”
Ao recordar referências leoninas da infância, Paulo Fonseca explicou o peso dessa ligação na decisão de aceitar o convite.
“E isso pesou imenso no momento em que o presidente me endereçou o convite. Há sonhos que se tornam realidade e o meu sonho tornou-se realidade. Estou no clube do meu coração.”
O primeiro treino reforçou a confiança no plantel
A qualidade dos jogadores foi outro dos argumentos decisivos para aceitar o desafio.
“Uma coisa que me atraiu bastante e motivou bastante é a qualidade deste jovem plantel. Estou extremamente motivado para trabalhar com estes jovens de grande qualidade, em que acredito imenso e que tenho a certeza que vamos construir coisas especiais para o Sporting todos juntos.”
Questionado sobre a margem de evolução da equipa, Paulo Fonseca garantiu que a primeira sessão de trabalho reforçou a convicção com que chegou.
“Se eu não acreditasse, não estava aqui. Essa é que é a verdade e uma das coisas que me motivaram foi realmente a qualidade deste jovem plantel. Acho que temos um futuro brilhante pela frente. Acho que vai exigir muito de nós, muita dedicação, mas eu acredito plenamente no plantel que foi construído.”
“Hoje já tive a oportunidade de realizar o primeiro treino. Se eu já estava entusiasmado, hoje ainda fiquei muito mais com a resposta dos jogadores. E, portanto, é uma coisa em que acredito plenamente: nós vamos ser mais fortes.”
O treinador pediu também que se tenha em conta o processo de adaptação dos reforços.
“Todos nós percebemos que muitos deles são jovens, há muitos que estão pela primeira vez em Portugal e esta mudança, por vezes, não é fácil, porque vêm de outros contextos noutros países. Mas o tempo vai demonstrar que as escolhas foram acertadas e que este é um plantel que vai dar garantias para o futuro no nosso clube.”
Nove pontos de distância e exigência máxima
Sobre uma eventual alteração do grupo de capitães, Paulo Fonseca afirmou precisar de conhecer melhor os jogadores antes de decidir.
“Eu sou um treinador que acredita que os líderes devem ser referências nos plantéis. Acho que preciso de tempo para perceber, para conhecer os jogadores e decidir, em função desse conhecimento, se há essa necessidade ou não.”
Quanto aos objetivos da temporada, recusou baixar a fasquia.
“A exigência no Sporting é sempre máxima. Como o presidente disse, são nove pontos. Eu acredito que no futebol não há impossíveis. Agora, devo dizer sinceramente que estou muito mais focado no processo, na evolução da equipa, nas respostas às nossas ideias, às nossas propostas.”
“E dizer também que o tempo não é muito, o tempo para treinar, para preparar. Vamos tentar da melhor forma preparar a equipa para ser o máximo ambiciosa já no próximo sábado.”
Ideias diferentes das de Rui Borges
Paulo Fonseca identificou como prioridade conhecer o plantel no trabalho diário e transmitir os princípios que pretende implementar.
“Como eu disse, estou consciente do momento. A minha preocupação neste momento é conhecer a fundo os jogadores, porque uma coisa é aquilo que vemos, outra coisa é quando trabalhamos diariamente com eles, e grande preocupação em fazer progredir a equipa, em melhorar a equipa, obviamente com as minhas ideias – e não estou a dizer que são melhores ou piores do que as do anterior treinador, o mister Rui Borges, são diferentes.”
“E, neste momento, estou totalmente empenhado em fazer perceber aos jogadores aquilo que quero, aquilo que pretendo que eles executem, porque acredito que isso nos vai levar a ser uma equipa mais forte e que possa entrar em todos os jogos com um único objetivo, que é vencer.”
Sobre a organização tática, explicou que não centra a análise apenas no desenho inicial.
“Há tanto a dizer sobre isso. Fala-se muito em sistemas, eu acredito mais em estruturas. E as equipas hoje, as estruturas, apresentam uma flexibilidade que é exigida. Eu, para mim, neste momento, não estou muito preocupado com a estrutura, até porque a estrutura muda em função do momento do jogo, em função do espaço de jogo.”
“Estou mais preocupado com outras coisas, com o ensinamento dos nossos princípios de jogo. E é nisto que me vou focar. Agora, não acho que neste momento possa ser uma opção, segundo as minhas ideias, dar continuidade àquilo que foi o último jogo, que é jogar com três centrais. Eu não sou, naturalmente, um grande adepto da linha de cinco, mas em determinados momentos do jogo posso tê-la, com diferentes jogadores.”
“O Paulo Fonseca de hoje é diferente”
O treinador explicou ainda por que considera este o momento adequado para regressar ao futebol português.
“Primeiro, é difícil dizer não quando temos a possibilidade de concretizar um sonho. E eu senti, como já disse aqui, que este era o momento ideal, é o momento em que me sinto mais preparado para estar à altura das exigências de um clube como o Sporting.”
“Naturalmente, as pessoas em Portugal recordam-se muito daquilo que foi o meu trajeto em Portugal. Eu saí para o estrangeiro com a clara ambição de progredir, de evoluir. Como já disse, tive a preocupação de estar nos melhores campeonatos.”
Paulo Fonseca revelou que recebeu propostas de outros mercados, mas preferiu continuar nas principais ligas europeias.
“Embora – e confesso – tive durante este tempo muitos convites para as Arábias, para o Brasil, e o meu objetivo foi sempre continuar no top 5 para me preparar para este momento.”
“E a verdade é que, naturalmente, eu sei que nem toda a gente acompanha os campeonatos lá fora. Provavelmente, hoje as pessoas não conhecem o Paulo Fonseca 2, conhecem o Paulo Fonseca que esteve há dez anos em Portugal. E eu garanto-vos que o Paulo Fonseca de hoje é diferente, e penso eu para melhor do que quando saí de Portugal, em função das minhas vivências, em função da forma como me preparei para este momento.”
Essa evolução, acrescentou, ultrapassa a dimensão profissional.
“Eu passei por campeonatos que me obrigaram a mudar um pouco a minha visão do que é o jogo, do que é o treino. E por isso, devido às diferentes experiências nos diferentes campeonatos, nos diferentes contextos, senti que a esse nível mudei imenso. Mudei imenso.”
“A nível pessoal, hoje já tenho mais dois filhos do que tinha na altura, já tenho quatro. Isso também nos obriga a ter mais responsabilidade. E acho que o tempo também nos muda, a idade também nos muda, nós amadurecemos e estamos mais abertos a aprender, a ouvir, a observar mais.”
O técnico terminou essa reflexão com uma ideia sobre a aprendizagem na profissão: “Nós, quando começamos as nossas carreiras, achamos que sabemos tudo. E a verdade é que um treinador é um processo inacabado. Nós temos de ter a preocupação de estar em constante atualização e evolução.”
Fotografia: Sporting CP
