Jorge Jesus soube da saída de Ronaldo pelo vídeo: “Era um dos jogadores que estava na minha convocatória”

Jorge Jesus soube da saída de Ronaldo no mesmo dia em que o anúncio se tornou público e garantiu que contava convocar o avançado. Na conferência de imprensa desta sexta-feira, 6 de novembro, o selecionador explicou que esperava conversar com o jogador e voltar a tê-lo na equipa nacional.

As declarações foram prestadas depois da apresentação da lista de 28 convocados para os jogos com a Dinamarca e o País de Gales.

“Claro que eu pensava que ele voltava, claro que eu pensava convocá-lo, claro que eu pensava conversar com ele, mas tenho que o respeitar. Ele decidiu que era a hora de abandonar a Seleção, mais tarde ou mais cedo isso teria que acontecer”, afirmou.

“Até aí não tinha conhecimento de nada”

Questionado sobre se tinha recebido uma comunicação antecipada da decisão, Jorge Jesus esclareceu quando soube do fim do percurso internacional de Ronaldo.

“Eu soube quando todos nós soubemos da decisão dele, foi-me comunicada exatamente ontem, como todos vocês souberam, depois do vídeo que ele fez. Até aí não tinha conhecimento de nada, tanto que face do que ele estava a jogar, estava a fazer golos, era um dos jogadores que estava na minha convocatória.”

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O treinador confirmou, assim, que o rendimento do avançado o mantinha nas suas opções para os compromissos seguintes.

Ao mesmo tempo, defendeu que a decisão de sair deve ser separada da importância de Cristiano Ronaldo para o futebol português.

“Ele achou que era neste momento o melhor momento para sair, tenho que o respeitar, nunca podendo ignorar aquilo que ele foi para Portugal, aquilo que ele ainda é para Portugal, o símbolo que ele é para os jogadores mais jovens que estão a começar a sua carreira como jogadores e, portanto, isso são duas coisas completamente separadas uma da outra.”

Jesus diz que não tentou falar com Ronaldo após a decisão

Na mesma conferência, o selecionador afirmou que não procurou conversar com o jogador depois do anúncio.

“Não tentei falar com o Cris, eu ia sempre ficar na história do Cris sair da Seleção nos meus quatro anos que tenho de contrato com a Federação, que é até 2030.”

Jorge Jesus considerou provável que o fim da carreira internacional do avançado acontecesse durante o seu mandato.

“Portanto, se não fosse nesta convocatória, na próxima convocatória, se ele achasse por bem, em qualquer momento, penso eu, isso ia acontecer. Portanto, eu ia estar sempre ligado à saída do Cristiano Ronaldo até 2030. Só se ele em 2030 ainda pensasse jogar.”

A comunicação da saída também dividiu o «V+ Fama»

A informação de que Ronaldo não tinha avisado diretamente o selecionador já tinha motivado um debate no «V+ Fama», com António Leal e Silva a defender que a obrigação institucional do jogador seria informar a Federação Portuguesa de Futebol.

“Ele achou que não tinha que avisar, não tinha que avisar. Quanto muito, institucionalmente tinha obrigação, no meu entender, de avisar a Federação Portuguesa de Futebol”, afirmou o comentador, acrescentando que “os selecionadores vão e vêm”.

Adriano Silva Martins discordou, considerando que “o Jorge Jesus, enquanto ele for jogador da seleção, é o patrão dele”.

Para explicar a posição, o apresentador recorreu a uma comparação: “Isto é como se um ministro avisa o Presidente da República que sai do governo e não avisa o Primeiro-Ministro.”

Guilherme Castelo Branco lembrou que Ronaldo “estava pré-convocado” e criticou a forma como interpretou o afastamento entre jogador e treinador.

“Eu acho que o Cristiano Ronaldo levou isto para um lado demasiado pessoal. (…) Ele ignorar mensagens supostamente que o Jorge Jesus lhe enviou e avisar o presidente [da Federação]… Ele sabia efetivamente que ao avisar o presidente, o selecionador iria ser alertado.”

As declarações de Jorge Jesus confirmam agora que não teve conhecimento antecipado da decisão. Não esclarecem, por si, os relatos sobre eventuais mensagens anteriores entre os dois.

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