Hugo Mendes diz que a renda lhe leva 80% do ordenado de um dos trabalhos e exige medidas para a habitação

Hugo Mendes revelou no Passadeira Vermelha que a renda lhe leva 80% do ordenado de um dos trabalhos que acumula. O comentador da SIC Caras falou das próprias contas depois de ouvir o testemunho de Beatriz Godinho, que paga cerca de 700 euros por um quarto numa casa partilhada com oito pessoas, com apenas uma casa de banho a funcionar.

“Vivo entalado entre a espada e a parede de ter de pagar uma renda que me ocupa 80% do meu ordenado de um trabalho”, afirmou Hugo Mendes. O comentador explicou que precisa de conciliar dois ou três empregos para fazer face às despesas e recordou a expressão “geração à rasca”, com a qual se identifica. “Nasci guerreiro em vez de ter nascido herdeiro (…) pertenço a uma geração que foi muito, muito castigada a nível profissional”, disse.

Na entrevista que deu origem ao debate, Beatriz Godinho tinha falado também de duas perdas gestacionais e de uma separação recente. Filipa Torrinha valorizou a decisão da atriz de expor uma situação tão pessoal, considerando que estes testemunhos ajudam a perceber quem sai à rua a pedir habitação.

“Se as pessoas falassem mais daquilo que são as suas experiências (…) provavelmente esta temática tinha um outro palco”, afirmou Filipa. A comentadora contou que até o gesto de ir ao correio lhe causa ansiedade, pelo “medo de receber uma carta” a comunicar um aumento da renda ou a obrigá-la a sair de casa.

Hugo Mendes apela aos governantes

Hugo Mendes falou de pessoas na casa dos 30 anos que dividem quarto com desconhecidos ou “pagam beliches”. Recordou ainda os casais que se separam e “têm de estar na mesma casa (…) porque não têm para onde ir viver”. Sara Avelar observou que a necessidade de dividir despesas deixa muitas pessoas dependentes umas das outras para conseguirem pagar as contas.

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“O país tem de acordar, tem de acordar rapidamente”, pediu Hugo Mendes. Dirigindo-se a quem tem poder de decisão, criticou o tempo gasto a discutir responsabilidades: “Deixem-se de braços de ferro entre uns e outros (…) a medirem pilinhas, a ver quem é que foi a culpa. (…) Estão todos lá sentados com os nossos votos. Então façam qualquer coisa, está nas vossas mãos, não está nas nossas.”

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